Resenha Crítica | O Hospedeiro (2006)

Gwoemul, de Bong Joon-Ho

Já no primeiro instante da produção coreana “O Hospedeiro”, estamos cientes do que se formou a bagre gigante que apavora todos os personagens do filme. Trata-se de uma irregularidade vinda do território americano, onde foi descartado pelo ralo produtos altamente tóxicos. O conteúdo circula rios afora até se espalhar nas margens de Seul, capital da Coreia do Sul.

Com o passar dos meses, o foco muda quando somos apresentados à família que nos conduzirá até o final. Hie-bong Park (Hie-bong Byeon) é um senhor que mora num minúsculo trailer com seu desleixado filho Gang-Du (Kang-ho Song), que tem uma pequena filha chamada Hyun-seo (Ah-sung Ko). Há ainda mais dois membros da família que são irmãos de Gang-Du: Nam-Joo (Du-na Bae), esportista olímpica de arco e flecha, e Nam-il (Hae-il Park).

Diretor do famoso filme baseado em fatos “Memórias de Um Assassino”, Bong Joon-Ho consegue entrelaçar com muito talento os diferentes temas que se propôs a contar. Existe, primeiramente, uma habilidosa alfinetada ao império americano, como autor da desgraça que aflige a família Park e todas as pessoas que vivem ao seu redor. Há também humor quando nos envolvemos com o cotidiano dessa família peculiar, onde as trapalhadas de Gang-Du nos faz dar boas gargalhadas.

Com tensão, sustos e política, “O Hospedeiro” para de engrenar repentinamente. É quando o mostrengo captura Hyun-seo, aprisionando-a num cativeiro repleto de outras pessoas, “O Hospedeiro” perde as rédeas e se desenvolve andando em círculos. É possível que muitos consigam encontrar genialidade na história, mas a indecisão de que ritmo seguir, se é com descontração ou com mais seriedade, resulta num final (e experiência) um tanto frívolo.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

24 Comentários em Resenha Crítica | O Hospedeiro (2006)

  1. É o segundo comentário que leio sobre esse filme que diz que ele entra num “marasmo” depois da cena do cativeiro.Não sei, mas não tive interesse em assistir.

  2. Foi a primeira resenha negativa q li desse filme. mas mesmo assim aumentou o interesse….Abraçoswww.rosebudeotreno.com

  3. Achei esse filme brilhante de incio ao fim, o clima pesado, o senso de humor divertido, as boas performances, o roteiro genial e a direção focada. Todos méritos maravilhosos. Não concordo sobre a falta de ritmo do filme após aquele momento, na verdade, acho que o filme sempre se levou a sério e o humor negro é somente para aliviar certos momentos pesadíssimos. Enfim, adorei o resultado.**** [9,0]

  4. Cassiano, independente de quem você leu esta afirmação, o autor dela está correto. É uma pena que, de início excelente, o resultado ficou bem fraco. Eu não gostei e dúvido que você possa apreciar, já que mal tem algum interesse na fita.

  5. Anderson, é bom que o seu interesse pelo filme tenha aumentado, pois não gosto de convencer os outros em não assistir algo que eles possam gostar. Mas é como um bom crítico de cinema um dia escreveu sobre o filme: “O Hospedeiro lembra um disco quebrado”.Excelente semana.

  6. Wally, temos que admitir que existe uma mudança de ritmo sim, e ele acontece a partir do instante que a Hyun-seo é capturada pela bagre gigante. De qualquer forma, você faz parte da maioria que gostou do filme, e hoje não estou afim de ser apedrejado, rs, rs, rs…

  7. acho que o único que conheço que não gostou do filme foi você … mas tudo bem … para mim é de longe o melhor filme do ano sem duvida … e só a atuação de Kang-ho Song é digna de 5 estrelas … é uma pena …mas uma coisa sei … não errei uma esse ano … tó impussivis … eheeheheabraços

  8. Nossa, nem conhecia o filme. Aí pensei que não iria querer conhecê-lo depois da sua resenha. Então li os comentários e agora estou ponderando a possibilidade de assisti-lo.Legal seu blog! Tem um visual bem clean e é muito bem escrito. Estou adicionando na lista de blogs do meu.

  9. Puxa, eu A-M-E-I esse filme, sem dúvida um dos melhores que vi nesse ano. Considero até uma obra-prima do cinema oriental, melhor que 90% dos filmes americanos.Até mais!

  10. Acho que essa cara de cinemão norte-americano (com saudosos momentos trash) faz um contraste muito proveitoso com a cultura oriental. Concordo com você que a história se perde um pouco, mas pra mim ela perde o rumo mais perto do final. Ainda assim o filme é de uma qualidade espantosa, tem um quê de irônia sobre a atual situação dos Estados Unidos e consegue se manter atraente mesmo no final. Gostei do filme ^^

  11. Fala, Alex! :)Confesso que esse é o primeiro comentário desfavorável a essa produção pelo qual os críticos se babaram todos – deve ter sido pelo teor crítico inculcado no roteiro. Não vi, talvez dê uma alugada em DVD. Cumps.

  12. Creio que não foi somente eu que detestou o filme, JP. O pessoal que embarcou comigo na pré-estréia da produção parece ter detestado, vendo os comentários negativos durante e após a sessão.

  13. Ramon, tudo bem? Achei estranho o fato de você não ter conhecimento anteriormente sobre a existência do filme, já que ele ficou muito popular por aqui e lá fora. Talvez você deva gostar, mas eu não recomendo. Até a próxima.

  14. Pois é, Alex, a minha máxima é a justificativa desse meu desconhecimento injustificável:”Tanto filme e tão pouco tempo”Abraço!

  15. Kamila, gosto muito do cinema de horror oriental, mas este filme me foi muito decepcionante. Acredito na possibilidade de que você talvez não deva gostar do resultado.

  16. Nossa, você adorou mesmo o filme hein, Vinícius…Novamente eu digo que detestei, mas com toda a certeza existe produtos americanos piores que este.

  17. Luciano, gostei da maneira como você avaliou o filme, mas para mim o ritmo de “O Hospedeiro” despencou muito, muito antes do final.

  18. Saudações, Gustavo. Creio sim na possibilidade de favorecimento através do conteúdo e crítica política que o cineasta Bong Joon-Ho colocou na sua obra. Mas já vi filmes que recorre a esta abordagem que conseguem ser infinitamente melhor do que este “O Hospedeiro”.

  19. Nossa Kamila! Nenhum sequer?Eu gosto bastante dos filmes deste gênero e o meu predileto é “Medo”, que recomendo caso não o tenha visto…

  20. Muita gente tem falado estremamente bem desse filme e não vejo motivo para tanto. Na verdade, é um ótimo filme, mas só. Pelo menos traz um sopro de renovação ao gênero de filmes de monstro com a habitual habilidade do Park Chan-wook de conduzir a trama de modo peculiar, estiloso e às vezes engraçado. A sequência do primeiro ataque do monstro é sensacional. Mas no fim é bom, e só!

  21. Rafael, também acho que ocorre prestígio um tanto desnecessário. E o desfecho não é a altura dos excelentes instantes iniciais do filme.

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  1. Padre « Cine Resenhas
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