Resenha Crítica | A Grande Família: O Filme (2007)

Muitas vezes, ao assistir a uma adaptação no cinema, pergunto-me se era realmente necessário transportar aquele material para as telas. Refiz essa questão com “A Grande Família – O Filme”, a transposição da famosa série da Globo para o cinema.

Na televisão, assistíamos a um retrato bem-humorado e sem pretensões, resultando na melhor série brasileira recente. Já nos cinemas, o argumento rende boas risadas inicialmente, mas acaba decepcionando pela repetição excessiva.

A trama mistura conceitos de “Efeito Borboleta” e “Corra, Lola, Corra”. Lineu (Marco Nanini) encontra a si mesmo em um acidente e consegue retornar ao passado para tentar mudar sua vida. No entanto, cada interferência altera o presente de forma drástica.

O elenco conta com os personagens já familiares ao público: Nenê, Marilda, Tuco, Bebel e o oportunista Agostinho. Para agitar o cotidiano, surgem ainda Carlinhos (Paulo Betti), antigo paquera de Nenê, e Marina (Dira Paes), colega de Lineu.

Embora a sinopse prometa confusões originais, a execução torna-se cansativa. Os roteiristas Cláudio Paiva e Guel Arraes falharam ao transpor o ritmo da TV para o cinema, especialmente na repetição de sequências que torna o final previsível.

Essa previsibilidade, somada a um moralismo de “família feliz”, fere o espírito da série original. Os personagens eram aclamados justamente pela falta de mensagens edificantes e pela simplicidade com que viviam suas vidas, tão similares às nossas.

★★
A Grande Família: O Filme
Direção de Maurício Farias
Assistido nos cinemas (Europa Filmes)
Texto originalmente publicado em 07/04/2007

Resenha Crítica | Uma Noite no Museu (2006)

“Uma Noite no Museu” é a típica comédia descompromissada que a crítica especializada vaia e que o cinéfilo mais convicto adora menosprezar. Parece uma espécie de sessão da tarde sem mensagens profundas ou o humor mais eficiente do gênero, mas cumpre o seu papel.

Em determinados momentos, a melhor opção é tirar férias dos filmes cabeça e se divertir com algo leve. Se você já enfrentou os títulos da temporada do Oscar e busca um “filme pipoca”, a produção de Shawn Levy é uma excelente escolha.

Na trama, Larry Daley (Ben Stiller) tenta melhorar a relação com o filho, Nick, enquanto lida com o ciúme do novo parceiro da ex-esposa. Para provar seu valor profissional, ele aceita o cargo de vigia noturno no Museu de História Natural.

Logo no primeiro dia, Larry descobre que, à noite, todos os objetos e estátuas do museu ganham vida magicamente. Esse é o ponto de partida para as grandes confusões que o protagonista precisará enfrentar.

Embora a premissa comece estática, logo surgem piadas inspiradas. Destaque para os conflitos com o macaco do museu e as tentativas de comunicação com Átila, o Huno. As participações de Owen Wilson e Steve Coogan também são hilárias.

O filme ainda traz o toque nostálgico dos veteranos Dick Van Dyke, Bill Cobbs e Mickey Rooney. Mesmo que uma avaliação positiva pareça exagero para alguns, a experiência nos cinemas se mostrou muito proveitosa e divertida.

A satisfação do público, evidenciada pelas risadas durante a projeção, atingiu crianças e adultos na mesma proporção. Esse apelo universal certamente foi o que impulsionou os expressivos números de bilheteria da obra.

★★★
Night at the Museum
Direção de Shawn Levy
Assistido nos cinemas (Fox Film do Brasil)
Texto originalmente publicado em 01/04/2007

Resenha Crítica | Número 23 (2007)

Joel Schumacher poderia vencer com todos os méritos se existisse, no mundo do cinema, o prêmio de diretor mais irregular na ativa. Mesmo com mais de duas dezenas de filmes no currículo, o veterano cineasta carrega duas falhas definitivas: o medo de ousar e a forma como conduz seus roteiros.

“Número 23″ apresenta exatamente essas imperfeições. Aqui temos o melhor e o pior do diretor, o que torna o resultado insatisfatório. A tensão inicial lembra acertos como “Por Um Fio” e “Tigerland”, mas a trama descamba no terço final, repetindo a falta de ousadia vista em “8MM”.

Neste longa, Jim Carrey tenta provar novamente sua capacidade dramática, já vista em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Ele vive Walter Sparrow, um cidadão que entra em paranoia ao ganhar de sua esposa o livro “The Number 23″.

Ao ler a obra, Walter passa a acreditar que o protagonista do livro, Fingerling, é uma versão de si mesmo no passado. Ele cria uma obsessão doentia pelo número 23, encontrando-o em tudo: desde a data do ataque às Torres Gêmeas até o horário de seu nascimento.

O elenco conta com Virginia Madsen, que interpreta a esposa de Walter e a amante de Fingerling, aparecendo muito sensual na narrativa literária. Danny Huston e Rhona Mitra completam o time de personagens que cercam o mistério central.

Na promissora primeira hora, são lançadas teorias capazes de arrepiar a plateia. Contudo, o que se segue é um suspense psicológico batido, com furos no roteiro e um final melodramático. Schumacher perde a chance de explorar temas profundos como numerologia ou destino.

Embora o marketing e a data de lançamento possam atrair público no Brasil, “Número 23” falha em ser cinema de qualidade. Para quem busca opções reais de arte, o circuito atual oferece alternativas muito melhores.

★★
The Number 23
Direção de Joel Schumacher
Assistido nos cinemas (PlayArte)
Texto originalmente publicado em 26/03/2007

Resenha Crítica | Babel (2006)

A famosa Torre de Babel, descrita em Gênesis, foi arquitetada para que a população não sofresse o mesmo dilúvio presenciado por Noé. Segundo o relato, a divindade se voltou contra os humanos que se beneficiaram da construção, fazendo com que entrassem em desacordo pela mudança de linguagens e interrompessem a obra.

Com base nesse conceito, o diretor Alejandro González Iñárritu recriou uma Babel contemporânea. O filme utiliza um acontecimento acidental para interligar pessoas que sofrem com a falta de comunicação, encerrando a trilogia iniciada com “Amores Brutos” e “21 Gramas”.

A trama começa quando Susan (Cate Blanchett) é atingida por um disparo de rifle no Marrocos. A arma estava com Ahmed e Youssef, duas crianças encarregadas de vigiar cabras. As investigações revelam que o rifle pertencia a um japonês, Yasujiro, pai da jovem surda-muda Chieko (Rinko Kikuchi).

Enquanto Richard (Brad Pitt) busca socorro para a esposa, a empregada Amelia (Adriana Barraza) cuida dos filhos do casal. O desejo dela de ir a um casamento no México acaba gerando enormes transtornos ao cruzar a fronteira com Santiago (Gael García Bernal).

Esse entrelaçamento de personagens segue o estilo de obras como “Magnólia” e “Crash”. Em “Babel”, todos sofrem com a dificuldade de expressar sentimentos e com o distanciamento cultural. O filme gerou polêmica por cenas de nudez e atos impactantes, usados por Iñárritu para provocar o espectador.

Felizmente, a obra toca em temas inquietantes que ultrapassam preconceitos. O desfecho revela como tramas tão complexas são comuns em nossas vidas. É um triste retrato de como a falta de comunicação pode gerar tragédias universais, rotineiras nos noticiários.

★★★★
Babel
Direção de Alejandro González Iñárritu
Assistido nos cinemas (Paramount Pictures)
Texto originalmente publicado em 26/03/2007

Resenha Crítica | A Casa Monstro (2006)

A safra recente das animações computadorizadas tem obtido resultados irritantes. O motivo foi a padronização que tal gênero adotou com as “animalções”, ou melhor, longas-metragens protagonizados por animais que agem como nós, terráqueos. De todo o monte de péssimo entretenimento, que nem oferece alguma intensidade ao público a que se destina, “A Casa Monstro” é um dos raros exemplos que se sobressaem a esta epidemia cinematográfica.

O filme, indicado ao Oscar de melhor animação em 2007 e orquestrado por Gil Kenan, contou com o apoio de Steven Spielberg e Robert Zemeckis na produção executiva, não tem animais falantes, fofos ou insípidos, o que já é uma novidade. Pode não cumprir com sua pretensão medonha (aspira a ser um conto infanto-juvenil terrorífico), mas diverte de alguma forma.

Na história, um trio de jovens amigos está às voltas com os mistérios ocultos de um assombroso casarão situado no bairro vizinho. Cientes de que o tal lugar “devora” diversos objetos, os protagonistas tentam a todo custo desvendar o que faz a casa se locomover sem a presença dos adultos, mas terão de enfrentar a ira de Nebbercracker (voz de Steve Buscemi), dono da residência.

O mais interessante é que o desenho revela inúmeros elementos dos clássicos seriados juvenis, onde o sobrenaturalismo e uma pequena dose de humor se uniam, o que já faz valer o filme para o público que se divertia com esses programas exibidos anos atrás. Na versão original, o filme conta com as vozes de Buscemi, Kathleen Turner, Maggie Gyllenhaal, Kevin James e Catherine O’Hara.

★★★
Monster House
Direção de Gil Kenan
Assistido em DVD (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 18/03/2007

Resenha Crítica | Paixões na Floresta (1995)

Em quatro décadas de carreira, o britânico Philip Ridley escreveu para o teatro e publicou livros. No cinema, fez apenas três longas-metragens, identificando este segundo deles, “Paixões na Floresta”, como o meio de uma trilogia temática composta por “O Reflexo do Mal” e “Marca da Vingança”.

Aqui, Brendan Fraser é acolhido por Ashley Judd em sua casa no meio da floresta. Ela aguarda o companheiro vivido por Viggo Mortensen e se compadece com o relato desse estranho, que se diz recém-órfão e com toda uma vida aparentemente dedicada aos ensinamentos de uma seita de cristãos fundamentalistas.

A partir das cores quentes da fotografia de John de Borman, Ridley investiga o desejo em ponto de ebulição em um sujeito que sempre o reprimiu, encontrando em sua Bíblia Sagrada respostas extremistas para lidar com aquele casal que logo se reencontra e se entrega um ao outro sem qualquer reserva diante de sua presença.

Com elementos narrativos e visuais bastante particulares (Viggo Mortensen interpretando um mudo, o sapato que flutua na lagoa, a família circense da cena final), o filme é basicamente uma fábula amparada por recortes bíblicos que podem repelir quem não tem um entendimento aprofundado deles.

Em tempo: vale a pena deixar os créditos finais rolando, pois há música no vocal da PJ Harvey.

★★★
The Passion of Darkly Noon
Direção de Philip Ridley
Assistido em DVD (Editora NBO)

Resenha Crítica | Pequena Miss Sunshine (2006)

Little Miss Sunshine

“Pequena Miss Sunshine” é, sem sombra de dúvidas, a melhor surpresa gerada no ano passado. Independente, o filme rendeu uma quantia múltipla nas bilheterias e inúmeros prêmios da crítica especializada e do público. Não é um filme para todos os gostos, mas, aceitando a bela história de uma família anormal que tenta a todo custo mostrar que não é perdedora, o espectador será brindado com um pequeno grande filme.

Uma família de classe média baixa é composta por perfis embaraçosos. Richard (Greg Kinnear) é o pai decadente que cria um método sobre vencedores e fracassados, tentando, ao mesmo tempo, se adequar aos primeiros. Sheryl (Toni Collette) é a mulher da casa que parece insatisfeita com a rotina familiar. Dwayne (Paul Dano) faz voto de silêncio e é revoltado com a própria vida que leva. O avô da família, interpretado pelo oscarizado Alan Arkin, é viciado em heroína. Frank (Steve Carell) tentou suicídio após uma paixão homossexual não correspondida.

De todos, a única sem problemas aparentes é a pequena Olive (Abigail Breslin, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante). Ela quer a todo custo participar do evento anual chamado Little Miss Sunshine, que será o caminho para a família rever os seus próprios conceitos.

Se for necessário justificar o barulho do filme, provavelmente será pelo motivo de reunir dois gêneros tão desiguais com maestria: o drama e o humor. É fácil rir e se emocionar com os acontecimentos que cercam o filme, que, por mais peculiares que sejam retratados, são honestos e admissíveis. Dramático demais? Não mesmo. Apenas aguarde pelo ápice da obra, passado no clímax. Uma sequência antológica, engraçadíssima e que cria um laço de união para esta família de forma comovente.

★★★★
Little Miss Sunshine
Direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris
Assistido em DVD (Fox Film do Brasil)
Texto originalmente publicado em 19/03/2007

Resenha Crítica | Os Infiltrados (2006)

Leonardo DiCaprio, que conquistou o mundo com “Titanic” e foi responsável pelos pontos fracos de produções como “O Aviador” e “Eclipse de Uma Paixão”, surpreende em “Os Infiltrados”. Se, no início do filme, o astro parece pouco à vontade ao encenar sequências que exigem uma distribuição de socos e gritos histéricos, depois ele consegue, com muita garra e esforço, entregar uma interpretação sob medida, se formos averiguar a sua limitação como intérprete. É a sua terceira parceria com Martin Scorsese, que finalmente saiu com o Oscar em mãos na festa da Academia de 2007.

Uma pena, entretanto, que a celebração tenha vindo pelo filme errado. Mesmo sendo uma produção acima da média, “Os Infiltrados” se limita a copiar, em seu clímax, “Conflitos Internos” (a versão original do script adaptado por William Monahan), onde consta o momento mais importante de todo o filme, além de estar longe da inteligência do sublime “Cassino” ou da violência de “Os Bons Companheiros” e “Taxi Driver”.

Na comparação, o remake assinado por Scorsese leva uma ligeira vantagem. Com o enredo atualizado, os personagens recebem contornos tridimensionais, além de obterem mais empatia com a plateia. Bons desempenhos (destaque para Vera Farmiga, ótima), muitos mistérios e surpresas fazem deste “Os Infiltrados” um grande programa que não fornece ambições de ser uma obra feita por encomenda para a Academia de Artes Cinematográficas, que, ironicamente, arrecadou alguns prémios das principais categorias, dentre elas Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

★★★
The Departed
Direção de Martin Scorsese
Assistido em DVD (Warner Bros.)
Texto originalmente publicado em 12/03/2007

Resenha Crítica | Voltando Para Casa (2002)

Veterana, a diretora Agnieszka Holland tem como maior virtude a sutileza e a sensibilidade que abarcam suas obras. Independentemente dos assuntos que tem para abordar, ela os funde com muito esmero. Porém, a diretora do recente “O Segredo de Beethoven” necessita de muito mais energia para fazer seus filmes arrebatarem.

Em “Voltando Para Casa”, Agnieszka orquestra o cotidiano dramático de Julie (interpretada pela atriz Miranda Otto, a Eowyn de “O Senhor dos Anéis”), esposa e mãe de gêmeos chamados Nick e Nicole (respectivamente Ryan Smith e Bianca Crudo), que flagra seu companheiro Henry (papel de William Fichtner, de “Paixões Paralelas”) em sua própria residência com outra mulher. O casal vive junto por um longo tempo, mas nunca pensou seriamente em selar o relacionamento com um casamento.

Mesmo com a impactante surpresa, Julie terá que estar ao lado de Henry, pois Nick demonstra com grande frequência sintomas que podem ser resultantes de um câncer com poucas chances de cura. Como os medicamentos não causam efeito, ela descobre um método inusitado para tentar combater a doença de seu filho: levá-lo para outro país e deixá-lo aos cuidados de Alexei (Lothaire Bluteau), famoso curandeiro que remove enfermidades com um simples toque.

A princípio, é fácil imaginar que “Voltando Para Casa” segue apenas um trilho, mas, com o desenrolar dos acontecimentos, a diretora polonesa tenta elaborar inúmeros temas e mensagens (Agnieszka também assina o roteiro). O filme trata da importância da união familiar, do choque de credos e da necessidade de acreditar no que é, até então, uma incógnita, entre outras realidades edificantes. Mas chega um momento em que a obra provoca um grande incômodo.

Talvez pelo motivo de ter muito a dizer e pouco a desenvolver, a produção não consegue se centrar em uma meta, deixando muitos acontecimentos serem resolvidos de modo insatisfatório — a exemplo da simplicidade em como Julie e Henry reatam, ainda que estejam sempre presentes rastros de infidelidade entre ambos. “Voltando Para Casa” só ganha força quando Lothaire Bluteau entra em cena, incorporando um personagem que não terá um destino decretado. Sua atuação carismática e envolvente responde por algumas boas cenas.

★★
Julie Walking Home
Direção de Richard Kelly
Assistido em DVD (Europa Filmes)
Texto originalmente publicado em 25/02/2007

Resenha Crítica | Southland Tales: O Fim do Mundo (2006)

Se na música temos os chamados “one hot wonders”, que são músicos ou bandas que passam o resto de suas carreiras sendo reconhecidos sobretudo por um único sucesso, no cinema há também exemplos de diretores que só conseguiram impactar com um único projeto, nunca conseguindo se superar (ou ao menos se aproximar) daquela sua única obra de culto.

Richard Kelly é apontado como o principal exemplo moderno desse fenômeno – e com muita razão. Embora “A Caixa” seja um filme mais palatável sendo revisitado hoje, é evidente que é “Donnie Darko” o seu grande triunfo como cineasta e roteirista, um fracasso comercial que imediatamente encontrou o seu público quando chegou nas videolocadoras.

Quando saiu, “Southland Tales” se transformou em tudo o que Richard Kelly não desejava. Certo de que fez uma obra política de ficção revolucionária, enfiou o seu filme na Seleção Oficial do Festival de Cannes com uma versão de 160 minutos com inúmeros elementos de pós-produção inacabados. Saiu de lá com uma das piores avaliações para um concorrente à Palma de Ouro e, desta vez, só foi defendido por aquele rebanho típico de fãs obsessivos incapazes de observar as coisas como elas realmente são. 

Aqui, o diretor mistura vigilância, pornografia, guerra civil e fenda espaço-temporal com três diferentes núcleos de elenco: aqueles que nunca foram dramaticamente respeitados (Dwayne Johnson, Sarah Michelle Gellar, Christopher Lambert), comediantes (Amy Poehler, Jon Lovitz e uma Janeane Garofalo abandonada no corte de Cannes) e outros tarimbados (Miranda Richardson, Wallace Shawn, Curtis Armstrong).

É uma autoindulgência que foi uma porcaria na era Bush e que segue uma porcaria na era Trump. Ou pegando carona em um diálogo da personagem da Amy Poehler: “Just because it’s loud doesn’t mean it’s funny.”


Southland Tales
Direção de Richard Kelly
Assistido em DVD (Universal Pictures)