Paranóia

Ainda que eficientes no dever de chocar o seu público, muitos longas do cineasta Alfred Hitchcock eram apedrejados, na época de seu lançamento, pela estrema coragem do cineasta, o que, a sua maneira, quebrava certos padrões daquela geração. Ainda que não tenha sido o único a se consagrar como mestre do suspense (entretanto, o maior já existente), não tardou para Hitchcock se tornar referência neste gênero de cinema. Não faltam modos para comprovar a afirmação: os filmes do mestre já foram sujeitos a refilmagens (“Um Crime Perfeito”, “Psicose”) e serviram como referências sutis (as câmeras de Paul Verhoeven em “Instinto Selvagem” e até mesmo em “O Chamado”). Mas houve outros cineastas que foram totalmente influenciados pelo talento de Hitchcock em suas produções, mas poucos foram capazes de fazê-lo com carinho, astúcia, elegância e originalidade. Salva-se Robert Zemeckis e seu “Revelação” e, inegavelmente, o grande Brian De Palma, outro cineasta que se firmou como mestre, proporcionando os melhores filmes da década de 1970 e 1980. .
D. J. Caruso, cujo único filme digno de nota é “A Sombra de Um Homem”, não tem talento para encenar um argumento similar ao clássico “Janela Indiscreta” e muito menos uma paixão avassaladora pelo cinema para ousar trabalhar num projeto que pretende ser um filme de referências hitchcockianas para as novas gerações – e tudo piora quando, na verdade, trata-se de uma história protagonizada por um adolescente. Kale (Shia LaBeouf) é um rapaz que perde o seu pai em um terrível (e mal feito) acidente automobilístico. Um comentário soltado pelo seu professor em relação a essa perda o faz sair do controle, resultando numa temporária prisão domiciliar. O restante, ainda que tenha sua graça, remete aos momentos juvenis de algumas atrações globais, entre eles, interesse pela vizinha que acaba de se mudar, Ashley (repare nas semelhanças – mas não as artísticas – de Sarah Roemer com Cate Blanchett), a presença de Ronnie (Aaron Yoo), o amigo canalha de Kale e um psicopata composto pelo vilão de sempre David Morse, como o Sr. Turner, suspeito pelo desaparecimento de diversas mulheres pelas redondezas. Sem conseguir pregar sustos engenhosos e muito menos reviver a atmosfera envolvente de “Janela Indiscreta”, D. J. Caruso só obtém desprezo daqueles que aguardavam por uma homenagem inventiva ao mestre do suspense. .
Título Original: Disturbia
Ano de Produção: 2007
Direção: D.J. Caruso
Elenco: Shia LaBeouf, Sarah Roemer, Aaron Yoo, David Morse, Carrie-Anne Moss, Jose Pablo Cantillo, Matt Craven e Viola Davis.
Nota: 5.0
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

17 Comentários em Paranóia

  1. Eu gostei desse filme. Achei a história bem trabalhada (com exceção do final, que é clichê do pior gosto), gostei da condução do filme, e o Shia LaBeouf me diverte. Mas se ele for analisado mais como uma homenagem ao Hitchcock, aí ele se enfraquece mesmo. Abraço!

  2. Obrigado pelo comentário no Tecnologia e Cinema, Alex!Acabei de relacionar o seu blog lá também!Abraço!

  3. Eu achei esse filme super divertido. Acho que o paralelo com “Janela Indiscreta” é até impróprio e adoro aquela possibilidade de redenção que é oferecida ao personagem do Shia LaBeouf. Aliás, todo o filme se apóia no carisma dele.

  4. Bruno, a forma que o clímax acontece (e não o desfecho) que torna a coisa ainda mais banal. Enquanto em “Janela Indiscreta” a ausência de grandes motivações do psicopata vizinho era bem contornada com o suspense crescente, em “Paranóia” tudo acontece de forma simplesmente imbecil.

  5. Rafael, também agradeço pela parceria. Fique sempre a vontade de fazer uma visita no Cine Resenhas e publicar em comentários as suas impressões sobre os filmes e temas destacados.Excelente semana.

  6. Kamila, é até covardia comparar o clássico de Hitchcock com este “Paranóia”, mas por ter se inspirado livremente no argumento, é impossível não lamentar o resultado morno que foi alcançado. E, sinceramente, essa possibilidade de redenção não passou de um mero detalhe. Já no elenco, a única pessoa que gostei foi mesmo a Carrie-Anne Moss, uma atriz excelente.

  7. Já publiquei uma resenha desse filme. Não sou muito desses filmes, mas achei interessante esse filme.Não é nada comparado à Janela Indiscreta, mas é um bom divertimento.Fui….

  8. Eu achei o filme uma diversão pipoca de primeira, apesar de seus clichês. O filme tenta ser um Janela Indiscreta, mas só chega a ser uma simples diversão.Muito legal seu blog. Abraço!

  9. Tem razão, Alex, nem todos têm o talento genuíno de um De Palma na hora de prestar homenagens bem aplicadas (e não ‘copiar’ pura e simplesmente) a mestres do cinema, como Hitchcock. Esse filme fez sucesso de público nos EUA, o que até despertou um pouco a atenção de início, mas parece só divertidinho porém ordinário…Cumps.

  10. Não vejo o filme com semelhanças à Janela Indiscreta ou com Hitchcock (talvez pelo fato de que não vi este filme de Hitch, rsrsrs), mas sei que me diverti vendo. Não é grande coisa, possui momentos descartáveis, mas é bem melhor que muito lixo que achamos por aí desse genero. Acho que foi eficiente dado a proposta e teve bons atores. A cena inicial já vale o filme todo, mas apesar das falhas, achei bom entretenimento.Nota 7,5Ciao!

  11. Eu também não vi muita graça nesse filme. Até que é interessante em alguns momentos (e um bom divertimento até certo ponto), mas não gostei da forma como a trama se desenvolveu nem do desfecho – que deixa muito a desejar se comparado com “Janela Indiscreta”. SPOILER: preferia que no final tudo fosse ‘paranóia’ mesmo, sabe?Nota: 5,5

  12. Ainda não conferi, porém é bem interessante o que você falou no início, Hitch sempre foi apedrejado pela crítica na época do lançamento de seus filmes, nunca foi unanimidade entre os críticos. E quanto as referência tenho para mim que ninguém faz melhor que De PALMA ao citar ele (citar é modo de dizer, ao “copiar”, porém com muito esmero e sempre em tom de homenagem).falow!

  13. Pedro, como disse a Kamila, é até covardia compará-lo com “Janela Indiscreta”, mas acaba sendo inevitável, como já sabemos. Uma pena que eu não tenha conseguido me divertir como a maioria.

  14. “Cinema For All”, obrigado. Não foi à toa que “Paranóia” fez tanto sucesso, tamanho o divertimento que o espectador encontrou no filme.

  15. Wally, tenho “Janela Indiscreta” em DVD e confesso que está longe de ser o meu Hitchcock predileto (o cineasta adotou um método no clímax que não gostei nenhum pouco – ele acelera uma ação como “passamos para frente” alguma cena em nosso aparelho de VHS ou DVD), mas é um clássico! A trama é praticamente a mesma, só que D. J. Caruso optou por uma abordagem mais juvenil.

  16. Gustavo, se bem que até mesmo o Supercine é capaz de exibir suspenses bem melhores que este “Paranóia”. Mas ficaria agradável numa “Sessão da Tarde”, eheheheheh…

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