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Resenha Crítica | Número 23 (2007)

The Number 23, de Joel Schumacher
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Joel Schumacher poderia vencer com todos os méritos se existisse no mundo do cinema o prêmio de diretor mais irregular na ativa. Mesmo que conte com mais de duas dezenas de filmes no currículo e tenha lá momentos muito inspirados, o veterano cineasta tem duas falhas que cicatrizaram em si definitivamente: o medo em ousar e como conduz os roteiros que seleciona. “Número 23″ apresenta essas imperfeições. Aqui temos o melhor e o pior do diretor, que, mesclados, torna o resultado insatisfatório. A história é de constante tensão e envolvimento em seu prólogo e desenvolvimento (assim como vistos em “Por Um Fio”, “Tempo de Matar” e “Tigerland”), mas descamba feio no terço final e decisivo (a falta de ir mais longe enfraqueceu “8MM” e as situações patéticas são marcas do diretor em filmes como “O Cliente” e “Um Dia de Fúria”).
Neste aqui, Jim Carrey tenta provar novamente que é capaz de ser mais que um mero comediante, o que já foi comprovado nos ótimos “O Mundo de Andy” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Ele incorpora Walter Sparrow, um simples cidadão americano que entra em paranoia quando ganha de sua esposa o livro “The Number 23″. Ao ler detalhadamente cada uma das páginas, ele acredita que Fingerling (personagem narrado no livro, também interpretado por Carrey) seja uma inspiração de sua vida no passado, tamanhas as coincidências. Ao acumular diversos fatos, cria uma obsessão doentia pelo número 23, dois algarismos unidos que podem resultar em diversas soluções, como a solução para a soma entre dia, mês e ano que foi realizado o ataque as Torres Gêmeas, o número da carteira de habilitação Walter e até mesmo o horário de seu próprio nascimento. Virginia Madsen interpreta sua esposa no presente e amante de Fingerling na encenação da narrativa literária (onde aparece sensualíssima). Já Danny Huston aparece como um professor amigo do casal , enquanto Rhona Mitra surge nos flashbacks como uma mulher que pode ser a chave do mistério.

Na promissora primeira hora é jogada teorias malucas que são capazes de deixar parte da plateia com os cabelos arrepiados. Após, há um batido suspense psicológico que confere alguns furos gritantes no roteiro e um final formal e melodramático. Poderia recorrer a diversos temas como destino, casos apocalípticos, reencarnação, numerologia, entre outros, mas infelizmente estamos falando de Schumacher, diretor que parece não ter extraído nenhuma lição com os erros do passado. A grande divulgação do filme no Brasil deve render uma boa venda de ingressos, assim como a data marqueteira de lançamento, mas boas opções de cinema de verdade e com qualidade estão sobrando no circuito.

17 Comments

  1. Museu do Cinema Museu do Cinema

    Quero muito ver esse filme, acho o Jim Carrey o mais genial e camaleonico astro de Hollywood.

  2. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Cassiano, também gosto pacas de Jim Carrey, mas o prefiro protagonizando ótimas comédias, que sempre foi o seu maior forte, mesmo que seja capaz de interpretar com maestria personagens que exigem dramaticidade.

  3. Túlio Moreira Túlio Moreira

    Alex, às vezes o problema de Schumacher é justamente inovar demais (Batman & Robin, rs). Tenho um caso de amor e ódio com esse cineasta. A maioria de seus filmes me agrada, mas não a ponto de eu tê-lo como uma referência no cinema, tampouco a ponto de querer escrever sobre filmes como Tempo de Matar e Por um Fio – não quero escrever sobre eles, mas me agrada vê-los. Esse 23 vou ver numa boa com a galera da faculdade, já que é programa para coletividades e não inspira silêncio nem concentração para ser entendido, imagino.abs!abs!

  4. Wally Wally

    Estou querendo vê-lo, mesmo sabendo que será ou razoável ou extremamente decepcionante. O problema é que investi demais nesse filme depois que vi o trailer. Se for ruim como todos dizem vai ser uma grande decepção.

  5. Museu do Cinema Museu do Cinema

    Carrey é um ator especial Alex, também gosto de suas comédias, principalmente O Mascara e O Pentelho (que título!?), mas suas principais atuações foram mesmo em O Mundo de Andy e O Show de Truman, que por sinal não deixam de ser “comédias”… Acho que em 23 ele tá mais sério, algo do tipo de Eternal Sunshine…

  6. Gustavo² Gustavo²

    Concordo, Alex. Schumacher é mesmo irregular, e talvez o peso pelo fracasso retumbante de crítica de BATMAN & ROBIN faça algumas pessoas darem mais atenção aos seus fiascos do que aos seus acertos. Já Jim Carrey é um ator que não faz questão de se prender só ao tipo de papel que o fez famoso. Ele arrisca, mas nem sempre há um Peter Weir ou um Milos Forman para guiar o resto do filme – caso do NÚMERO 23.

  7. Vinícius P. Vinícius P.

    O Joel Schumacher é um péssimo diretor, são raros os filmes de sua filmografia que me agradam (eu gostei de “Um Dia de Fúria”…). O Jim Carrey não deveria ter aceito esse papel. Ele é um ótimo ator (como já provou em “Brilho Eterno…”), mas devia ter prestado mais atenção no roteiro antes de topar protagonizar esse suspense mediano (cujo final é meio decepcionante). Enfim, não é tão ruim, mas como você disse há melhores opções em cartaz.

  8. Otavio Almeida Otavio Almeida

    Cara, já coloquei o link certo lá no blog para o CINE RESENHAS! Tá bem legal o seu blog.Vc deve ter visto que detestei NÚMERO 23, não? Ô coisinha feia que ainda corre com a explicação no final… Deus Todo Poderoso… Ah! TODO PODEROSO, por exemplo… Jim Carrey é ótimo em filmes assim… mas tb se sai muito bem em dramas como O MUNDO DE ANDY e O SHOW DE TRUMAN… gosto tb de CINE MAJESTIC. O principal erro de NÚMERO 23 é Joel Schumacher. Carrey é amigo do cara – eles fizeram BATMAN FOREVER… enfim… ele provou a amizade com o diretor e já chega, né? Deixa o Jim Carrey seguir em frente, Joel Schumacher! []s

  9. Roberto Queiroz Roberto Queiroz

    A melor coisa de Número 23 é Jim Carrey (o que prova o talento desse ator que, para mim, é muito mais do que o comediante de Ace Ventura e O Máskara). Uma pena que Joel Schumacher tenha ficado tão obcecado pelo número (mais até do que o personagem de Carrey) e entregou o final de bandeja para o espectador. Ele não consegue manter o clima de surpresa.(http://claque-te.blogspot.com): À Procura da Felicidade, de Gabriele Muccino.

  10. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Túlio, veja sim Número 23. Apesar de não ter gostado do resultado, é sempre recomendável discutir com todos os respectivos pontos de vista. E confesso que também não gosto muito de escrever sobre Schumacher, diretor que só entregou apenas uma obra-prima nota dez (O Custo da Coragem).

  11. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Wally, os trailers hoje em dia estão decepcionando mais do que nunca. O trailer de Número 23 realmente é muito bom, mas não passa de uma enganação, diga-se de passagem. De qualquer forma, tente dar uma espiada, talvez se surpreenda.

  12. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Cassiano, realmente O Mundo de Andy e O Show de Truman possui as suas partes bem humoradas, mesmo sendo dramas assumidos. A expectativa de ver Jim Carrey em um filme de suspense eram grandes, mas sua atuação fica muito afetada no terço final, graças as irregularidades da história e direção.

  13. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Gustavo, também acredito que a popularidade de Schumacher estão direcionados aos tropeços do que aos acertos. Odeio esse tipo de injustiça, só que temos de observar de que Schumacher erra de três a cada quatro filmes que realizou.

  14. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Vinícius, acho Um Dia de Fúria o filme mais superestimado de todos os tempos. Além das patéticas situações que rondam todo o filme, o desfecho é um dos piores já concebidos pr Schumacher, mas respeito o seu conceito, claro!E concordo plenamente com você, se bem que Jim Carrey poderia exigir um final melhor…

  15. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Otavio, isso mesmo!Ótimo lembrar de Batman Eternamente, onde o diretor concebe ao ator o vilão mais irritante de todos os Batmans já criados. E mesmo estou ciente de toda capacidade dramática de Carrey, prefiro vê-lo em filmes como Ace Ventura, O Mentiroso, Todo Poderoso, entre outros. Que bom que curtiu o visual do Blog, e obrigado por relacionar o Resenhas no Hollywoodiano.

  16. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Roberto, com toda certeza existe toda a obsessão acerca d número. O roteirista deve ter ficado louco igual ao personagem de Carrey, pois deve ter passado anos escrevendo diversas possibilidades para a formação do número 23.

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