
Muitas vezes, ao assistir a uma adaptação no cinema, pergunto-me se era realmente necessário transportar aquele material para as telas. Refiz essa questão com “A Grande Família – O Filme”, a transposição da famosa série da Globo para o cinema.
Na televisão, assistíamos a um retrato bem-humorado e sem pretensões, resultando na melhor série brasileira recente. Já nos cinemas, o argumento rende boas risadas inicialmente, mas acaba decepcionando pela repetição excessiva.
A trama mistura conceitos de “Efeito Borboleta” e “Corra, Lola, Corra”. Lineu (Marco Nanini) encontra a si mesmo em um acidente e consegue retornar ao passado para tentar mudar sua vida. No entanto, cada interferência altera o presente de forma drástica.
O elenco conta com os personagens já familiares ao público: Nenê, Marilda, Tuco, Bebel e o oportunista Agostinho. Para agitar o cotidiano, surgem ainda Carlinhos (Paulo Betti), antigo paquera de Nenê, e Marina (Dira Paes), colega de Lineu.
Embora a sinopse prometa confusões originais, a execução torna-se cansativa. Os roteiristas Cláudio Paiva e Guel Arraes falharam ao transpor o ritmo da TV para o cinema, especialmente na repetição de sequências que torna o final previsível.
Essa previsibilidade, somada a um moralismo de “família feliz”, fere o espírito da série original. Os personagens eram aclamados justamente pela falta de mensagens edificantes e pela simplicidade com que viviam suas vidas, tão similares às nossas.
★★
A Grande Família: O Filme
Direção de Maurício Farias
Assistido nos cinemas (Europa Filmes)
Texto originalmente publicado em 07/04/2007









