Resenha Crítica | Babel (2006)

 

Babel, de Alejandro González Iñárritu

A famosa Torre de Babel, descrita em um dos primeiros capítulos de Gênesis da Bíblia Sagrada, foi arquitetada com o intento da população não sofrer o mesmo dilúvio presenciado por Noé. Desta forma, Jesus Cristo se voltou contra os humanos que se beneficiaram da construção de Babel fazendo com que estes entrassem em desacordo com a mudança de linguagens, interrompendo a construção do enorme edifício. Com esse acontecimento histórico, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu delineou a ideia de recriar a Babel contemporânea, em um acontecimento acidental que irá interligar diversas pessoas, que por diversos motivos passam pelo problema da falta de comunicação, encerrando a sua trilogia pessoal iniciada com “Amores Brutos” e prosseguida com “21 Gramas”.

Toda a teia de intrigas é iniciada quando Susan (Cate Blanchett, indicada ao Oscar 2007 de melhor coadjuvante por “Notas Sobre Um Escândalo”) se torna vítima de um disparo de rifle. A arma está aos cuidados de Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker At El Caid), duas crianças marroquinas que estavam encarregadas de vigiar as cabras que criam para sobreviver. Depois de algumas investigações, desvendam que o rifle utilizado era de Yasujiro (Kôji Yakusho), pai de uma garota surda e muda chamada Chieko (a indicada ao Oscar de melhor coadjuvante Rinko Kikuchi, perfeita). Desesperado com o que acaba de acontecer, o marido de Susan, Richard (Brad Pitt) procura socorro enquanto pede para sua empregada doméstica Amelia (Adriana Barraza, também indicada ao Oscar) cuidar de seus dois filhos, esta desejando participar a todo custo de um casamento com seus familiares, no país do México, onde passará por enormes transtornos com Santiago (Gael García Bernal).

Esse entrelaçamento de personagens já rendeu filmes memoráveis como “Magnólia” e “Crash – No Limite”. Com “Babel” as coisas não são diferentes. Todos os personagens sofrem de algum modo com o modo que se expressão, de demonstrar os seus sentimentos ocultos e com o distanciamento ao se envolverem com povos de outros países e culturas que compõem o globo terrestre. O filme ocasionou uma grande polêmica, como as cenas de nudez com a atriz oriental Rinko Kikuchi e até mesmo um ato de masturbação feita por um menor. Não são pequenos detalhes e Iñárritu utiliza tomadas desse peso e impacto de tempos em tempos. Não se sabe se foi uma provocação armada pelo aclamado cineasta, mas felizmente o filme toca em um tema inquietante por natureza, capaz de ultrapassar preconceitos ou indignações. Parece um absurdo ver pequenas ações envolverem tantas pessoas, mas com o desfecho do filme percebemos como tantas tramas são tão comuns em nossas vidas. Um verdadeiro e triste retrato de que a falta de comunicação, de simples palavras, pode gerar diversas tragédias universais, presentes com grande frequência nas páginas de jornais e em transmissões de noticiários.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

9 Comentários em Resenha Crítica | Babel (2006)

  1. Que bom que você gostou do filme, Alex! Como já falei em outras oportunidades, “Babel” é brilhante por mostrar como pequenos atos podem se tornar tão catastróficos, tudo isso pela falta de comunicação entre os indivíduos. Achei a Adriana Barraza um pouco melhor que a Rinko Kikuchi (ambas estão bem melhores que a Jennifer Hudson…). Seu texto está perfeito, parabéns!Ah, ia ver “Número 23” no sábado mas acabei adiando pra hoje ou amanhã. Depois comento sua crítica.

  2. Gosto hoje desse filme menos que ontem, mas ainda gosto hoje mais do que gostarei amanhã, rs. Babel me impressionou num primeiro momento, e tive que repetir a dose nos cinemas porque não conseguia esquecer a história de Chieko e hoje acredito que o episódio japonês seria um filme melhor que o todo Babel. Mas o filme é bom sim, bem menos bom que 21 Gramas e Amores Cachorros, mas ainda bom. Ah, e a cena de masturbação do menino marroquino, totalmente fora de questão, soou estranhamente deslocada, assim como outras passagens.abs!

  3. Um filme soberbo e incrível. De cortar o coração e completamente deslumbrante. A história de Chieko é a melhor e a atuaçãod e Rinko Kikuchi foi também maravilhosa!Um filme do qual encontrei praticamente nenhuma falha. Único e perfeito.4/4 estrelas.ps:A cena da masturbação do garoto foi um mero detalhe para chamar a atenção da audiência e para revelar a cultura dos garotos. Crianças que só pensam em certas coisas e não tiveram o mesmo desenvolvimento que os filhos de Brad Pitt por exemplo. Se encaixou muito bem no texto sim.

  4. Eu gostei do filme – claro, gostei mais assim que terminei de assisti-lo do que gosto agora – mas é inegável que cenas como a da masturbação e a da Cate Blanchett mijando no colo do Brad Pitt, ou ainda o personagem do Gael Garcia Bernal, ficaram deslocados em relação ao conjunto da obra.abs!

  5. Vinicius, fico feliz que tenha concordado com o meu ponto de vista sobre este filme de Iñárritu, diretor que sempre detestei como pessoa e profissional (não gosto de 21 Gramas). Não sei como Jennifer Hudson estava em DreamGirls, mas a minha predileta era mesmo Rinko Kikuchi. E conferi que nossas impressões com Número 23 bateram. Depois passo no seu endereço para comentar.Abraços!

  6. Túlio, já estou acostumado a ver tantas bizarrices nos cinemas que a cena no garotinho de “Babel” nem me chocou. Digamos que não foi uma tomada gratuita, mas que não seria necessário ou importante para todo o filme se fosse limada. E você não é o único que tem a mesma opinião sobre Babel. Conheço diversos cinéfilos que não apreciaram tanto o filme quando conferiram por uma segunda vez. No meu caso, comprarei o DVD para rever muitas e muitas vezes!

  7. Wally, vejo que você gosta bastante de filmes de personagens distintos que se unem de alguma forma. Também gosto de filmes que abordam temas humanos conduzidos e criados desta forma. Também considero “Babel” uma obra única e maravilhosa.

  8. Eu gosto de Babel, mas não tanto. A direção é incrível, e se Scorsese não estivesse concorrendo, merecia o Oscar. Pena que o público o elegeu o filme que mais tinha cara de vencer Oscar, e isso acabou o prejudicando. Saiu apenas com a consolação de trilha sonora. Eu não sou muito fã das trilhas do santaolalla. As interpretações são incríveis, especialmente a de Rinko Kikuchi.NOTA: 8*** 1/2

  9. Matheus: lhe confesso que estava com uma expectativa enorme com “Babel” e suas indicações para o Oscar (tinha posto o meu braço a torcer acreditando que ele iria vencer a premiação deste ano). Gostei da trilha sonora, mas acredito que tinha outros concorrentes mais fortes nesta categoria. Pode ter adquirido apenas uma “careca”, mas sua história vai permanecer na mente de muitas pessoas.

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