Um Sonho Dentro de Um Sonho

Muitas pessoas da imprensa internacional declararam que entrevistar o respeitável Anthony Hopkins não é uma tarefa agradável. Demonstrando impaciência a cada questão realizada, o veterano ator não hesita ao falar o quanto despreza as pressões que a profissão rende como recompensa a aqueles que são tão renomados na indústria cinematográfica. E em “Um Sonho Dentro de Um Sonho”, dado como o terceiro filme dirigido por nosso querido Hannibal Lecter, esse incômodo é bem perceptível nas fartas cenas oníricas e de puro histerismo. Um dos primeiros acontecimentos deste suspense nos dá uma clara percepção do que encararemos adiante, sendo uma loucura cometida por um indivíduo aparentemente qualquer numa rodovia onde, disparando tiros contra os outros motoristas, protesta a perda de um enredo ao som perturbador de “Sweet Dreams” (Hopkins também é responsável pelo departamento musical de “Um Sonho Dentro de Um Sonho”).

Uma das pessoas que presenciam este desastre é o roteirista Felix Bonhoeffer (Anthony Hopkins), que é convocado às pressas para fazer alterações em seu script quando um ator (Christian Slater) que incorpora um personagem essencial morre em plena filmagem. Essa teia de mistérios que rondam o seu cotidiano recente se amplia surpreendentemente quando outros personagens estranhos aparecem na história, como a atriz Bonnie (S. Epatha Merkenson), uma velha (Fionulla Flanagan) que planeja uma viagem para Las Vegas, Mort, o barman (Michael Clarke Duncan), Gina (Stella Arroyane que, assim como no filme, é esposa de Hopkins), o detetive Larabee (William Lucking), uma aparição de Kevin McCarthy em pessoa, entre outros. Mas não pense que é só isso: aproximadamente 2/3 do elenco interpretam de dois a três personagens.

Vale dizer que “Um Sonho Dentro de Um Sonho” tem muitas excentricidades que nos remetem ao cinema de David Lynch. Hopkins também acredita no poder da imagem, acrescentando ao longo do seu filme recortes de cenas que não duram um segundo sequer, sendo elas preenchidas com momentos passados, futuros ou de explosões e massacres da Segunda Guerra Mundial, muitas delas acompanhadas com sons de capturas de imagens e da aparição de claquetes. São efeitos somados a outros que demonstram um invejável talento de Hopkins com o uso da nossa avançada tecnologia na composição de sua obra. Mas eles auxiliam no embaralho por completo do filme, que começa a ficar insuportável com as dezenas de pistas fornecidas a cada minuto de projeção para que o último ato seja mais compreensível. Mesmo que abaixo da média, é uma produção que merece ser conferida pelos cinéfilos, que depende de astúcia para que a trama fragmentada surta algum sentido.

Título Original: Slipstream
Ano de Produção: 2007
Direção: Anthony Hopkins
Elenco: Anthony Hopkins, Stella Arroyave, Fionnula Flanagan, Christian Slater, Michael Clarke Duncan, Lisa Pepper, Jeffrey Tambor, John Turturro, Lana Antonova, Gavin Grazer, Camryn Manheim, S. Epatha Merkerson, Jennifer Mann, William Lucking e Kevin McCarthy.
Nota: 5.0

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

9 Comentários em Um Sonho Dentro de Um Sonho

  1. Pedro, creio que eu tenha sido o único a ter visto “Um Sonho Dentro de Um Sonho” entre os outros blogueiros cinéfilos. E se você se refere a imagem de “Querido Frankie” no cabeçalho os créditos são todos do Matheus (Cinema e Argumento).

    Abraço!

  2. Esse ainda não vi e nem tenho muita curiosidade, especialmente após ler sua crítica. Nunca achei o Anthony Hopkins um grande ator mesmo – imagina como diretor, então…

  3. Vinícius, o filme não é ruim – acho que merece ser assistido. Também não sou fã de Anthony Hopkins, mesmo que ele tenha incorporado um dos meus personagens prediletos do cinema, mas ele comete alguns acertos como diretor neste filme: o problema aqui é o roteiro.

  4. O elenco desse filme parece ser ótimo, mas perdi a atração pela obra depois que li que o filme remete às excentricidades de obras como as de David Lynch!

  5. Kamila, pois é. A comparação parece injusta, mas esta é uma impressão que qualquer um teria ao ver este filme. É bem maluco, mas dá para assistir.

  6. Uma verdadeira diarréia cerebral de Hopkins. Um fantástico ator que encontra o ponto mais baixo de sua carreira ao se aventurar como roteirista e diretor. Sobre a direção, até que é injusto reclamar. Mas o roteiro é simplesmente um desastre. Não assista!! É um dos piores filmes que já assisti.

  7. Olá, Alex! Tdo bem?

    Eu quase aluguei este filme esta semana, mas o moço da locadora falou que este filme dá sono! rsrs. Mas se puder, eu verei!! rsrs.

    Fique bem, Beijos!!!

  8. Marco, é um filme bem experimental. Eu curti algumas coisas, mas fiquei muito insatisfeito com o resultado.

    Mayara, se o próprio atendente disse isso então é melhor prevenir, rs.

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