Grindhouse

Grindhouse

O público em geral sempre foi fascinado pela evolução do cinema, tanto nos aspectos tecnológicos quanto narrativos. Robert Rodríguez pode ser usado como modelo de cineasta que sabe nos transportar para filmes cujos maiores atrativos é a sua própria habilidade em lidar com os efeitos especiais, algo que fez e direcionou especialmente para o público infantil com a franquia “Pequenos Espiões”, ainda que longe de ser um exemplo adequado. Já Tarantino é o nome ideal para construir roteiros com personagens ricos. Uma pena que ao trabalharem juntos em “Grindhouse, uma espécie de união de dois filmes extremamente podreiras do gênero horror onde o espectador se diverte em dobro pagando o valor de um único filme (num sistema chamado “double feature”), as habilidades de ambos os cineastas sejam pouco válidas. É verdade que tudo não passa de uma brincadeira despretensiosa, mas é uma tarefa difícil para aquele que se submete a essa experiência que resulta frívola e sem graça alguma, onde, estranhamente, o maior atrativo são os inspiradíssimos trailers falsos exibidos antes do filme. Abaixo resenhas correspondentes aos filmes “Planeta Terror”, de Rodriguez, e “À Prova de Morte”, de Tarantino, que foram lançados em diversos países separadamente.

 

Planeta TerrorGrandes amigos desde que se conheceram no início da década passada, Tarantino e Rodriguez sempre se uniram de uma forma ou de outra nos próprios projetos. A oportunidade e expectativa de vê-los como parceiros íntegros de uma mesma realização aconteceu em “Planeta Terror”. Mas nada que seja muito animador: além das irregularidades na direção de Rodriguez como o ritmo esquizofrênico, Tarantino surge irritante numa participação pequena neste filme sobre zumbis. Sem um pingo de humor e com ausência total de um bom clima de horror, “Planeta Terror” é puro desleixo – proposital, claro. Mas não é essa a intenção? Sim, mas existem filmes B mais competentes mofando nas locadoras que foram realizados com recursos totalmente limitados melhores do que este. O pior de tudo é que sua maior atração só é apresentada nos minutos finais, sendo as pernas matadoras de Cherry Darling (Rose McGowan, que também aparece em “À Prova de Morte”).

Título Original: Planeta Terror
Ano de Produção: 2007
Direção: Robert Rodriguez
Elenco: Rose McGowan, Freddy Rodríguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Michael Biehn, Bruce Willis, Naveen Andrews, Stacy Ferguson, Nicky Katt, Electra Avellan, Elise Avellan e Quentin Tarantino.

.
À Prova de MorteNão à toa, o momento de Tarantino na direção foi reservado para a segunda parte da sessão. Sem aquele número gritante de pontas bobocas de celebridades visto no filme de Rodriguez, “À Prova de Morte” obtêm um resultado bem melhor, ainda que longe de ser memorável. Algumas marcas registradas do cultuado diretor de “Pulp Fiction – Tempo de Violência” estão presentes neste filme que nos apresenta ao maníaco Stuntman Mike (Kurt Russell), cujo possante indestrutível é a ferramenta de uso para matar garotas rebeldes. Os trinta minutos finais são geniais, onde um trio de amigas planejam uma brincadeira para lá de audaciosa: Zoe (Zoe Bell, a dublê de Uma Thurman em “Kill Bill”) posiciona-se no capô de um carro enquanto Kim (Tracie Thoms) dirige em alta velocidade e Abernathy (Rosario Dawson) somente assiste a loucura. Só que as coisas começam a ficar ainda mais perigosas quando Mike decide interferir na diversão em plena tarde ensolarada. É sufocante, sensacional, divertidíssimo. Uma pena que, para chegar nessa seqüência, o espectador tenha de aturar uma hora de diálogos bocejantes entre outras personagens dentro de um bar.

Título Original: Death Proof
Ano de Produção: 2007
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Kurt Russell, Zoe Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Rose McGowan, Mary Elizabeth Winstead, Jordan Ladd, Marcy Harriell e Eli Roth.

[Final] Cotação: **

 

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

11 Comentários em Grindhouse

  1. Ei Alex, beleza? Dei uma sumida legal do mundo on-line, mas já estou de volta e atualizando o blog, além de voltar a visitar os blogs amigos. Depois dá uma passada lá.

    Eu não sou dos grandes fãs do Robert Rodriguez, não, mas sabe que esse Planeta Terror me divertiu muito? O filme é desleixado sim, mas aí é que tá a graça da produção. Antes de mais nada, é uma caricatura dos filmes B e com isso se torna uma homenagem. Além de tudo ser nonsense e absurdo, ainda possui momentos hilários, do mais puro humor negro. A trilha sonora não quis sair de minha cabeça dias depois de ver o filme.

    Infelizmente, ainda não vi o segmento do Tarantino para o projeto, que promete muito. E com certeza ele é mais talentoso que o Rodriguez, isso eu não posso negar. Abração cara!!!

  2. • Rafael, como vai?
    Nossa, o senhor realmente desapareceu do universo blogueiro – por pouco não contratei alguns detetives para investigar o seu sumiço, rs. Aproveitarei o gancho para relacionar o Moviola no novo Cine Resenhas.

    E compreendo as intenções de Robert Rodriguez com seu “Planeta Terror”, mas tudo me foi tão tolo, bobo, insosso… Mas esqueci de destacar a trilha-sonora, que realmente é muito boa! Mas pode ter certeza de que o filme de Tarantino é mais eficaz.
    Abraço!

  3. Dos dois filmes que fazem parte do projeto “Grindhouse”, só assisti ao segmento dirigido por Robert Rodriguez e, honestamente, achei um lixo! A atuação da Rose McGowan é uma das piores coisas do ano passado!

    E parece que todo mundo é unânime em dizer que o segmento dirigido pelo Quentin Tarantino é bem melhor.

  4. • Kamila, então você não deve ficar com tanta raiva de Rose McGowan em “À Prova de Morte”, vendo que sua participação é pequena, apesar do destaque, RS. E admito que aguardava mais pelo segmento de Rodriguez do que de Tarantino, mas realmente “Á Prova de Morte” é mais agradável.

  5. Como sabe, eu vi Grindhouse por completo (não resisti) e depois conferi Planeta Terror separadamente, em DVD.

    Planeta Terror eu gostei. Acho que muitos idolatraram de mais e outros também foram muito severos. Acho que é uma válida homage e um filme muito divertido, basta entrar na brincadeira. Mas claro, o clima trash é extremo e o incômodo pode muito bem sair ganhando. Mas eu gostei, é um filme que, digamos, entretem e é bem inspirado. Nota 7,5

    À Prova de Morte já é um filme que deixa mais as origens trash para trás para se tornar mais “cinema”. É ótimo Tarantino, mesmo que longe de seus melhores dias. Tem seqüencias antalógicas, ótimas personagens e um ato final vibrante. Isso sem contar a maravilhosa trilha sonora, os diálogos geniais e o personagem memorável de Kurt Russell. Nota 8,5

    Ciao!

  6. Alex, não me entusiasmo muito com “Grindhouse”, mas acho uma boa diversão. Certamente o segmento do Tarantino é bem melhor, mas ambos me agradaram – ainda que não tanto quanto agradou a maioria.
    Planeta Terror: 7.5
    À Prova de Morte: 8.0

  7. • Wally, também vi a versão exibida nos cinemas americanos, ainda que primeiro tenha sido “Planeta Terror” e só depois de alguns meses “À Prova de Morte”. E é bem trabalhoso entrar na brincadeira de “Planeta Terror” – acho que tem outras fitas do gênero com a mesma proposta e que soam bem melhores. E a única coisa que achei memorável em “À Prova de Morte” é o trio de atrizes.
    Abraço!

    • Matheus, também não me entusiasmei com “Grindhouse”, apesar das expectativas. Tem lá a sua diversão, mas é inevitável não pensar que as coisas poderiam ficar melhores, vendo o nome dos envolvidos.

  8. só vi o “Planeta Terror” mas curti mutio or esultado, mesmo achando exagerado demais o uso dos ‘defeitos’ na tela, ficou muito forçado, na minha opinião… mesmoa ssim me diverti
    abraços!!!

  9. • Rodrigo, os defeitos propositais de projeção me deixaram extremamente incomodado. E não posso negar que estou com inveja de todos aqui por terem conseguido se divertir com o filme, uma pena não ter funcionado para mim, RS.

  10. Serio, foi uma das melhores coisas do ano … claro que ver os filmes separados perde totalmente a magia, porém vendo o projeto original e na integra é magico demais …
    pensei que sua nota seria maior mas … tudo bem …

  11. JP, vi ambos os filmes no processo original, ainda que tenha terminado de ver “À Prova de Morte” recentemente. E mesmo que lançados de forma individual ou não o público provavelmente não mudaria muito de opinião. Acredito que minha avaliação tenha sido justa, enfim.

5 Trackbacks & Pingbacks

  1. NOITÃO “LADO B” NO CINE BELAS ARTES « A G E N D A C U L T
  2. Machete « Cine Resenhas
  3. Ponto Crítico – Jul/10 « Cine Resenhas
  4. À Prova de Morte « Cine Resenhas
  5. O Vingador | Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: