Melhores de 2007: Atriz Coadjuvante

1: Toni Collette, por “Segredos na Noite”
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–  Desde 1994 com “O Casamento de Muriel”, de P. J. Hogan, que a australiana Toni Collette vem nos presenteando com o seu itenso talento como atriz a cada nova personagem. Ela consegue ser meiga (“Emma”), uma mãe desequilibrada (“Um Grande Garoto), desesperada (“O Sexto Sentido”) e um pouco maluquinha (“Pequena Miss Sunshine”) e até mesmo encarar cenas de nudez com naturalidade (“A Garota Morta”). Mas a sua especialidade mesmo é com papéis de mulheres tristes e tentando encontrar a alegria de viver, o que mescla todas essas experiências citadas com as restantes que compõem a sua filmografia. Com a sua solitária Donna em “Segredos na Noite” (mais um grande filme lançado diretamente para o mercado de vídeo), Collette recebe a modesta primeira posição neste espaço.

2: Rinko Kikuchi, por “Babel”
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–  De todas as tramas e personagens fascinantes de “Babel”, Rinko Kikuchi é a protagonista da melhor história e atua no melhor papel deste drama de Alejandro González Iñárritu. A provável intenção deste projeto deve ser que é necessário a comunicação para que o conforto e paz prevaleça quando uma ameaça ou tragédia está prestes a surgir. No caso de Chieko, essa barreira da falta de diálogo com as pessoas a impede de expressar o seu lado terno e a necessidade de ser amada. É uma personagem difícil que Kikuchi tira de letra e que ainda é capaz de comover o público.

3: Cate Blanchett, por “Notas Sobre Um Escândalo”
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–  Mais uma atriz da terra dos cangurus a figurar na lista das melhores atrizes coadjuvantes no cinema em 2007. Nem há necessidade de decretar os mesmos elogios que se repetem a cada novo desempenho de Blanchett, uma atriz carismática, dona de uma beleza singular e de uma versatilidade invejável. Enfim, uma das grandes profissionais da atualidade. Mesmo que um suspense e drama irregular, Cate, assim como a grande Judi Dench, dá um show em “Notas Sobre Um Escândalo”. É louvável a fragilidade que a atriz confere a Sheba, professora de Artes que se apaixona por um aluno menor de idade. E a sequência onde Blanchett, totalmente descontrolada e entregue ao papel, encara a imprensa esgotada da situação que está vivendo é para gravar na memória.

4: Sharon Stone, por “Bobby”
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–  Sharon Stone iniciou a carreira em ponta no filme “Memórias”, de Woody Allen. Depois desta oportunidade, a atriz que em breve completou cinquenta anos em março deste ano recebeu propostas em filmes modestos ou bem inexpressivos, como “As Minas do Rei Salomão” e “Lágrimas na Chuva”. Mas o mundo a notou quando Verhoeven trabalhou pela segunda vez com a musa em “Instinto Selvagem” (a primeira colaboração veio com “O Vingador do Futuro”, um dos melhores filmes do gênero ficção-cientifica do início da década de 1980). Daí em diante a atriz era mais associada pelos seus exuberantes traços físicos do que pelo próprio talento como intérprete. É verdade que participações em equívocos como “O Especialista” não impedem que a primeira destas duas impressões se destaque, mas a atriz sempre dá a volta por cima a cada novo escorregão. É o que foi comprovado em muitos momentos da sua carreira e agora confirmado mais uma vez em “Bobby”, filme posterior ao fiasco de “Instinto Selvagem 2”. Além de entregar o melhor desempenho num elenco de peso, Stone ainda surpreende ao participar de “Alpha Dog”, onde, infelizmente, aparece bem pouco.

5: Sandra Bullock, por “Confidencial”
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– Não sei enquanto aos blogueiros, mas tenho um grande afeto por Sandra Bullock. É incrível o charme que ela transmite nas comédias românticas que protagonizou e o quanto elas são irresistíveis (sempre vejo, por exemplo, “Amor à Segunda Vista” quando surge um tempinho livre). Mas essas escolhas mais descompromissadas gerou um preconceito bobo de muitos com a atriz. Se ela se dá tão bem num único gênero e o público se satisfaz com os resultados para que não prosseguir? Mas não é bem isso que Bullock têm em seus planos. Na verdade, Bullock quer também provar que dá certo ao encarar propostas mais sérias e desafiadoras. Harper Lee não tem muito o que fazer quando Truman Capote está em cena, mas “Confidencial” não seria a mesma coisa se não contasse com essa mulher (e com a atriz que a incorpora). E com o perdão aos fãs de Catherine Keener, uma atriz muito talentosa e que respeito profundamente, mas Sandra Bullock deixa o seu superestimado desempenho em “Capote” no chão.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

12 Comentários em Melhores de 2007: Atriz Coadjuvante

  1. Collette é mesmo uma atriz soberba. Mas ano passado não considerei os filmes lançados diretamente em DVD e ela não foi elegível. Esse ano conserto esse erro… E não sei se foi a personagem que achei mal escrita, mas não vi grandiosidade na atuação de Bullock, apesar de estar bem e ser, talvez, seu melhor desempenho. Já Sharon Stone eu prefiro em “Alpha Dog”, onde arrebentou.

    Meus escolhidos:

    1)Rinko Kikuchi, Babel
    2)Adriana Barraza, Babel
    3)Tilda Swinton, Conduta de Risco
    4)Jennifer Hudson, Dreamgirls – Em Busca de um Sonho
    5)Cate Blanchett, Notas Sobre um Escândalo

    Ciao!

  2. Wally, gostaria muito de pensar na possibilidade de incluir Tilda Swinton na lista por “Conduta de Risco”, mas ainda não terminei de ver o filme a tempo de fazer essa atualização. E compreendo o motivo de você não incluir filmes com lançamentos diretos em vídeo, mas acredito que existe muitos filmes bons nas locadoras que não merecem ser esquecidos. E eu achei Bullock perfeita em “Confidencial”. E se o seu papel é mal escrito, não sei então o que dizer da Harper Lee de Catherine Keener…

    Abraços!

  3. Toni Collette = gênia!
    Vou pegar SEGREDOS DA NOITE só para ver se ela faz jus à sua seleção. E, lógica, ela decerto faz. ;)

    Também é original a menção a Bullock, mas isso talvez porque o filme tenha sido tão pouco visto.

  4. Olá, Alex! Tdo bem?

    Para mim filmes que lançam direto em DVD sempre conta, o que importa é que o filme é daquele ano. Fiquei surpresa com a inclusão de Toni Collette por “Segredos da Noite” nesta lista, gostei muito dela no filme e foi um papel difícil. Das outras só não vi Sandra Bullock por “Confidencial”, mas quero muito ver em breve, dizem que é bem melhor que “Capote”. Contaria tbm Michelle Pfeiffer por “Hairspray” e Adriana Barraza por “Babel”, uma das melhores atuações no filme.

    Fique bem, beijos! [;)]

  5. Não assisti ainda “Confidencial”. Acho a Sharon Stone meio exagerada em “Bobby”. Adoro a performance de Rinko Kikuchi e de Cate Blanchett. E Toni Collette é a melhor coisa de “Segredos na Noite”.

    Bom final de semana!

  6. Adorei a sua escolha da Sandra, Alex! Concordo desde a parte de que a Catherine Keener foi superestimada pela sua atuação, até a parte que o filme não seria a mesma coisa sem ela.

    Kikuchi também está na minha lista. Cate Blanchett achei que estava um pouco histriônica demais. E Sharon Stone até que está boa em Bobby, mas acaba sendo prejudicada pelo fato do filme ser muito ruim! Segredos da Noite não vi, mas Collette é sempre uma grande atriz! Difícil vê-la numa atuação ruim…

  7. O trabalho da Toni Collette nesse filme é muito bom mesmo, pena que não foi tão visto. Das indicadas, acho que fico com a Sharon Stone como a melhor coadjuvante de 2007, mas nenhuma delas entrou na minha lista (vencida pela Tilda Swinton).

  8. Gustavo, Toni Collette é mesmo uma atriz fenomenal. E confesso que talvez eu não a tenha visto tão bem como pude comprovar em “Segredos na Noite”. E é uma pena que um filme tão bom quanto “Confidencial” permaneça como filme quase desconhecido por aqui.

    Hello, não inclui Michelle Pfeiffer porque esperava mais dela em “Hairspray”, ainda que ela estivesse ótima. Mas depois dela ficar tanto tempo afastada dos cinemas nós sempre aguardamos por um retorno totalmente triunfal. Admito que gostei mais dela em “Nunca é Tarde Para Amar”. Beijos!

    Kamila, eu gosto demais da Sharon Stone em “Bobby”. É uma personagem sofredora e que não consegue guardar com sigo toda essa emoção especialmente no desfecho do filme. Excelente final de semana.

    Marco, então quer dizer que você não gostou do início da justificativa? :( E talvez Collette nunca tenha entregue um desempenho ruim, todos excepcionais.

    Vinícius, pelo visto todos acabaram por se derreter perante o desempenho de “Conduta de Risco”. Mas eu vi o 1/3 de filme e posso dizer que realmente ela estava se apresentando de forma fenomenal.

  9. “Marco, então quer dizer que você não gostou do início da justificativa?”

    É claro que concordo, Alex. Esqueceu que tbm sou fã da Sandra? Só quis dar mais ênfase pra essa parte ;)

  10. Ainda bem então, Marco, rs. E que Sandra continue a nos brindar com toda a sua luminosidade e talento!

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