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Resenha Crítica | Instinto Secreto (2007)

Dado pela crítica especializada como filme irregular pelo excesso de linhas narrativas, “Instinto Secreto” é um longa a ser descoberto. Não há grandes espetáculos, mas merece credibilidade pelo modo original e engenhoso que a trama foi construída, provando que os dezesseis anos que não dirige desde sua estréia com “Kuffs – Um Tira Por Acaso” (estrelado por Christian Slater) fizeram muito bem para Bruce A. Evans, que rendeu mais frutos nos cinemas cuidado da produção de alguns filmes populares. Também responsável pelo roteiro, Evans nos apresenta o pacato Earl Brooks (Kevin Costner, também produtor), tão brilhante para ganhar o prêmio do homem do ano por uma instituição quanto para se transformar no famoso Assassino da Impressão Digital, um serial killer que volta à ativa depois de dois anos. Acontece que Brooks é impulsionado pelo seu alter-ego Marshall (William Hurt) – e aí está presente um dos grandes ápices da obra – a matar um casal. Entretanto, ocorre um deslize neste crime calculado: a janela localizada no quarto onde aconteceu o crime não estava com suas cortinas fechadas. Isso faz com que Brooks seja chantageado no dia seguinte pelo fotógrafo Smith (Dane Cook), que tem imagens do momento.
Por sua vez, Smith promete lealdade ao serial killer com uma condição, que é de presenciar como ele elabora os seus assassinatos, só que Brooks não quer continuar com o ofício secreto. Paralelamente, a milionária detetive Tracy Atwood (Demi Moore, um arraso) está às voltas com o divórcio que está enfrentando, que terá de pagar um preço bem alto para a separação legal. Mas também é a pessoa que entra em perigo quando um dos bandidos que prendeu ganha liberdade, além de estudar todos os detalhes dos crimes de Brooks para tentar encontrá-lo. Se não bastasse, Jane Brooks (Danielle Panabaker), filha de Brooks, parece ter herdado os mesmos instintos do pai, já que é a principal suspeita de um crime da universidade que acabou de abandonar. Jane também está interessada em ter um cargo importante na empresa onde seu pai é dono e, em seguida, assume estar grávida.
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É verdade que há um excesso na história, e pode acreditar que vem mais pela frente. Mas “Instinto Secreto” consegue com eficiência unir todas as linhas soltas nos momentos finais, que traz boas surpresas. Além disso, Bruce A. Evans e Raynold Gideon (outra mente por trás do argumento) entregam boas sacadas quando incrementam na ação referências explícitas de Hannibal Lecter e Clarice Starling quando reservam espaço entre a química às distâncias de Earl Brooks e Tracy Atwood. Enquanto a detetive se dedica a caçada do assassino, ele cria interesses por ela e por suas motivações, pois qual será o fato que faz uma milionária em colocar sua vida em risco? Fiquem atentos, também, quando Tracy entra em contato com a cena do crime, semelhante com um momento memorável do “Dragão Vermelho” de Michael Mann. Com estes amplos pontos positivos, Instinto Secreto é um dos entretenimentos mais aproveitáveis do ano no gênero, mostrando que crimes no cinema tem seu lado irônico e divertido, por mais bizarro que isto possa soar.
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Título Original: Mr. Brooks
Ano de Produção: 2007
Direção: Bruce A. Evans
Elenco: Kevin Costner, Demi Moore, Dane Cook, William Hurt, Marg Helgenberger e Danielle Panabaker.
Nota: 7.5

15 Comments

  1. Wiliam Domingos Wiliam Domingos

    O trailer deste filme é péssimo…horrível mesmo, vi no cinema e cansei! Não gostei da atmosfera do filme…pelo que deu pra perceber!Mas sua crítica ficou bacana…acho que vale uma vista!abraço (Mr. Mestre Pedro Almodóvar no Eco Social)

  2. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Poxa, William. O trailer é ótimo, assim como o filme.Não sei ao certo se deve ser o seu tipo de filme, mas recomendo sem receio algum.

  3. Vinícius P. Vinícius P.

    Até que não achei esse filme muito ruim. Quer dizer, não saí chateado do cinema como geralmente ocorre quando não gosto do final. A trama tem seus pontos interessantes e é sempre bom ver a Demi Moore e o Kevin Costner na melhor forma, mas é um filme que não diz a que veio para o espectador. Não gostei muito do William Hurt, achei sua caracterização por demais exagerada…

  4. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Vinícius, “Instinto Secreto” nada mais é do que um suspense feito para entreter de forma original. Não acredito na possibilidade de que Bruce A. Evans teve outra pretensão ao realizar o filme – ainda que possa abrir espaço sobre o estado psicológico do Brooks. E poucas vezes se vê um assassino que faça o seu publico torcer para que não morra antes dos créditos finais. E William Hurt está tão hilário quanto medonho.

  5. Wally - Cine Vita Wally - Cine Vita

    Um guilty pleasure como poucos, juro que fiquei um pouco irritado com certos momentos, mas adorei a dupla costner-hurt, além de demi moore claro, me diverti bastante, mesmo que tenha vários momentos que soam, digamos, superficiais. O clímax é incrível.*** [6,0]

  6. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Demi Moore está mesmo adorável. Só espero que ela não tire mais férias prolongadas, como fez após “Até o Limite da Honra”, “Paixões Paralelas” e “As Panteras – Detonando”.

  7. paulo jr. paulo jr.

    Achei muito interessante o argumento, até porque não se fica estudando o psicológico do assassino, ele é assim e pronto. As diversas narrativas são interessantes mas, Demi Moore não me convence de maneira alguma (a não ser pela sua beleza).

  8. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Paulo, fiquei atento aos trabalhos de Demi Moore desde a infância, a partir do badalado “Ghost – Do Outro Lado da Vida”. Muitos sempre decretaram que Demi sempre teve uma carga dramática limitada para interpretar, mas acredito o contrário. Ela é tão talentosa ao enfrentar personagens mais delicadas quanto as mais destemidas, como no caso deste “Instinto Secreto”. Ao menos foi o que sempre notei, o que não é fato para o restante.E o filme também acerta ao não tentar compreender as origens de Brooks, como ele se tornou essa pessoa calculista.

  9. Kamila Kamila

    Alex, acho que o ponto mais alto de “Instinto Secreto” é o relacionamento que se estabelece entre Brooks, Smith e o personagem do William Hurt.No mais, acho que o filme se perde muito com aquela trama paralela com a personagem da Demi Moore.

  10. Bruno Bruno

    Achei este filme bacana, não é espetacular nem nada, mas como filme de gênero é bom. E sem dúvidas o ponto forte do filme é a relação entre o personagem do Kevin Costner e do seu “outro eu” interpretado pelo William Hurt. Agora quanto a atuação da Demi Moore, achei bem mediana, culpa em parte da sua personagem, que é um tanto quanto canastrona… aí fica difícil pra qualquer atriz quando pega um papel desses. Um abraço!

  11. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Kamila, é o ponto mais alto do filme. Mas também gostei muito da personagem de Moore e as suas histórias mostradas no decorrer do filme, que se une com os momentos finais.

  12. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Bruno, continuo repetindo que achei Demi Moore um arraso. Não à toa, muitos a consideraram o melhor que há em todo o filme. Mas ainda bem que você aprovou o filme, pois muitos detestaram…

  13. Ramon Scheidemantel Ramon Scheidemantel

    Gostei da resenha, até agora meio receoso em assisti-lo. Talvez valha a pena.Boa dica, ótimo texto!

  14. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Ramon, vale, sim, ser visto!Sem dizer que não vale nada arriscar uma locação quando “Instinto Secreto” chegar em DVD.

  15. […] qualidade. Depois de “Bobby“, “Um Plano Brilhante” e o bom suspense “Instinto Secreto“, Moore une-se a musa do cinema independente Parker Posey em “Happy Tears”. A […]

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