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Resenha Crítica | Encarnação do Demônio (2008)

Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins

Embora muitas pessoas, especialmente as mais jovens, não tenham visto ao menos um filme de José Mojica Marins, a sua famosa criação, o Zé do Caixão, é um nome presente na vida de todos os brasileiros como se fosse um personagem folclórico. Mas não é somente do cinema que Marins se mostrava em evidência, vendo as diversas atividades que exerceu ao longo dos anos como apresentador, convidado em shows (foi na apresentação da banda “Sepultura” que ele cortou as suas enormes unhas) ou mesmo de anfitrião em seções terroríficas em parque de diversões como o Playcenter – local este, inclusive, que acontece o ápice de “Encarnação do Demônio”, filme que Marins realiza um sonho de muitos anos atrás: fechar sua trilogia iniciada em 1964 com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” e seguida dois anos depois com “Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver”.

Depois de conseguir investimento para o seu projeto quando os produtores morreram nas duas outras oportunidades passadas, aqui Marins contrói um roteiro bem simples com o apoio de Denison Ramalho. Depois de recrutar um grupo de serviçais, Zé do Caixão continua com a sua busca incessante por uma mulher perfeita ao qual gerará aquele que será o filho que prosseguirá com a sua trajetória. Mas é claro que haverá personagens que entraram no seu caminho, sendo as suas vítimas mais cedo ou mais tarde. Além daqueles moradores de favela que o enxergam com olhares nada agradáveis, há também um padre vivido por Milhem Cortaz que o procura com justificativa de vingança, contando com o suporte do Coronel Claudiomiro Pontes (Jece Valadão, que veio a falecer durante as filmagens de “Encarnação do Demônio”).

Ao cinéfilo que pouco aprecia encarar cenas fortes no cinema é bom se preparar: “Encarnação do Demônio” trás inúmeras sequências onde o banho de sangue e as diversas ferramentas de tortura são a atração principal, que vai de uma cena de sexo bem macabra assim como aquela realizada por Alan Parker em “Coração Satânico” até mergulho de mulheres em tambores com baratas e vermes e, para dar mais dicas do cardápio, outra tortura brutal com uma ratazana entrando por uma vagina. Só que o problema está centralizado mesmo na crítica, que defende este retorno de José Mojica Marins de forma infantil, especialmente quando o número nas bilheterias brasileiras não foram nada agradáveis. Um filme como “Encarnação do Demônio”, com toda a sua importância para a história de nosso cinema não merece ser relevado pelo público por causa de “similares” americanos bem-sucedidos (afinal, segundo alguns, quem vê “Jogos Mortais” e “O Albergue” tem que garantir reserva para conferir o longa por ser ainda mais brutal), sendo que o seu verdadeiro mérito se encontra na diversidade que aos poucos a nossa indústria cinematográfica vem abraçando, como visto nos prêmios merecidamente conquistados no recente Festival de Paulínia. Além do mais, “Encarnação do Demônio” é forte, caprichado e bem amarrado, mas os delírios encenados ao longo do filme não apavoram, são tediosos, repetitivos e nada parecem combinar com o Zé do Caixão.

15 Comments

  1. Kau Kau

    Alex, perdi de ver este filme!!!!! Passou no Festival daqui, mas bem nos momentos que vi outros filmes (como Gomorra). Não sei nada sobre os filmes do Zé, mas este parece ser legal :p

    Abraços!

  2. O roteiro do Dennison Ramalho é a chave desse trash maluco do Zé que eu gostei bastante.

  3. Sinceramente não me sinto tão motivado a ver um filme como esse, apesar de saber da importância do José Mojica Marins para o cinema nacional. Mas já que você elogiou esse “Encarnação do Demônio”, acho que darei uma chance para a produção em breve. Abraço!

  4. Que bom que conseguiu ver, Alex. Quero dizer, que bom em partes. Tu sabe o quanto eu odiei esse filme. Nunca havia visto nada do Mojica até então e saí do cinema certo de não ver mais nada do dele. Achei de mau gosto, entende? Aquelas cenas – essa do post ilustra bem – são muito repulsivas para o meu gosto. E você não achou todas as atuações horríveis e o final muito wtf não? []s!

  5. Gostei muito desse filme… Escrevi algo sobre ele no meu blog e foi um dos meus preferidos de terror desse ano, senão foi O preferido… Depois dá uma olhada… Critico bastante os fãs de Jogos Mortais e o Albergue que não deram chance à essa incrível produção deixando as salas de cinema completamente esvaziadas…

  6. Nunca vi não… e sinceramente? Adoro cinema brasileiro mas não vontade de ver filmes do Mojica…

  7. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Kau, então vale a pena “experimentar” “Encarnação do Demônio”, ainda mais que o longa chega este mês nas locadoras. Abraços!

    Pedro, o Mojica lhe arrancaria o cérebro se ele visse que você chamou o seu filme de “trash maluco” (ele detesta o termo “trash”).

    Vinícius, longa este mês nas locadoras. Não perca! Abraços!

    Jeff, comigo é ao contrário. Gosto demais do gênero e nem fiquei enjoado ao ver “Encarnação do Demônio”. Pelo contrário: achei quase tudo um barato! E adoraria ver outros dos seus filmes, mas não os encontro. E o Mojica é caricato ao extremo, mas o sujeito é bacana. Ah, e eu adorei o final, principalmente a transa no Playcenter! Abraços!

    Cassiano, sim, senhor!

    Nespoli, eu li o seu texto (tanto que fui o primeiro a comentar, rs). E, francamente, não consigo encontrar um paralelo entre o sucesso de exemplares americanos e o fracasso do “Encarnação do Demônio”. Acho que muito do seu fracasso está no desinteresse do público pelo cinema nacional pouco convencional e pela infeliz faixa etária. Mas tem tudo para detonar no DVD. Bem, acredito que sim.

    Robson, se você adora o cinema brasileiro não deve deixar de ver “Encarnação do Demônio”.

  8. Eu acho que o Mojica ficou meio solitário nessa corrente cinematográfica. Terror que dá bilheteria hoje em dia é com criança fantasma, remake de filme japonês, hiperrealismo etc. Uma pena. Eu, por exemplo, não vejo mais filmes de terror…

    Abs!

  9. Olá, Alex! Tdo bem?

    Tenho que confessar que não sou muito fã dos filmes de José Jojica Marins, mas este filme anda sendo muito elogiado, mas mesmo assim, não tenho vontade de ver, rsrsrs.

    Fique bem, beijos! ;)

  10. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Dudu, você tem razão, mas não deveria deixar de ver filmes do gênero. Existem grandes filmes de terror por aí. Basta ficar atento as novidades. Abraços!

    Mayara, acho que “Encarnação do Demônio” é um filme muito forte para você. Então recomendo certa distância, pois sei que você não curte sadismo. Beijos!

  11. (eu sempre me confundo em saber quem comentou ou não, rs)…

    Tipo, eu acho que são esses, os que gostam dos internacionais que deveriam ser os primeiros à experiementar o Mojica, mas concordo que muito está no desinteresse e preconceito ao cinema nacional…

    Abraços

  12. Eu sei que ele não gosta, mas é o que é. Ele não pode ir contra os fatos. Ou então ele que melhore os efeitos dos filmes dele, se ele quer tanto fugir desse rótulo.

  13. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Recentemente eu aluguei um filme do Mojica pra ver se eu conseguia adentrar ao estilo do cara, e confesso que foi “intragável” Aluguei um daqueles antigos e não consegui assistir até o final (e isso é raro acontecer comigo) Não me adaptei ao estilo dele. Adoro filmes de terror mas acho que não iria gostar desse estilo Meu tempo é curto e não posso mais desperdiçar com filmes duvidosos (duvidosos pra mim ).

  14. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    Nespoli, infelizmente é verdade. O público brasileiro ainda carrega um preconceito muito grande com o seu cinema, pensando que tudo não passa de violência, nudez, vulgaridade e palavrão. Uma pena mesmo! Abraços!

    Pedro, mas eu fico com o Mojica. Ainda que seja um horror daqueles bem escandalosos, acho que ele é bem feito ao extremo para receber o rótulo de trash.

    Marcelo, admito que ao ver “Encarnação do Demônio”, até agora o meu primeiro filme assistido do Mojica, demorei um pouco para me adaptar ao seu estilo. Mas fui me deixando levar pela “brincadeira” e acabei aprovando. Tenho muita curiosidade em ver os seus outros filmes.

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