Resenha Crítica | A Troca (2008)

A Troca | ChangelingEmbora seja um cineasta cujos filmes destacam um protagonista com sede de vingança e justiça e antes um astro de filmes de ação, como toda a franquia do grande Dirty Harry ou mesmo os western de Sergio Leone, Clint Eastwood já teve os seus momentos mais delicados, rodando filmes onde o centro eram mulheres protagonizando algum quadro muito dramático. O exemplo recente é “Menina de Ouro”, obra-prima de destaque no Oscar 2005. O atual é “A Troca”, baseado em um acontecimento verídico.

Na Los Angeles da década de 1920, Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe solteira muito dedicada ao trabalho e ao seu filho Walter (Gattlin Griffith). Depois de cancelar um compromisso de levar o seu filho ao cinema por conta do seu trabalho, Christine retorna a sua residência sem Walter estar presente. A mãe abatida com a situação entra em contato com a polícia relatando um desaparecimento. Mas a dor que Christine enfrenta vai além desta perda, pois leva meses para que sinal do menino apareça. E quando surge, não é o verdadeiro Walter que é entregue pela polícia, famosa na época pela corrupção.

Pode-se dizer que “A Troca” trás vários ambientes em destaque. O início se dá entre o trabalho de Christine e a convivência com o seu filho no próprio lar. Após os acontecimentos do resumo do segundo parágrafo, a personagem de Jolie é dada como louca e é jogada dentro de um hospício, onde, consequentemente, John Malkovich, interpretando o reverendo Gustav Briegleb, se encarrega de ganhar o seu espaço no drama, assim como Amy Ryan. E na meia hora final acompanhamos o julgamento do caso do desaparecimento de Walter.

Todos esses momentos são muito bem planejados por Clint Eastwood e a direção de arte de Gary Fettis  e James J. Murakami junto à fotografia de Tom Stern (ambos os departamentos indicados ao Oscar 2009) são essenciais para a esplêndida reconstituição de época. Angelina Jolie, indicada ao Oscar de melhor atriz, é o ponto alto do filme. Mantendo uma carreira em progresso sem tropeços desde “O Bom Pastor”, de Robert De Niro, a atriz responde por toda a emoção de “A Troca”, encarando com determinação o papel de uma mulher que enfrenta tudo e todos na esperança de encontrar o seu filho. Mas o longa apresenta um problema muito incômodo, sendo o personagem, um provável serial killer, apresentado como o causador do desaparecimento de Walter. O ator Jason Butler Harner tem um desempenho repleto de excessos como Gordon Northcott. E o roteirista Joseph Michael Straczynski não o desenha e muito menos o acrescenta na história com a qualidade obtida até então.

Título Original: Changeling
Ano de Produção: 2008
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Colm Feore, Amy Ryan, Jason Butler Harner, Eddie Alderson e Gattlin Griffith

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

18 Comentários em Resenha Crítica | A Troca (2008)

  1. Finalmente posso comentar! xD
    Dos filmes que vi da Angelina, achei esse de longe seu melhor trabalho como atriz. A força que ela dá à história é incrível. Na sessão que eu peguei, as pessoas reagiam com espanto, gemido e e leves exaltações, fazia tempo que não via um público correspondendo claramente as emoções do filme. Daí vem a qualidade da direção do Clint e do roteiro [que não acho tão problemático como muitos apontam – também não concordo com sua ressalva no fim do texto], que cria uma história muito envolvente e dura. Eu gostei bastante. É meio esquecível, confesso, mas é muito bom.
    No mais, Jason Butler Harner excelente. xD

    []s!

  2. Acho que o Clint pisa na bola com esse filme, que tem uma primeira parte até legal, mas descanba para a facilidade do maniqueísmo, inspira no espéctador um sentimento de ódio e no fim de justiça sendo feita, de forma um tanto manipulativa. Tem até liçãozinha de moral na última cena. Mas a Jolie está mesmo muito bem no filme, e a reconstrução de época é muito bem realiada. Mesmo assim, acho o filme bem fraco.

  3. Jeff, vê se começa a assistir os filmes que comento :p Bem, eu prefiro a Angelina de “Garota, Interrompida”. E é eu que não tenho que concordar com as suas colocações, Jeff, rs. Acho todas as cenas com o Jason Butler Harner super desinteressantes, sem aquele impacto que aguardamos. Abraços!

    Rafael, eu gosto de certos rumos que o filme toma, não acho que as coisas se tornam maniqueístas. O que me incomoda mesmo é o ponto que levantei, sendo as cenas com o personagem do Jason Butler Harner.

  4. O quê? Gordon Northcott é o personagem mais complexo e bem desenvolvido desse filmaço do Clint. A própria persona da Jolie é unidimensional e só é uma personagem interessante por causa do estupendo desempenho da melhor atriz das 5 indicadas ao Oscar.

    Abs!

  5. Pedro, assim como fiz com o Jeff, farei com você: discordar. O personagem no filme está super afetado, escandaloso. E ainda surge no filme “do nada”. Melhor dizendo: não se conecta com a mesma força apresentada pela luta da protagonista em encontrar o seu filho. E já disse que você é suspeito para falar da Angelina! Das cinco indicadas ela é a pior! Abraços!

  6. Eu não questino o trabalho de Angelina, e nunca farei isso. Só acho que este ano ela simplesmente roubou a vaga que pertencia à Sally Hawkins, em “Happy Go Lucky”. Acho, que dentre as indicadas, ela é, de longe, a mais fraca, seguida de Melissa Leo.
    Sobre o filme em si, apenas uma coisa me incomoda. É uma película que não admite errar e por isso acaba sem personalidade alguma (especialmente quando analisamos a direção de Eastwood, corretinha e nada mais).
    O roteiro em si, porém, me agradou.
    Nota: 7,5
    Um grande abraço, Alex!

  7. Em primeiro lugar, discordo do que disseste sobre a atuação do ator que interpretou Gordon. Ele foi ótimo, na minha opinião.

    “A Troca” foi um filme que funcionou, para mim, por causa do elenco e do roteiro. Acho que o Clint Eastwood erra, e muito, entretanto, no último ato, quando decide estender demais seu filme.

  8. Olá, Alex! Tudo bem?

    Minha nota para o filme foi bem maior que a sua, mas não o considero o melhor do Clint comparando com outros filmes dele. Se não fosse pelas cenas quase perto do ato final, minha nota seria um pouquinho maior. E espero que tenha gostado de “O Casamento de Rachel”. ;)

    Beijos!

  9. Só discordo na parte em que comenta do Jason Butler Harner, pois achei o ator extremamente competente – ainda que sua trama seja pouco interessante e não acrescente nada de mais. Achei bem fraco, apesar do bom desempenho da Angelina Jolie…

  10. Weiner, para falar a verdade acho que todas as finalistas roubaram foram o lugar da Kristin Scott Thomas, rs. A Jolie também está longe de ser a minha predileta entre as cinco (perde até para a Melissa Leo), mas eu gostei muito do seu desempenho. E eu gosto da direção de Eastwood. As falhas são mesmo do roteiro, não da direção. Abraço!

    Kamila, o final de fato se alonga mais do que o necessário. Mas isto não me foi muito incômodo.

    Otavio, concordo. Este “A Troca” parece ser o trabalho menor do diretor nesta década – e olha que ele fez “Dívida de Sangue”. Abraços!

    Mayara, parece que a metragem de “A Troca” deixou as pessoas com faniquitos (nossa, me viciei nessa palavra, rs) durante a sessão. E eu gostei demais de “O Casamento de Rachel”!!! Beijos!

    Vinícius, pelo visto todos amaram o Jason Butler Harner, mas do que a Jolie, rs. Só espero que no ano que vem ele não seja lembrando nas premiações dos blogueiros sobre os melhores de 2009, rs.

  11. Não concordo com vc sobre o Jason Butler Harner. Acho que o maior tropeço de A Troca tá na falta de tato do roteiro em não saber mesclar os atos, se alongar em coisas desnecessárias e forçar a barra na hora do julgamento. Fora isso o filme é bacana!

  12. Nos momentos finais eu já não aguentava mais acompanhar “A Troca”, o filme não acabava nunca! Mas no geral é um filme aceitável, com uma perfeita parte técnica!

  13. Luciano, até você? Acho que nunca discordaram de mim como neste post, rs.

    Matheus, eu até que não fiquei incomodado pelo último ato. Para mim as mais de duas horas não foram irritantes.

  14. Eu achei o filme o máximo!!! chorei horrores no final com a cena da criança com os pais… é um filme mt sensível e infelizmente hj em dia as pessoas não estão voltadas pra isso, só prestam atenção em interpretações e esquecem d ver o q é mais importante, o caso real da história.

  15. Marcos, mas para um caso real levado as telas adquirindo um mínimo de importância deve-se ao menos ter mais cuidado por parte das interpretações.

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