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Resenha Crítica | Ela é a Poderosa (2007)

Georgia Rule, de Garry Marshall

O clima nos bastidores de “Ela É a Poderosa” não foi nada ameno, especialmente se tratando de um projeto que se propôs a ser uma comédia. Não se trata da forma equivocada com o qual a produção chegou aos cinemas, e sim pela “estrelinha” rebelde Lindsay Lohan. Pois sim, a então promissora intérprete de filmes divertidos como “Sexta-feira Muito Louca” e o remake de “Operação Cúpido” caiu nas armadilhas fáceis de uma estrela teen: multas de trânsito, porte de drogas e até mesmo possível tentativa de suicídio.

Com tantos escândalos garantindo bom material para a imprensa, a veterana Jane Fonda fica até ofuscada em seu novo retorno – dois são os anos que a afastam de “A Sogra”. Rachel, por sinal, é a personagem que cai como uma luva à Lohan. Audaz e desequilibrada, ela é o pivô de todas as intrigas que conduzem a história. Azar da atriz, que fez desse “Ela é a Poderosa” e do suspense juvenil “Eu Sei Quem Me Matou” fracassos, talvez por sua reputação negativa diante visão crítica do público.

Mudando o foco para o filme – menos previsível do que a decadência da atriz -, Rachel (Lohan) é a filha problema de Lilly (Felicity Huffman, do fenomenal “Transamérica”), que, por sua vez, é alcoólatra e filha da rigorosa Georgia (Fonda), a poderosa do título em português e a dona das regras do nome original em inglês. Tentando entrar nos eixos, a mais jovem do trio feminino se arrisca a viver seu cotidiano com as regras impostas pela avó. Nada de blasfemar o nome de Deus, nada de péssimos modos na mesa e, claro, encontrar um emprego às pressas.

É assim que ela conhece Simon (Dermot Mulroney) , veterinário viúvo que servirá tanto como um consolo paternal quanto como um paquera. Mas é com o comprometido Harlan (o péssimo Garrett Hedlund, de “Quatro Irmãos”) com quem ela deseja flertar. Se não bastasse, ares mais duvidosos a respeito da conduta de Rachel são questionados quando acusa seu recente padrasto Arnold (Cary Elwes, de “Jogos Mortais”) de ser o responsável de constantes abusos sexuais.

Dúvidas da plateia: será que Rachel está mentido sobre tudo? Arnold é um canalha ou boa praça? Harlan vai ficar com Rachel? Ao invés de dar charme a narrativa, tais questões não se sobressaem, acabam prejudicando o laço feminino de gerações diferentes que então garantiam personalidade ao trabalho do diretor Garry Marshall. Pena que o cineasta experiente no campo de humor e em romances delicados não nos entrega personagens interessantes. São apenas pessoas pelas quais só retribuímos com desprezo e indignação. No saldo final, é a embriagada Lilly que triunfa ao impasse, pois somente de porre para tolerar a locomoção desse trilho rondado por segredos e mentiras.

12 Comments

  1. Kamila Kamila

    Este filme é um equívoco que se salva pelo trio Jane Fonda, Lindsay Lohan e Felicity Huffman.O tempo todo, enquanto eu assistia “Ela é Poderosa”, só ficava pensando o que teria acontecido com a Lindsay se ela tivesse as “regras de Georgia” na vida dela. Ou alguém que impusesse limites.Mas, ainda bem que, agora, parece que ela deu jeito na vida dela.Bom final de semana!

  2. Gustavo H.R. Gustavo H.R.

    Sinceramente, o filme aparenta ser uma mixórdia. Fiquei assombrado ao ler o resumo da história que você escreveu, Alex, pois o material de divulgação dava a entender algo diferente. Uma pena que tanto Fonda quanto Huffman tenham perdido tempo com esse projeto – enquanto isso, é ficar na expectativa e verquanto tempo Lohan sobrevive (não só profissionalmente) com tamanhos exageros.

  3. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Kamila, a Lindsay era uma das minhas jovens atrizes prediletas, mas veio os equívocos na carreira e na vida pessoal. Assim, Amanda Bynes se tornou a minha nova predileta. Eu duvido que Lohan tenha se livrado de tantos problemas que foi capaz de ocasionar com o tamanho do seu ego inflado, mas nunca é tarde para se reerguer. Os meus elogios só se ressumem mesmo a Huffman e Fonda. Também gosto do ator Dermot Mulroney, mas ele está bem deslocado nesta produção, talvez pela falta de densidade de seu personagem melancólico.

  4. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Gustavo, creio que todos os cinéfilos que foram ver o filme estavam convictos de uma proposta totalmente diferente e mais leve. Além de temas já mencionados como pedofilia, “Ela é a Poderosa” se desenvolve bastante com todas as intrigas familiares entre as personagens. Infelizmente tudo é tocado na base da irregularidade.

  5. Kamila Kamila

    Alex, eu gosto muito da Lindsay. Das jovens atrizes, ela é a que eu mais gosto. Ela é muito talentosa e é uma pena vê-la desperdiçando o talento e a vida. Espero mesmo que ela tenha se recuperado.O Dermot Mulroney não tem dado sorte em seus últimos projetos, que tem sido bem questionáveis.

  6. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Kamila, Dermot Mulroney estava melhor mesmo na década passada, quando participou de excelentes filmes como “Colha de Retalhos” e “O Casamento do Meu Melhor Amigo”. Considero seus últimos excelentes desempenhos em As confissões de Schmidt (o melhor de toda a sua carreira) e em “Encontros do Destino”. Mas depois veio “Contra Corrente” e a coisa desandou. Vamos ver como ele prossegue, pois creio que sua participação em “Zodíaco” deve ser mínima.

  7. Vinícius P. Vinícius P.

    Até gosto da Lindsay, mas sem dúvida esse filme foi um dos maiores erros em sua carreira. O único acerto aqui é comparar a personagem com a vida real da atriz – que eu diria ser bem pior. E não gostei muito da personagem da Felicity Huffman, achei meio deslocada…Cotação: **

  8. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Vinícius, o problema de Lilly é que o roteiro só se concentra em desenvolver uma personagem fragilizada, sem um pingo de determinação. Mas como o porre pode ser uma boa saída para ver o filme…

  9. Wally - Cine Vita Wally - Cine Vita

    Um filme bem fraquinho e equívocado, onde nem as atrizes funcionam e Marshall se perde completamente com o óbvio e mediocre roteiro. É Garry quem salva muitos momentos da desgraça.** [5,0]

  10. Kamila Kamila

    Alex, a participação do Mulroney é muito pequena mesmo em “Zodíaco”.

  11. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Wally, acho que o cineasta estava meio perdido ao rodar o filme devido alguns transtornos de atraso. Eu prefiro muito mais quando ele roda temas batidos, mas de forma bem eficiente, como visto no clássico “Uma Linda Mulher” e “O Diário da Princesa”.

  12. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Kamila, já esperava por isto, pois “Zodíaco” deve ser um suspense que reúne muitos personagens. Falando no filme, preciso vê-lo às pressas.

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