Melhores de 2007: Diretor

1: William Friedkin, por “Possuídos”
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Apesar dos bons filmes que orquestrou ao longo de sua carreira, como “Parceiros da Noite”, “Blue Chips” e uma versão para a tevê de “12 Homens e 1 Sentença”, o nome William Friedkin é associado somente ao clássico “O Exorcista” e, poucas vezes, pelo filme “Operação França”, ao qual adquiriu o Oscar de melhor diretor ainda com 36 anos de idade. O problema é que Friedkin esbarrou em scripts grotescos como os de “A Árvore da Maldição” e “Jade”, sendo questionado o seu próprio talento como cineasta. É uma impressão que desaparece ao encararmos “Possuídos”, uma experiência desconfortante. Com o baixo orçamento de 4 milhões de dólares e usando um único cenário em quase toda a metragem, Friedkin criou uma obra-prima repleto de grandes momentos e invejável talento na direção de elenco.

2: Todd Field, por “Pecados Íntimos”
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Depois de uma carreira não muito expressiva como intérprete, participando de filmes como “Calafrio!” e “De Olhos Bem Fechados”, Todd Field surpreendeu ao continuar trabalhando no cinema por trás das câmeras na construção de longa-metragem. Conquistou as principais premiações cinematográficas, público e crítica com o drama “Entre Quatro Paredes”, onde Tom Wilkinson, Sissy Spacek e Marisa Tomei (todos indicados ao Oscar) apresentaram uma das melhores atuações da carreira. E o mesmo feito alcançou com “Pecados Íntimos”, inspirado em famoso livro de Tom Perrotta. 

3: Tom Tykwer, por “Perfume – A História de Um Assassino”
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– Mesmo com os esplêndidos “Corra, Lola, Corra” e “Paraíso”, muitos desconfiaram que Tom Tykwer não fosse capaz de adaptar com riqueza e fidelidade o livro “O Perfume – História de Um Assassino”, de Patrick Süskind, ainda mais depois das propostas recusadas por grandes diretores por considerarem um romance inadaptável. O que não deixa de ser verdade, pois se trata de uma história difícil de lidar. Mas quem leu ao livro de Süskind pôde comprovar que Tykwer ultrapassou expectativas e preconceitos, entregando um espetáculo extraordinário e sublime. Tykwer está neste instante finalizando o thriller “The International”, com Naomi Watts.

4: Alejandro González Iñárritu, por “Babel”
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Aos que acompanharam a celimônia do Oscar no ano passado puderam presenciar um certo ar de decepção vindo de Alejandro González Iñárritu, que praticamente se certificou de que sairia do evento com os prêmios principais pelo seu trabalho em “Babel”. No entanto, Iñárritu esbarrou no ano que tinha como principal objetivo reparar os erros cometidos com Scorsese, que depois de tantos trabalhos excelentes ainda não tinha uma estatueta para deixar sob a lareira e ainda competiu com outro forte candidato, o veterano ator e diretor Clint Eastwood. Mas este acontecimento não impede que uma menção seja feita. Filmado em algumas partes distintas do mundo, Alejandro González Iñárritu ainda merece créditos pela comovente forma que costurou os tristes personagens de “Babel” com base numa idéia desenvolvida por ele e Guillermo Arriaga.

5: José Padilha, por “Tropa de Elite”
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Muitos brasileiros se decepcionaram quando “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” foi convocado para representar o Brasil no Oscar 2008, vendo a popularidade que “Tropa de Elite” conquistou. Se isto é lamentável, vendo a total superioridade do segundo longa sobre o primeiro dirigido por Cao Hamburger, a escolha não impediu que José Padilha conquistasse o Festival de Berlim. Temas atuais e brutais é o que movem o seu cinema, como muitos afirmaram ao assistirem o seu documentário “Ônibus 174” e agora com o seu longa-metragem “Tropa de Elite”, trabalhando este com um roteiro muito bem amarrado e orquestrando sequências onde os atores atingem o seu limite e o ápice do próprio talento. Qualidades que lhe valeram o transporte para rodar um filme em solo americano: em 2010 estreará “Marching Powder”, protagonizado por ninguém menos que Don Cheadle (“Hotel Ruanda”).

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

8 Comentários em Melhores de 2007: Diretor

  1. Sem dúvida uma ótima seleção. O William Friedkin teve um trabalho expecional com “Possuídos”, sem dúvida um grande retorno. Meu preferido na categoria é o Iñárritu, mas o Friedkin foi uma bela escolha!

  2. Interessante, mas meus escolhidos foram:

    1)Alejandro González Iñarrítu, Babel
    2)Clint Eastwood, Cartas de Iwo Jima
    3)David Fincher, Zodíaco
    4)Paul Greengrass, O Ultimato Bourne
    5)Todd Field, Pecados Íntimos

    Ciao!

  3. Dessa vez, discordamos.

    Martin Scorsese (Os Infiltrados)
    Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança)
    Paul Greengrass (Vôo United 93)
    Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno)
    Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)

    É isso aí, Alex. Abraço!!!

  4. Perfeitas as menções a Field e a Padilha! Colocaria, ainda, Cuarón e Eastwood.
    Mal posso esperar para ver BUG. Que Friedkin siga inspirado e que não tenha sido só um mero soluço de genialidade.

    Cumps.

  5. Alex, respeito sua opinião, mas Tom Tykwer não estaria na minha lista de melhor diretor! :-)

    E uma boa notícia: irei assistir, em breve, “Confidencial”. O filme vai estrear na HBO!

  6. Olá, Alex! Tdo bem?

    Como sempre me surpreendendo! A lista está ótima! Eu mencionaria Clint Eastwood na lista, só ontem vi “Cartas de Iwo Jima”! E a primeira vez que vi “Perfume” foi na escola, mas não tinha entendido mas depois o aluguei e acabei gostando! Ver filme na escola é dose… rsrsrs

    Fique bem, Beijos!!!!

  7. Vinícius, ainda bem que gostou da primeira posição reservada para William Friedkin.

    Wally, ao menos temos dois em comum! Abraço!

    Gustavo, Alfonso Cuarón não foi considerado por “Filhos da Esperança” ter sido exibido aqui em 2006. E eu não vi os dois longas de Clint Eastwood. Abraço!

    Kamila, se você assistir ao filme na HBO exijo uma crítica!!!

    Mayara, tudo bem, obrigado. Infelizmente não vi “Cartas de Iwo Jima”, mas “Perfume” é explêndido. É um filme que deve ser visto com a maior calmaria, rs. Beijos!

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