Cativeiro

O cineasta Roland Joffé fez história com duas produções das quais foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor, “Os Gritos do Silêncio” e “A Missão” e foi capaz de conceber o belo épico “A Letra Escarlate”, ótimo drama protagonizado por Demi Moore e Gary Oldman até hoje injustiçado. Hoje, aos 62, Joffé não parece ter o mesmo vigor de antes. É lamentável vê-lo envolvido neste “Cativeiro”, suspense lançado nos Estados Unidos em 2007, com insípido roteiro assinado por Larry Cohen (“Celular”, “Por Um Fio”) e pelo estreante Joseph Tura, que provocou polêmica através da sanguinária campanha publicitária. Parece pouco a vontade o diretor que mergulha pela primeira vez no gênero, o que justifica a ausência de tensão que se inicia quando a jovem e desejada modelo Jennifer Tree (Elisha Cuthbert, indicada ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz) é seqüestrada e trancada num cativeiro, onde é atormentada por um misterioso sujeito, que a faz vestir os trajes que deseja e monitora por câmeras todas as suas ações.
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A violência de péssimo gosto aparece logo na abertura de “Cativeiro”, onde um corpo paralisado em uma cama recebe uma pancada com uma marreta, sendo que tal indivíduo ainda está vivo. Já isolada no cômodo, descobre que existe outra pessoa para lhe fazer companhia, o também jovem Gary Dexter (Daniel Gillies, o John Jameson de “Homem-Aranha 2”). Paralelamente, acompanhamos os detetives Bettiger (Michael Harney) e Ray (Laz Alonso) à procura de pistas que possam guiá-los ao local que Jennifer está. Se não é incrementada a esperada sensação de claustrofobia do tal cativeiro, tudo piora ainda mais quando o mistério caminha em passos largos para ser desvendado antes do clímax. O roteiro simplesmente nos entrega um vilão de motivações cretinas e um desfecho mais do que esperado. O mesmo pode ser dito sobre Jennifer, do qual o roteiro reserva somente alguns minutos para desenvolvê-la, sendo uma donzela em perigo que tem medo do escuro e que corre por um urso de pelúcia para sentir-se segura – e Cuthbert só é voluntária para mostrar a sua beleza e talento de manequim. O que é muito pouco para um filme que ilustra em seu cartaz as palavras “Seqüestrada, Confinada, Tortura e Exterminada”. E muito menos para o talento perdido de Joffé.
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Título Original: Captivity
Ano de Produção: 2007
Direção: Roland Joffé
Elenco: Elisha Cuthbert, Daniel Gillies, Pruitt Taylor Vince, Laz Alonso, Michael Harney, Rebekah Ryan, Michael Maples, Olivia Negron, Chrysta Olson, Elijah Runcorn e Remy Thorne.
Nota: 0.5 
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

12 Comentários em Cativeiro

  1. Nooossa! Muito obrigado pelo aviso. Vou passar longe!É sempre bom sermos avisados de bombas como essa. Esses tempos assisti o horrendo Cadáveres. Coitados dos espectadores!

  2. Ramon, uma amiga me ofereceu “Cadáveres” para eu conferir, mas mantive distância do filme. Dá na cara que o filme é ruim, rs. Sobre “Cativeiro” já imaginava desde o seu lançamento nos EUA que seria decepcionante, mas não sabia que fosse tanto assim. Enfim, distância é recomendável no caso deste filme.

  3. Pode se dizer que o filme torturou e exterminou a carreira de Joffé e a (nula) carreira de Elisha Cuthbert …Abraços meu amigo …

  4. Puxa, é incrível mesmo como um diretor do nível do Joffé chegou ao fundo do poço com uma fita massacrada pela crítica. Vale lembrar que além do belo “A Missão” (e dos outros filmes que você citou), até um tempo atrás ele fazia alguns bons trabalhos – como “Vatel”. Devo passar longe desse “Cativeiro”, ainda mais depois de seus comentários. Abraço!P.S. o novo visual ficou ótimo.

  5. JP, o senhor, infelizmente, está correto! Mas tenho esperança ao retorno da boa forma de Roland Joffé com os dois próximos projetos que ele está envolvido como diretor. Já Elisha, bem, sua credibilidade comigo pode sair do zero quando o ainda inédito “The Quiet” chegar no Brasil.Abraço!

  6. Vinícius, ainda não conheço muito bem os trabalhos do cineasta, mas, antes de “Cativeiro”, tive boas impressões da dedicação e qualidade de seus filmes anteriores. Recordo-me que “Vatel” recebeu ótimos elogios no seu lançamento, que talvez ocorreu em 2000 ou 2001 – não me recordo muito bem. Espero um dia encontrar essa produção nas locadoras.Ah, também gostei do novo modelo que aderi ao Cine Resenhas. Conforme passa os meses, dá uma vontade danada de reformar o Blog. Valeu, Vinícius. Tenha uma ótima Quarta-feira!

  7. É unanime, todo mundo fala mal. To até pensando em ver. rsrsrsrs. Mas falando sério, odeio dar uma de crítico chato, mas esses filmes de “torture porn” estão irritando. Depois de Eu Sei Quem Me Matou eu enjoei.Ciao!

  8. auhaa se celular e por um fio são absurdamente ruins, imagino então como esse Cativeiro deve ser.passarei bem longe!ah! e eu prefiro o layout antigo!

  9. Isso é meu amigo …se sair do zero … dizem que no filme ela ainda é nula e que Camilla Belle omilha ela …e sim .. o layout fica um pouco complicado no meu navegador, mas calma … vamos ver o que pode darabraços

  10. Alex. “Vatel” é muito legal, veja assim que puder. Quanto ao visual, acho que já mudei umas três vezes ;-)Estou passando aqui para avisar que deixei dois MEMES para você lá no blog, depois confira, ok? Até mais.

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  1. Retrospectiva 2008 « Cine Resenhas

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