Amar, Beber e Cantar (2014)

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Amar, Beber e Cantar | Aimer, boire et chanter

Aimer, boire et chanter, de Alain Resnais

Caso a carreira de Alain Resnais fosse dividida em blocos, poderíamos dizer que o último deles foi representado por um interesse em transpor para o cinema algo originalmente concebido para o teatro. Mesmo que ambientar uma narrativa em um tablado possa denotar um veterano com pouco fôlego em assumir formas mais amplas, não é uma escolha fácil. Uma linguagem costuma sobrepor a outra e o resultado pode se transformar em puro teatro filmado. Canto do cisne de Alain Resnais, “Amar, Beber e Cantar” é prejudicado por esta consequência.

Escrita por Alain Resnais e Laurent Herbiet, a adaptação da peça “Life of Riley”, do britânico Alan Ayckbourn, faz com o que o cineasta continue usando trucagens antiquadas. A primeira são as cartilhas de imagens coloridas de cenários para situar o espectador nos ambientes que emulam a cenografia de um espetáculo teatral. Há também as tomadas de segunda unidade em que visualizamos um carro em movimento como se fôssemos o motorista, causando a sensação de que há consequências externas para as confusões que se desenham.

Personagem jamais apresentado ao público, George Riley é acometido por uma doença que resumirá sua existência. Esta péssima notícia chega ao conhecimento de seus melhores amigos, o casal Colin (Hippolyte Girardot) e Kathryn (Sabine Azéma). A tristeza de Colin só não é muito notada porque Kathryn parece disposta a dar algumas escapulidas para cuidar de George, um de seus amores do passado, em sua mansão. Quando Jack (Michel Vuillermoz) e sua esposa Tamara (Caroline Silhol) são informados sobre o infortúnio, vem a decisão de incluir George na peça em que estão ensaiando, o que pode revigorar as energias que lhe restam.

Quando Kathryn vê que terá de disputar com Tamara as atenções de George (ela também tinha uma atração por ele), entra em cena Monica (Sandrine Kiberlain), ex-mulher dele disposta a encerrar a sua relação com o fazendeiro Simeon (André Dussollier) para rever a separação. De uma hora para outra, há uma divisão entre esses casais. De um lado, temos as mulheres literalmente brigando para (re)conquistarem o coração de George. Do outro, os maridos amargurados e revoltados com a canalhice de George.

A primeira metade de “Amar, Beber e Cantar” é acompanhada com muito esforço. Por mais habituado que seja com Alain Resnais, é difícil acreditar na veracidade das interpretações do elenco diante de cenários falsos feitos com painéis de EVA – isso sem contar o uso de chroma key para ilustrar os instantes de dissimulação das personagens. Muito melhor é o que vem a seguir, em que o tom de farsa é representado por novos componentes, como algumas ilusões que nos fazem acreditar nas situações encenadas que tem George como pivô. Também ganha credibilidade o humor, sarcástico ao ponto de desnudar a face patética de cada personagem e especial como o epílogo na vida de um cineasta que iniciou o seu ofício com obras tão densas.

Os Mercenários 3 (2014)

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Os Mercenários 3 | The Expendables 3

The Expendables 3, de Patrick Hughes

Desde “X-Men Origens: Wolverine” que um blockbuster do porte de “Os Mercenários 3″ não vazava antes do seu lançamento nos cinemas. Pior: enquanto a aventura solo do mutante interpretado por Hugh Jackman se livrou de ter um resultado ruim nas bilheterias devido a cópia com efeitos visuais inacabados, o terceiro episódio da franquia liderada por Sylvester Stallone se prejudicou com a sua versão para o cinema sendo disponibilizada involuntariamente para a Internet com quase um mês de antecedência. Em apenas 24 horas, o filme foi baixado ilegalmente por aproximadamente 200 mil internautas.

Como o previsto, o infortúnio prejudicou muito o desempenho de “Os Mercenários 3″ em sua estreia nos Estados Unidos no último fim de semana. Exibido em mais de três mil salas, a produção arrecadou um pouco mais de 16 milhões de dólares, muito pouco perto dos 34 milhões atingidos na estreia do original ou mesmo dos 28 milhões da primeira continuação. De qualquer modo, o vazamento não deve ser apontado como a única razão para o fracasso de “Os Mercenários 3″. Trata-se essencialmente de um capítulo fraco para uma história que deve chegar ao fim como uma trilogia.

As boas tiradas e o entrosamento do elenco que sustentavam os dois filmes anteriores ao ponto de compensar um roteiro insípido são qualidades que desaparecem em “Os Mercenários 3″. No fiapo de história, um dos integrantes da equipe chefiada por Barney Ross é gravemente ferido durante uma missão por Stonebanks (Mel Gibson), o vilão da vez. Barney acreditava que Stonebanks estava morto e se sabe que ambos tiveram um passado marcado por uma desavença muito séria.

Como se vê em qualquer filme de ação liderado por velhos astros do gênero, uma crise de consciência abate Barney, que acredita que os seus companheiros estão muito velhos para aguentar o tranco de eliminar Stonebanks. Vem aí o rompimento e a integração de jovens mercenários, todos apresentados em momentos mais caricatos que o outro. Lutadora de MMA, Ronda Rousey faz aqui a sua estreia no cinema como Luna, única representante da ala feminina.

Portanto, nada adianta trazer a bordo gente do calibre de Harrison Ford (a todo o momento com um jeitão de que não está curtido a brincadeira), Arnold Schwarzenegger e Antonio Banderas (falando pelos cotovelos) se na maior parte de “Os Mercenários 3″ temos uma espécie de workshop de como ser um herói de ação ministrado por Stallone e tendo como participantes figuras insossas como Kellan Lutz e Victor Ortiz. Durante as longas duas horas, a impressão de que o filme respira com a ajuda de aparelhos é inevitável. E não há nem um Chuck Norris para salvar o dia.

A Pele de Vênus (2013)

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A Pele de Vênus | La Vénus à la fourrureLa Vénus à la fourrure, de Roman Polanski

Em sua rica filmografia, Roman Polanski flertou ao menos em três ocasiões com o teatro. Extraordinário, “A Morte e a Donzela”, inspirado na peça de Ariel Dorfman, trouxe Sigourney Weaver, Ben Kingsley e Stuart Wilson confinados em uma casa enquanto reavalivam traumas de um passado perturbador. Há três anos, o cineasta escalou Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly para levar aos cinemas “Deus da Carnificina“, originalmente escrito para os palcos por Yasmina Reza. Durante 80 minutos, é promovida uma lavação de roupa suja que resulta em um dos feitos menos impressionantes do cineasta. A terceira e última ocasião vem com “A Pele de Vênus”, este um Polanski em sua melhor forma.

Escrita para o teatro por David Ives, “A Pele de Vênus” encontra sua verdadeira origem em um romance escrito pelo alemão Leopold von Sacher-Masoch em 1870, “A Vênus das Peles”. Na realidade, o texto literário e o teatral fazem uma fusão na transposição para o cinema. Os discursos da obra de Sacher-Masoch ainda são fortalecidos na encenação e o roteiro de David Ives e Roman Polanski emitem através dessa apropriação uma série de discursos sarcásticos de uma magnificência jamais vista em obras prévias do franco polonês em que o gênero era a comédia. Como anuncia o prólogo de “A Pele de Vênus”, o resultado que testemunharemos será no mínimo tempestuoso.

Diretor, roteirista e protagonista da nova versão teatral do romance de Sacher-Masoch, Thomas (Mathieu Amalric) está com um deadline apertado e ainda não encontrou aquela que irá viver Wanda von Dunayev, a personagem central que transformará seu admirador em um escravo. Após um dia de testes frustrantes, Thomas está prestes a fechar o teatro que exibirá “A Vênus das Peles” quando surge Vanda (a voluptuosa Emmanuelle Seigner), uma mulher destrambelhada que diz ter perdido o horário em que faria o seu teste.

Thomas não precisa de dois segundos para chegar à conclusão de que Vanda definitivamente não será a sua Wanda, mesmo com a coincidência entre os nomes da aspirante a atriz com a personagem. Após muitas súplicas, Thomas acaba cedendo às insistências da moça, já prevendo a perda de tempo que será observá-la. Eis que uma surpresa acontece e ele vê Wanda se materializando diante de seus olhos. Estaria tudo perfeito se durante a leitura do texto Vanda não se mostrasse astuta ao ponto de contestar algumas passagens e interpretações de “A Vênus das Peles” mantidas por Thomas, que logo entra em parafuso.

A maior graça de “A Pele de Vênus” é a desmitificação de mitos com as menções às inúmeras versões de Vênus. Seja nas pinturas de Botticelli, Ticiano e Kustodiev ou nas esculturas preservadas nos museus de Louvre e Atenas, a Deusa da Beleza e do Amor sempre foi retratada em seu esplendor. Mas resistiria suas virtudes ao tempo? É um questionamento que Polanski transfere para a reversão dos papéis do Homem e da Mulher, para a compreensão da máscara que sustentamos e a verdadeira face que ela acoberta e, especialmente, para a desnudação da arte de fazer cinema.

Magia ao Luar (2014)

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Magia ao Luar | Magin in the Moonlight

Magic in the Moonlight, de Woody Allen

Woody Allen é fascinado pelo ofício de um mágico. Em filmes como “O Escorpião de Jade”, “Scoop – O Grande Furo” ou mesmo o segmento “Édipo Arrastado” de “Contos de Nova York”, o diretor e roteirista recorreu a esses artistas da arte de encantar e enganar a plateia para desenvolver suas narrativas. Em “Magia ao Luar”, Woody Allen faz o mesmo ao registrar para o prólogo os feitos impressionantes do chinês Wei Ling Soo, um mágico capaz de dividir uma garota em dois e de fazer desaparecer um elefante.

Na sequência posterior, não temos a revelação de como fazer cada um desses truques, mas a desconstrução de Wei Ling Soo, com figurino e maquiagem removidos para dar lugar a Stanley (Colin Firth), um inglês longe de ter o mesmo carisma de seu personagem. Considerado um mágico infalível e insuperável, Stanley recebe um convite de seu amigo de longa data Howard (Simon McBurney) para desmascarar Sophie (Emma Stone), uma jovem médium que diz se comunicar com o marido falecido de Grace (Jacki Weaver) e que está prestes a se casar com o filho dela, o ingênuo Brice (Hamish Linklater).

Noivo de Olivia (Catherine McCormack, boa atriz em uma participação lamentavelmente minúscula), Stanley aceita a missão criando uma falsa identidade. No instante em que são apresentados, ele imediatamente conclui que Sophie é uma farsa. Eis que a moça mostra a que veio em uma sessão mediúnica e Stanley se vê incapaz de comprovar a existência de alguma artimanha que a denomine como uma fraude. Isso faz com que Stanley repense alguns valores que sustentou ao longo de sua trajetória ao mesmo tempo em que Sophie reconhece essa influência importante que exerceu sobre ele.

Antes usada como pretexto para apresentar piadas e situações espirituosas nas obras de Woody Allen já mencionadas, a magia tem uma presença mais essencial em seu novo filme. Como um homem que afirma que não há nada que não possa ser comprovado pela Ciência, Stanley tem o seu ceticismo abalado diante de sua proximidade com Sophie. Assim, passa a compreender a devoção que muitos têm por um lado espiritual. Como provou recentemente em “Caça aos Gangsteres”, Emma Stone é muito contemporânea para filmes de época, algo testemunhado em sua oralidade e postura, mas sua candura não a coloca em desvantagem como um contraponto a Colin Firth.

Como é constante nas histórias de Woody Allen, o acaso é um recurso fácil que continua sendo usando para que tudo possa continuar avançado e em “Magia ao Luar” este erro é representado com um acidente que atinge uma pessoa muito próxima ao protagonista. Por outro lado, Woody Allen se esquiva da tentação em dar uma resolução tão amarga quanto aquela vista ano passado em seu “Blue Jasmine“. Melhor assim, pois apesar da relutância de Stanley em abrir mão de suas convicções, é possível enxergar na banalidade da existência humana o seu encanto.

Uma Longa Viagem (2013)

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Uma Longa Viagem | The Railway Man

The Railway Man, de Jonathan Teplitzky

Na primeira sequência de “Uma Longa Viagem”, o protagonista Eric (Colin Firth) se vê em uma interação bem intensa com Patti (Nicole Kidman). Embora ambos sejam totalmente estranhos um para o outro, a química é tão pulsante que é difícil não chegarmos à conclusão de que foram feitos um para o outro. O amor à primeira vista se concretiza diante de nossos olhos e nada mais natural do que um casamento entre Eric e Patti na próxima etapa da história. No entanto, as coisas não são tão perfeitas quanto parecem e logo Patti (e a audiência) se depara com um Eric muito diferente daquele homem que se apaixonou rapidamente.

Temendo pela sanidade de Eric, Patti recorre a Finlay (Stellan Skarsgård), o único que compreende os seus tormentos mais profundos. Imediatamente, a narrativa é tomada por flashbacks que encenam a juventude de Eric e Finlay e identificamos o que o traumatiza: a vivência como um soldado convertido em um prisioneiro forçado a trabalhar na construção da ferrovia da Birmânia, também conhecida como a Ferrovia da Morte, durante a Segunda Guerra Mundial, com a finalidade era dar suporte às tropas japonesas.

Em seu quarto longa-metragem, o australiano Jonathan Teplitzky se apropria de uma história real para obter uma perspectiva distinta sobre os horrores da guerra e como suas manchas são capazes de perseguir um indivíduo mesmo em tempos de paz. Também um personagem verídico, Eric Lomax não testemunhou somente a morte de seus companheiros durante a construção da ferrovia da Birmânia, como sentiu na pele as consequências de ocultar um rádio que trazia notícias sobre o enfraquecimento da guerra, justamente o único sinal de esperança para a sobrevivência dos combatentes australianos capturados.

A força de “Uma Longa Viagem” se manifesta ao apresentar aquilo que permitirá a Eric finalmente superar os horrores do qual foi vítima: Takeshi (Hiroyuki Sanada), um intérprete que se comportou como um elemento essencial para as sessões de tortura em que Eric foi submetido inúmeras vezes. Ao descobrir que Takeshi vive como um mediador para turistas que visitam os campos de trabalho forçado na ferrovia da Birmânia, Eric vai ao seu encontro com motivações cruéis.

Há duas escolhas em “Uma Longa Viagem” que não correspondem às expectativas. A primeira é a existência do personagem de Stellan Skarsgård, presente na história para cumprir uma função que anula sua tridimensionalidade. A outra está na falta de resistência de Jonathan Teplitzky em encenar as torturas muito mais potentes quando apenas sugeridas pelo pesar presente nos olhares de Colin Firth e Jeremy Irvine, que faz Eric na fase jovem. De inquestionável, está a potência de sua resolução diante do que o cinema vem produzindo. Dentro de tantas histórias reais e ficcionais em que a vingança se converte em um mecanismo de punição, é um alívio que “Uma Longa Viagem” promova uma capacidade cada vez mais rara em episódios de impunidade: o perdão.

Os 10 Melhores Filmes de 2014 – 1º Semestre

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Muitos colegas apontaram que o primeiro semestre não recebeu grandes lançamentos ao ponto de formar um top 10 impecável. Bom, discordamos. Dentro de 92 produções conferidas, selecionamos com um pouco de dificuldade a relação a seguir, resultado de uma temporada de premiações bem superior em comparação a anos anteriores e de um circuito comercial mais variado. Algumas obras queridas, como “Gloria” e “A Voz de Uma Geração” ficaram de fora, mas deveram ser mencionadas em nossa premiação dos melhores do ano em algumas categorias. Para saber o que achamos de cada um dos filmes, basta clicar no sinal de adição. Somente o nacional “O Lobo Atrás da Porta” não recebeu uma resenha – ela deverá sair ainda esta semana, seguida de um bate-papo que registramos com o diretor Fernando Coimbra e o ator Milhem Cortaz.

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Cães Errantes | Stray Dogs

10. “Cães Errantes”, de Tsai Ming Liang +

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Ninfomaníaca Vols. 1 e 2 | Nymphomaniac Vols. 1 and 2

09. “Ninfomaníaca: Volume 1″ + & “Ninfomaníaca: Volume 2″ +, de Lars von Trier

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Philomena

08. “Philomena”, de Stephen Frears +

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Sob a Pele | Under the Skin

07. Sob a Pele, de Jonathan Glazer +

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O Lobo de Wall Street | The Wolf of Wall Street

06. “O Lobo de Wall Steet”, de Martin Scorsese +

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A Menina que Roubava Livros | The Book  Thief

05. “A Menina que Roubava Livros”, de Brian Percival +

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O Lobo Atrás da Porta

04. “O Lobo Atrás da Porta”, de Fernando Coimbra

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O Passado | Le passé

03. “O Passado”, de Asghar Farhadi +

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Uma Vida Comum | Still Life

02. “Uma Vida Comum”, de Uberto Pasolini +

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Nebraska

01. Nebraska, de Alexander Payne +

Uma Vida Comum (2013)

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Uma Vida Comum | Still Life

Still Life, de Uberto Pasolini

Nem o mais solitário dos homens morre sem deixar ao menos algum vestígio neste chamado plano material que habitamos. Há sempre as fotografias, a mobília, as cartas, os discos ou qualquer outro objeto que permita imaginar quem foi aquele indivíduo que desapareceu no abandono e que seja suficiente para localizar os parentes mais distantes e as amizades desfeitas. Juntar esse quebra-cabeça é a missão de John May (Eddie Marsan), único funcionário há 22 anos no departamento de uma repartição incumbido de dar fim aos corpos sem vida e aos pertences particulares encontrados em apartamentos e residências de Londres.

Aos 44 anos, John é um sujeito com um trabalho que se transformou em seu único sentido de vida. Não se sabe se ainda lhe restou alguns membros em sua família, pois em nenhum momento o vemos contatá-los. Amigos e pretendentes também são inexistentes. Em seu apartamento minúsculo, John repete diariamente um ritual que consiste em ingerir a mesma refeição, visualizar um álbum com fotografias dos mortos cujos enterros realizou e organizar sua coleção de CDs com músicas usadas em velórios.

Embora John desvende rapidamente a trajetória errante durante a vida desses indivíduos, ele sente na pele o efeito de alguém desaparecer sem ter ninguém para se despedir em uma cerimônia lúgubre. O fato de realizar o seu trabalho com uma delicadeza exemplar acaba trazendo uma consequência negativa. Vendo os altos custos das cerimônias, o chefe de John (papel de Andrew Buchan), um sujeito nada sensível que acredita que o melhor modo de reduzir custos é eliminando os cadáveres no crematório e espalhando as cinzas em um jardim qualquer, decide demiti-lo.

Faltando apenas três dias para ser definitivamente desligado, John encara Billy Stoke como o seu último caso. Billy era um senhor que vivia em um apartamento vizinho cercado de garrafas com rótulos de bebidas alcoólicas vazias. Na visita ao lugar, John coleta objetos suficientes para localizar a família e os amigos de Billy e avisar pessoalmente sobre a sua morte. A busca se transforma em uma missão de honra para tentar convencê-los de se despedir de Billy em um enterro que ainda será realizado. A viagem faz com que John veja em sua demissão e nas interações com pessoas que eram próximas de Billy a oportunidade de começar a fazer as coisas diferentes, por mais banais que elas sejam.

Sobrinho do mestre italiano Luchino Visconti, Uberto Pasolini comprova neste seu mais novo trabalho que a sua sensibilidade é hereditária. Conceber uma obra com uma história sobre as emoções que permeiam a vida e a morte requer um artista que tenha uma experiência muito ampla com as relações humanas e a solidão. É notável a sua capacidade de captar tantas informações diante de tão pouco. Cada fotografia ou cômodo que sua câmera observa traz a história de uma existência interrompida e a troca do luto pela rejeição deixa o seu registro ainda mais melancólico. Extraordinário, Eddie Marsan tem aqui a oportunidade de mostrar uma nova faceta como ator, desenvolvendo um protagonista de modo inverso de seu Scott de “Simplesmente Feliz“. Por trás de sua postura sistemática, há um homem com um coração iluminado.

Mais do que isso, “Uma Vida Comum” desenvolve muita sintonia com “A Partida“, drama japonês sobre um jovem que precisa trabalhar como um “preparador de cadáveres” para rituais de despedida. Assim como neste vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009, é impossível passarmos incólume por “Uma Vida Comum”. Nesta coprodução entre Inglaterra e Itália, definitivamente um dos melhores filmes do ano, a preservação da memória e o medo do esquecimento são tratados com uma singularidade dilacerante, palpável, transformando a mera ficção em algo capaz de enternecer o coração e a alma por um longo tempo.

Sem Evidências (2013)

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Sem Evidências | Devil's Knot

Devil’s Knot, de Atom Egoyan

Há quase dez anos que o roteiro de “Sem Evidências” circulava pelas mãos de cineastas e produtores americanos. Antes planejado para ser dirigido por Scott Derrickson assim que se consolidou com o sucesso comercial de “O Exorcismo de Emily Rose, “Sem Evidências” pousou no colo de Atom Egoyan, restando de Derrickson somente os créditos no roteiro também assinado por Paul Harris Boardman.

Pouco importa que o caso d’Os Três de West Memphis tivesse servido de tema para os capítulos de “Paradise Lost” ou mesmo de “West of Memphis”. Eis a dramatização de um caso real que faria Atom Egoyan revisitar temas que lhe foram muito caros em “O Doce Amanhã” e em outros títulos de sua filmografia, como a comoção de uma pequena comunidade diante de um crime, a necessidade em apontar um culpado e os segredos mais íntimos dos envolvidos, aos poucos sendo revelados.

Ambientada na West Memphis de 1993, a história registra as investigações que levaram a prisão de Damien Echols (James Hamrick), Jason Baldwin (Seth Meriwether) e Jessie Misskelley Jr (Kristopher Higgins) pelos assassinatos de Stevie Branch (Jet Jurgensmeyer), Christopher Byers (Brandon Spink) e Michael Moore (Paul Boardman Jr.), crianças encontradas amordaçadas e com várias lesões corporais próximo a um lago.

Em casamento em frangalhos com Margaret (Amy Ryan), o investigador Ron Lax (Colin Firth) decide tomar a frente da defesa dos três acusados, acreditando que não há provas que sustentem a versão do crime que todos confirmam cegamente. Além do mais, Damien, Jason e Jessie são roqueiros e curiosos à prática de rituais satânicos, fortalecendo a interpretação de Ron de que os habitantes de West Memphis, em sua maioria religiosos fervorosos, os acusam mais por seus perfis obscuros do que por alguma convicção plausível dentro de um tribunal.

Mãe de Stevie, Pam (Reese Witherspoon) encara Ron como uma presença desagradável em West Memphis, mas revê suas conclusões sobre o crime quando a razão se manifesta após o luto, o que traz tensão inclusive para o seu casamento com Terry (Alessandro Nivola). Há assim duas vertentes em uma narrativa que registra de modo quase documental um caso real do qual Atom Egoyan não compartilha da mesma resolução.

Ao contrário do que se viu em “O Doce Amanhã”, “Sem Evidências” não revela em nós aquele impulso tão natural que temos em apontar suspeitos com o falso sentimento de justiça diante de um caso de impunidade. Também não há um estudo sobre os inúmeros perfis identificáveis diante de discursos cercados de preconceito. Pelo contrário, Egoyan somente contorna os traços ao ponto de caricaturar todos os seus personagens e se livra do compromisso em sustentar sua interpretação do caso deixando várias pontas sem nó, como a identidade de um negro ensanguentado visto no banheiro de um restaurante na data do crime. Em “Sem Evidências”, Egoyan faz o seu pior filme.

Grace: A Princesa de Mônaco (2014)

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Grace: A Princesa de Mônaco | Grace of Monaco

Grace of Monaco, de Olivier Dahan

A mesmo tempo em que Grace Kelly recebeu o Oscar de Melhor Atriz por “Amar é Sofrer” em 1955, o príncipe Rainier Louis veio ao seu encontro em uma edição do Festival de Cannes. A informalidade da aproximação se transformou em uma união no ano seguinte que mudaria totalmente as prioridades de Grace Kelly. Os conflitos entre o seu marido com o presidente francês Charles de Gaulle eram intensos e a luta das gerações passadas em manter o principado independente ameaçava chegar a um fim indesejado.

Com a união de uma das maiores divas do cinema com o príncipe Rainier III, muitos afirmaram que Grace se aproximara daquilo que pode ser chamado de um conto de fadas sendo materializado na vida real. Ao contrário do que a ficção insiste, o final feliz não existe e o recorte da vida de Grace Kelly feito pelo roteirista Arash Amel para “Grace: A Princesa de Mônaco” é a comprovação dessa desilusão.

Desde que foi escolhida em “Os Outros” para viver a personagem Grace Stewart (junção do nome e sobrenome dos astros de “Janela Indiscreta”, Grace Kelly e James Stewart), ficou evidente que seria uma mera questão de tempo para que Nicole Kidman fosse a primeira escolhida para interpretar nos cinemas a musa de Alfred Hitchcock. No entanto, “Grace: A Princesa de Mônaco” não se comporta como uma cinebiografia. A Grace Kelly aqui é vista em seu momento de maior crise, este que não depende da delineação de seu passado artístico ou de seu futuro trágico no acidente automobilístico que resumiu sua existência.

O modo glorioso como Grace Kelly encerra sua participação em “Ladrão de Casaca” é também o seu último ato como intérprete. Bem, ao menos no cinema, como compreende Olivier Dahan, o diretor de “Grace: A Princiesa de Mônaco”. Tentada por Hitchcock (interpretado por Roger Ashton-Griffiths) a retomar sua carreira como a protagonista de “Marnie – Confissões de Uma Ladra”, Grace se vê presa em tempo integral no papel de princesa de Mônaco. Acertar a oferta de Hitchcock confirmaria os boatos da imprensa de que o seu casamento com Rainier III (Tim Roth) estaria em crise, bem como o seu descaso com os assuntos políticos de Mônaco.

Conselheiro de Grace, o padre Francis Tucker (Frank Langella) diz que esta é a deixa para ela exercer o papel de mãe carinhosa, de esposa devota e de mulher engajada em causas humanitárias. O papel mais desafiador do que qualquer um daqueles que representou no cinema e na tevê. O papel de sua vida. Teria Grace Kelly jogo de cintura para sustentar esta personagem para o resto de sua vida? Conseguiria preencher com convicção cada um de seus discursos? Os sacrifícios para manter sua família valeriam a pena?

Já tendo encenado de modo muito irregular a história da cantora Edith Piaf, Olivier Dahan mostra progresso como cineasta em “Grace: A Princesa de Mônaco”, mas lhe falta sutileza ao transformar este período tão tumultuado para Grace Kelly em um drama de proporções cinematográficas. A atmosfera de thriller de espionagem (supõe-se que a privacidade de Grace Kelly e Rainier III era acompanhada à distância por Charles de Gaulle) não ganham tanta ressonância diante do apego de Dahan pelos frufrus de sua mise-en-scène. Nem mesmo a presença de Paz Vega como Maria Callas confere alguma densidade ao filme.

Melhores são os instantes em que Olivier Dahan e, consequentemente, Nicole Kidman compreendem Grace Kelly incorporando o mito por trás de sua figura pública. É onde a opulência dos closes denunciam que Grace Kelly não está movida unicamente por suas emoções mais verdadeiras, como também por um script que deverá seguir para promover a harmonia entre Mônaco e França e em sua vida conjugal. É uma situação que requer que muitos sentimentos sejam forjados, mas o único que Daham permite que sua autenticidade seja questionada é a de arrependimento.

Malévola (2014)

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Malévola | Maleficent

Maleficent, de Robert Stromberg

A Disney concebeu histórias imortais através da animação. Títulos como “Branca de Neve e os Sete Anões” e “A Bela e a Fera” são conhecidos de cor e salteado, inclusive por crianças e adultos que jamais os conferiram na íntegra. Passaram-se vários anos desde as suas produções e hoje vivemos em um cenário que não comporta mais a fragilidade conferida a essas moças que antes dependiam da presença de um príncipe encantado e da promessa de amor eterno para se autoafirmarem.

Como visto em duas releituras recentes em live-action de “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”, a protagonista já não é mais a garota indefesa de outrora. É preciso vê-la liderando uma tropa e bem preparada para usar espada e escudo. O envolvimento com um cavaleiro se torna assim algo deixado para depois, pois a prioridade é enfrentar a adversidade, lutar pela própria sobrevivência.

Aurora (vivida na fase adolescente por Elle Fanning) recebe uma repaginada em “Malévola”, mas é a personagem-título, vilã célebre de “A Bela Adormecida”, que é revista de modo mais radical. Portanto, o filme de estreia de Robert Stromberg na direção também se preocupa em remodelar Malévola, encarnada com aquele gosto perverso inimitável de Angelina Jolie. Eis assim uma Malévola que representa uma dualidade em seu caráter, com boas e más intenções que recebem o aprofundamento merecido.

Antes de se corromper pela maldade do reino ligado a floresta mágica e vívida que habita, Malévola foi uma fada pura e que preservava a integridade de seu lar com perseverança. Ao se deparar na infância com Stefan (que será encarnado por Sharlto Copley na fase adulta), Malévola conhece o amor. Tudo para, na sequência, ter a convicção plena da inexistência deste sentimento ao desvendar em Stefan um homem obcecado pelo poder, o que lhe custa suas belas asas e benevolência. Compreensível que lance assim um feitiço contra Aurora, filha que o agora Rei Stefan tem com Leila (Hannah New), que a fará dormir eternamente  ao completar 16 anos contanto que alguém que a ame de verdade a desperte com um beijo.

“Malévola” tem um primeiro ato primoroso e um clímax surpreendente e oportuno para validar os valores que hoje caracterizam a mulher independente. Já o desenrolar do roteiro de Linda Woolverton (uma veterana na Disney) é muito problemático. Ao enaltecer suas protagonistas, Woolverton transforma todas as figuras masculinas em meras caricaturas, especialmente o Príncipe Phillip (Brenton Thwaites), que surge na história sem qualquer aviso prévio. Salva-se Diaval, o serviçal de Malévola vivido pelo carismático Sam Riley. Além do mais, as elipses comprometem a harmonia da interação entre personagens e o curso de algumas ações. Tivessem meia hora a mais ao seus dispor, é certo que Robert Stromberg e Linda Woolverton dariam um acabamento mais caprichado ao filme.

Patrick – O Despertar do Mal (2013)

Patrick - O Despertar do Mal | Patrick

Patrick, de Mark Hartley

Filmes americanos de terror sempre serão submetidos a refilmagens, por menor que seja o título da vez. Já a Austrália atualizar alguma obra de sua própria cinematografia é quase uma novidade. Produzido em 1978, “Patrick” foi dirigido por Richard Franklin um pouco antes de assumir “Psicose 2″. Mesmo esquecido com o tempo, a produção foi bem-sucedida em seu lançamento, o que resultou inclusive uma versão italiana feita em 1980, “Patrick vive ancora”.

Com várias assinaturas na direção de curtas-metragens e documentários, Mark Hartley faz seu debut na ficção em longa-metragem em “Patrick – O Despertar do Mal” lidando com a mesma premissa do original. O personagem-título (vivido por Jackson Gallagher) é um adolescente preso em uma clínica psiquiátrica isolada na Austrália. Embora o doutor Roget (Charles Dance) afirme que Patrick teve morte cerebral após uma tragédia envolvendo sua mãe, há alguma coisa estranha no ar.

As suspeitas são confirmadas com a chegada da enfermeira Kathy Jacquard (Sharni Vinson, a heroína de “Você é o Próximo“), cujas perguntas direcionadas a Patrick são respondidas com cusparadas. Além do mais, a mansão que serve de hospedaria para os moribundos é acometida por vários fenômenos emitidos por forças psíquicas das quais Patrick parece manipular. São muitas coisas para Kathy processar, ainda mais com a ética questionável do doutor Roget posta sempre em xeque, as intervenções de Cassidy (Rachel Griffiths), a filha amargurada dele, as crises em seu relacionamento com Ed (Damon Gameau) e uma tensão sexual que surge entre ela e Patrick.

Mark Hartley se cercou de nomes tarimbados em “Patrick – O Despertar do Mal”. Além de Charles Dance e Rachel Griffiths, dois veteranos que dispensam apresentações, a estrela em ascensão Sharni Vinson volta a comprovar sua fibra como protagonista em um filme de terror. O melhor atrativo, no entanto, é o compositor Pino Donaggio assinando a trilha sonora, outra vez notável em sua potência em provocar calafrios.

O seu erro, e ele é muito comprometedor, está na dependência de um trabalho em computação gráfica chinfrim para fazer valer o macabro, prejudicando especialmente o encaixe das peças misteriosas da história. Sim, o lado sci-fi do roteiro precisa se apropriar do recurso para materializar o dom de Patrick, mas o filme o apresenta de modo tão grosseiro ao ponto de transformar em classe Z uma releitura que tinha como potencial atingir uma classificação respeitável de filme B.

Os 10 Melhores ALS Ice Bucket Challenge com Astros de Hollywood | #IceBucketChallenge

Desde o início da semana, as redes sociais e sites de entretenimento têm recebido uma invasão de menções ao Ice Bucket Challenge, aqui no Brasil conhecido como o Desafio do Gelo. O desafio consiste em publicar vídeos em que a pessoa toma um banho de água com cubos de gelo. A brincadeira, que atingiu famosos e anônimos, é motivada por algo bem sério.

A ALS é uma fundação que precisa arrecadar fundos para dar continuidade às pesquisas referentes a Esclerose Lateral Amiotrófica (chamada por aqui pela sigla ELA), uma doença degenerativa irreversível em que a vítima se vê impossibilitada de se locomover. O Brasil também conta com uma associação e alguns famosos permitiram que o valor de arrecadação ultrapassasse a marca de 70 mil reais.

O fenômeno ganhou impulso a partir do momento em que Bill Gates e Mark Zuckerberg abraçaram a causa, o que mobilizou pessoas de vários pontos do mundo. Ao topar o desafio, a pessoa deve indicar cerca de três nomes para seguir com a corrente. Com o sucesso desta campanha que já virou meme, repercutiu na mídia vários protestos referentes ao desperdício de água e aos que viram a chance de se autopromoverem sem se comprometerem com a doação.

Politicamente corretos a parte, não há dúvidas de que há vídeos bem engraçados. Além dos inúmeras gravações disponíveis na rede de anônimos que falharam ao registrarem o banho de água fria, é divertido ver vários de nossos ídolos em uma ação descontraída.

Após algumas boas horas de risos garantidos (quando não gargalhadas), fizemos uma seleção com os 10 vídeos que mais curtimos com personalidades do cinema hollywoodiano. Para não deixar ninguém daqui de fora, preparamos um bônus com uma figura muito especial – no mau sentido, claro.

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Nicole Kidman e Jason Bateman

Desafiada pela cantora Faith Hill, Nicole Kidman aproveitou o intervalo nas filmagens de “The Family Fang” para participar do Ice Bucket Challenge. A atriz aproveitou para convidar para a “prenda” Jason Bateman, seu diretor e companheiro de cena. Jason pegou leve com Nicole, atirando a água na altura de seu pescoço. Já ela caprichou na hora de dar o troco.

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Oprah Winfrey

A apresentadora e produtora de “A 100 Passos de Um Sonho” Oprah Winfrey é reconhecida pela sua formalidade. No entanto, ela não conseguiu manter a pose na hora de levar um banho de água gelado.

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Kermit, o Sapo

Eis aí um sujeito que ninguém esperava participar do Ice Bucket Challenge: Kermit, o Sapo, o grande protagonista de “Os Muppets”.

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Patrick Stewart

Mas é claro que o eterno Professor Xavier e Capitão Jean-Luc Picard não iria perder o seu charme inglês ao topar o Ice Bucket Challenge. Além de assinar um cheque para doação ao início do vídeo, Patrick Stewart manteve a classe para se livrar do balde com água gelada.

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Ellen Barkin

Ellen Barkin protagoniza aquele que é o Ice Bucket Challenge mais bizarro. Eternamente marcada pela sua sensualidade em “Vítimas de Uma Paixão”, Ellen topa o desafio… no meio da rua. A reação dela é hilária.

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Robert Pattinson

Aos poucos tentando se livrar das marcas pouco honráveis de seu Edward Cullen, Robert Pattinson até que encarou o desafio de modo divertido. A princípio trapaceando tomando uma chuva de cubos de gelo usando um boné, o ator se torna alvo dos seus amigos com uma rajada incessante de água gelada.

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Benedict Cumberbatch

Ator em ascensão, Benedict Cumberbatch foi aquele que armou mais prendas para si mesmo. Sendo desafiado por mais de uma pessoa, Cumberbatch recebeu nada menos do que cinco banhos d’água – inclusive um estando peladão no banheiro.

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Charlie Sheen

Mas é claro que Charlie Sheen não poderia deixar de ser Charlie Sheen ao participar do ALS Ice Bucket Challenge. Ao invés da água com gelo, o ator preferiu se banhar com 10 mil dólares, valor que ele doará para a campanha.

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Jessica Chastain

Jessica Chastain não poderia perder a aura de atriz mais fofa do mundo ao topar o desafio feito por Anne Hathaway. O seu ataque de riso merece replays eternos, tamanha a meiguice.

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Emily Blunt

E o prêmio de ALS Ice Bucket Challenge mais sacana vai para John Krasinski. Casado com Emily Blunt, o ator a surpreendeu com um banho de água fria no exato momento em que ela tirava as compras do supermercado do porta-malas. Coitada!

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+ Bônus: Susana Vieira

Ao contrário dos astros de Hollywood que ajudaram a espalhar a causa para arrecadar grana parao ALS (ontem foi confirmado que a campanha atingiu a marca de 30 milhões de dólares em doações), muitos famosos do Brasil se aproveitaram do viral somente para se promoverem. E quando se fala em autopromoção, Susana Vieira é a primeira a se manifestar. Bons pesadelos!

O Homem das Multidões (2013)

O Homem das Multidões

O Homem das Multidões, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes

A vida nas grandes metrópoles se tornou sufocante. As multidões que nos cercam, os sons que nos perturbam, os meios de comunicação que nos mantêm conectados a tudo e a todos a qualquer instante. Tudo colabora para que os momentos de isolação sejam inexistentes. Mas há aqueles que conseguem viver à sombra desses eventos presentes no cotidiano de cada um de nós. É o que bem ilustra o protagonista de “O Homem das Multidões”, uma co-direção entre Cao Guimarães e Marcelo Gomes.

Livremente inspirado em um conto de Edgar Allan Poe, “O Homem das Multidões” registra a vida insípida de Juvenal (Paulo André), um sujeito que trabalha como condutor de trem. Após o expediente, se conforma em matar o tempo em seu apartamento modesto  se distraindo somente com os exercícios matinais na sacada e com a sua própria companhia. Sem vínculos com qualquer outra pessoa, Juvenal passa totalmente despercebido. Exceto quando Margô (Sílvia Lourenço, dona de uma beleza sem artifícios que hipnotiza), sua colega de trabalho, se aproxima.

Personagem com o mesma relevância que Juvenal, Margô representa um outro lado do que é a solidão em um mundo globalizado. Como deixa claro em uma de suas primeiras aparições na história, trata-se de uma mulher que substituiu as interações humanas pelas virtuais, estando noiva inclusive de um rapaz que conheceu em salas de bate-papo. Quando essas duas figuras solitárias se chocam, uma série de intenções são entendidas, mas nunca comunicadas verbalmente.

A dupla de cineastas recorre a métodos que conferem uma aura pouco usual a “O Homem das Multidões”. Causa estranheza a janela usada para filmar os personagens, como se fossem fotografias antiquadas que quase não se movimentam. Outra escolha que diz muito é a ausência de personagens secundários – somente Jean-Claude Bernardet como o pai de Margô é visto com algum peso. São os principais feitos de um filme que deixa de alçar voos mais altos ao se deixar contaminar na maior parte do tempo pela inexpressividade que abate a existência de seus personagens.