Resenha Crítica | Apocalypto (2006)

Apocalypto, de Mel Gibson

Cineasta audacioso, Mel Gibson novamente se posiciona atrás das câmeras para orquestrar outro de seus filmes polêmicos. Longe do escândalo causado por “A Paixão de Cristo”, “Apocalypto” despertou interesse pela falta de materiais de divulgação, as filmagens reclusas, da própria história em questão e a soma das atitudes e comentários desenfreados do próprio Gibson do lado de cá das telas. Distante de “A Paixão de Cristo” por não caracterizar com mesmo impacto o calvário de Jesus Cristo, trata-se ainda assim de uma aventura épica repleta de força, diversão e brutalidade fora dos padrões americanos.

Falado em dialeto maia (que não compromete o compreendimento graças a legenda e a invasão da ação), a trama gira em torno de uma tribo indígena que é surpreendida por grande império que os submete à força a uma longa jornada. Chegando ao templo dos governantes, são sacrificados. Jaguar Paw (Rudy Youngblood) é o personagem central de toda a aventura, na qual confirmará a vinda de “um novo começo” (significado do nome que dá título ao filme).

É importante destacar todo o elenco composto por nenhum nome conhecido, todos bons em seus respectivos papéis, especialmente o protagonista Youngblood. Com a impressionante maquiagem, os belos cenários e toda a tensão pregada, Gibson só falha na emoção e bravura. Acompanhamos a busca de Jaguar Paw em rever a mulher grávida e o filho pequeno “protegidos” dentro de uma caverna sem a mesma densidade do, por exemplo, épico “Coração Valente” – que rende uma sequência no clímax demasiadamente improvável. Ainda assim, pode ser apreciado tanto pela história como divertido passatempo com algo a mais. Mas é recomendável que a plateia mais sensível tape os olhos nas decapitações, torturas e outras artimanhas tão recorrentes nos filmes do ator e cineasta.

Data:
Filme:
Apocalypto
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

18 Comentários em Resenha Crítica | Apocalypto (2006)

  1. Única coisa que me incomodou de verdade nesse filme foi a metáfora de sociedade americana dentro de uma proposta épico-histórica. E não estou falando de referências a Bush nem nada parecido, mas sim de algumas situações em que os maias pareciam saídos do seriado Eu, a Patroa e as Crianças…De resto, boa diversão!abs e boa semana!

  2. Eu tenho total aversão a Mel Gibson e confesso que não vou ver esse filme por detestar o diretor. Mas vc escreve bem hein? ;-)

  3. A gente pode não concordar com as crenças dele, mas eu acho que, dentro do cinema atual, a gente tem que valorizar o nome de Mel Gibson. Um cara que faz os fimes que quer e da maneira que ele deseja.”Apocalypto” é um filme deveras violento e chato. Acho que o filme se perde muito naquela trama intermediária que coloca Jaguar Paw e os outros homens da comunidade como objetos de uma política violenta de pão e circo. Gosto muito mais da trama quando ela se propõe a seguir a jornada de Jaguar de volta para casa.

  4. Apesar das muitas críticas, eu achei interessante um diretor como Gibson (vindo da indústria americana) se interessar por um tema dessas e voltar suas lentes para a região maia. Espero que outros diretores chamem o ator que fez o papel de Jaguar Paw para outros filmes (o rapaz é soberbo!). A fotografia e a direção de arte garantem o ingresso. Melhor visto no cinema – em tela grande a sensação é outra! -, mas dá pra curtir em DVD também.(http://claque-te.blogspot.com): O Ilusionista, de Neil Burger.

  5. Achei um filme divertido, e só. Mas surpreende pelo fato de ser dirigido pelo Mel Gibson que até então só havia feito porcaria…

  6. Gostei bastante do filme, Alex. Sempre achei o Mel Gibson melhor diretor do que ator (aliás, nunca me convenceu) e “Apocalypto” reflete isso. Estranhei o pouco sucesso que o filme fez, até mesmo internacionalmente – mas o relativo fracasso em comparação à “Paixão de Cristo” até que era esperado, afinal o público americano não costuma ir aos cinemas ver fitas em outras línguas. Pode não ter nenhum grande roteiro e tudo mais, porém é inegável que seja um ótimo filme de ação.Abraço!

  7. Túlio, pelo visto você detestou o filme mesmo é por completo. Li seu comentário coincidentemente quando visitava o perfil do filme no Adoro Cinema, rs, rs, rs…Acredito que Mel Gibson tinha tal pretensão, mas encaro a produção como simples aventura repleta de diversão.

  8. Anderson, já que detesta todo o trabalho de Gibson, é recomendável que passe longe da fita, mesmo que eu tente convence-lo do contrário. Entretanto, todas as assinaturas do cineasta e ator estão no filme. Há, obrigado pelo elogio, mas acredito que tenho que analisar muito algum filme em questão para escrever uma boa resenha.

  9. Kamila, acredito que apreciamos qualidades em oposto do filme. Enquanto fiquei vibrado com toda a ação entre nações e credos, fiquei desapontado pelo esforço do personagem principal em rever sua mulher e filho. Concordo com você sobre o Mel Gibson diretor. Este “Apocalypto” é apenas seu quarto filme atrás das câmeras, e espero que ele esteja disposto a realizar mais trabalhos neste cargo.

  10. Roberto, você mencionou um ponto interessante, da relação de Gibson trabalhar com linguagens pouco visitadas pelo cinema. Isto já acrescente mais virtude a sua obra. Filme ideal para ser visto na tela grande, mas deve se adaptar as dimensões da TV de nossas salas…

  11. Ronald, não sei ao certo de Gibson só fez porcarias. Adoro “Coração Valente” (um dos melhores épicos concebidos nos últimos tempos) e muito gosto muito pouco de “A Paixão de Cristo” (o filme confere uma leitura convencional do calvário de Jesus Cristo, exceto ao ousar na violência gritante). Ainda me resta “O Homem Sem Face”…

  12. Otavio, o filme é bem legal, mas requer mais vigor para uma aventura memorável. Ainda assim, vai ser difícil eu esquecer a emoção.

  13. Vinícius, que bom ter curtido “Apocalypto”. Também não sou nenhum pouco fã de Gibson, mas até que está sobressaindo-se como diretor. Ele é um ator que possibilita poucas expressões, o que não entrega carisma aos seus personagens de filmes como o da trilogia “Mad Max” ou “O Troco”.

  14. Filme incrível (sim!) e soberbo (nem tanto…), cru (com toda a certeza!)e único (não!), um drama (sim²!), uma aventura (sim³!) e cheia de emoção e tensão (verdade!).

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