Resenha Crítica | Um Plano Brilhante (2007)

Um Plano Brilhante - FlawlessCom o objetivo de entrevistar Laura Quinn (Demi Moore) para uma matéria sobre o surgimento da mulher moderna a partir da década de 1950, Cassie (Natalie Dormer) surpreende-se ao ver que ela guarda consigo um precioso diamante. Com o relato de como adquiriu o objeto somos transportados para a Londres de 1960 e como Laura subiu de cargo de executiva para gerente da Companhia de Diamantes, uma empresa controlada por homens. Mas antes é mostrado a sua rotina naquele lugar e como se envolveu com Mr. Hobbs (Michael Caine), um zelador. É ao focar a relação entre estes dois personagens, que antes só se comunicavam através de saudações diárias no início de expediente, que o roteiro do estreante Edward A. Anderson começa a ganhar formas muito bem desenhadas pelo interessante cineasta Michael Radford, aclamado em filmes como “O Carteiro e o Poeta” e “O Mercador de Veneza”.

Radford, exemplo de profissional que sabe aproveitar muito bem os outros departamentos de suas produções, sendo neste filme a impecável direção de arte de Chris Lowe e a trilha sonora composta por Stephen Warbeck, também aproveita-se dos talentos de Moore e Caine, trabalhando pela segunda vez após a comédia “Feitiço do Rio” – onde interpretaram pai e filha em viagem de férias ao Rio de Janeiro. A dupla ajuda para que a história de Anderson não se limite somente ao deliamento do roubo ao cofre da Companhia onde trabalham, mas como pretexto para aplicarem a suas vinganças pessoais, sendo o motivo de Laura a descoberta de que será desligada da empresa e o de Hobbs revelado somente nos instantes finais.

Na execução do roubo que soma pontos por primar pela inteligência e não pela ação, “Um Plano Brilhante” também conclui com louvor a proposta inicial com elegância, utilizando até mesmo em seu decorrer uma referência do filme “Instinto Selvagem”, a antológica cruzada de pernas. É nesta e em outras observações que notamos de que se existe algum modelo para representar a mulher moderna provavelmente é aquele que Anderson resume a perfeição na conclusão do longa: sábia, generosa e livre, mas que sempre reserva um pouco de vaidade.

Título Original: Flawless
Ano de Produção: 2007
Direção: Michael Radford
Elenco: Demi Moore, Michael Caine. Lambert Wilson, Natalie Dormer, Nathaniel Parker, Shaughan Seymour, Nicholas Jones, David Barras e Joss Ackland.
Cotação: 4 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

10 Comentários em Resenha Crítica | Um Plano Brilhante (2007)

  1. parece ser interessante e fugir um pouco dos appeis repetitivos que a Demi moore anda fazendo ultimamente, sei lá, aidna a vejo como uam atriz boa.. boa no sentido de atuação, por que ems e tratando de “belezura”, hehehe…quarentona enxutassa…rs
    abraços

  2. • Rodrigo, como vai?
    Gosto da Demi Moore desde “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, que assisti quando tinha uns seis anos de idade (o que já faz doze anos). Acho uma das atrizes mais belas do cinema, mas é claro que acho injusto limitar suas virtudes somente a sua beleza. Mas por que “papéis repetitivos”? Ela andou selecionando papéis tão distantes entre si… Ah, e o filme é ótimo. Estreou hoje em São Paulo. Não deixe de ver!
    Abraço!

  3. Poxa, é tão bom assim. A partir do momento que colocas o pé no chão e procura projetos interessantes que valorizam a pessoa como uma atriz e não como uma mulher de beleza, faz com que se ver a carreira dela com outros olhos …

    Tentarei ver esse filme com certeza e depois com que você disse. tem que ser mais rapido possivel

  4. Alex, “Um Plano Brilhante” estreou nos cinemas daqui e eu não estava curiosa para assistir ao filme. Mas, depois de seu texto, estou pensando em reconsiderar a decisão.

    Bom final de semana!

  5. • JP, Demi Moore já passou daquela velha fase onde selecionou projetos errados o suficiente para terem diminuindo a força de sua fama, ainda que eu considere somente “Striptease” a única escolha “vacilante” da atriz. Moore talvez não seja a mesma dos tempos de “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, mas vem escolhendo muito bem as suas personagens.

    • Pedro, não deixe de me avisar de como foi a sessão. Também aguardarei uma crítica.
    Abraço.

    • Kamila, fico satisfeito que a minha análise, ainda que seja um modesto resumo daquilo que gostei no filme, tenha feito aumentar um pouco o seu interesse em ver o filme. É um filme caprichado e com roteiro como pouco se vê hoje em dia nos cinemas. Creio que você deva gostar um pouco.
    Tenha um excelente final de semana.

  6. Vi ontém e gostei. É realmente elegante, acho que é a palavra que mais possa descrever o filme, cujos aspectos técnicos são ótimos e o elenco se torna chave para o funcionamento dos personagens. A cruzada de pernas foi genial e o clima do longa é bem envolvente. Só não achei inteiramente memorável. Acho que eu fiquei tão fisgado que esperava um desfecho mais marcante e surpreendente. Mas é bom filme.

    Nota 7,0

    Ciao!

  7. Estreou nesse fim de semana aqui mas não tive tempo de ver nada, quem sabe no próximo sábado. Legal saber que a Demi Moore está se dedicando a bons projetos depois de alguns fracassos.

  8. Alex, como eu disse antes, reconsiderei minha decisão e acabei de chegar em casa do cinema. Gostei muito de “Um Plano Brilhante”. Só odiei aquele final demagógico. E esse é o melhor filme da Demi Moore desde a retomada da carreira dela.

  9. • Wally, estamos apenas em abril para dizer alguma coisa, mas “Um Plano Brilhante” provavelmente será uma figura indispensável na lista de filmes mais interessantes exibidos neste ano. E com toda a certeza trata-se de um filme elegante em todos os aspectos, é difícil encontrar outro adjetivo.
    Abraço.

    • Vinícius, já se foi o tempo onde Demi Moore arriscava-se em filmes dos quais lhe retribuiam com um salário enorme. Ela amadureceu muito como profissioanl e mesmo que nem todos dos seus filmes recentes tenham adquirido os esperados elogios não podemos negar que ao menos ela nos presenteou com boas interpretações.

    • Kamila, ao contrário de você, gostei muito daquele desfecho. Foi um final que valorizou muito bem a personagem de Demi Moore e que conclui muito bem a proposta central do filme.

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