Resenha Crítica | Rio Congelado (2008)

Rio Congelado | Frozen River “Rio Congelado” é aquele tipo de filme independente que não apresenta inicialmente grandes atrativos para se tornar um grande sucesso. Afinal, a protagonista é uma atriz muitas vezes sub aproveitada pela indústria cinematográfica, tem um elenco de apoio nada conhecido, custou somente 1 milhão de dólares e a direção cabe a uma novata que ainda é encarregada de um script onde o foco são as situações de risco que as pessoas se submetem quando as condições financeiras são delicadas. Mas quando produções como este título são realizados com notável qualidade o sucesso em festivais de cinema surge assim como o reconhecimento do público.

As conquistas de “Rio Congelado” são as indicações ao Oscar na categoria de melhor atriz principal (Melissa Leo) e roteiro original (Courtney Hunt) – reconhecer o trabalho da nativa americana Misty Upham seria também uma agradável surpresa. Melissa e Misty incorporam, respectivamente, Ray e Lila. Mas antes que estas personagens se encontrem, Coutney trata de destacar Ray. Ela é uma mulher cujas marcas na face já apresentam uma trajetória repleta de sofrimentos, mas sempre enfrenta as adversidades com a cabeça erguida. E é o que faz quando não tem mais dinheiro para se sustentar nem a si e nem aos seus filhos T.J. (Charlie McDermott) e Ricky (James Reilly). Ela foi abandonada pelo marido, um jogador compulsivo. E resta a esta mulher adquirir dinheiro para ao menos render um bom natal para os seus filhos e quitar as dívidas de sua residência, um trailer grande que precisa ser submetido a vários reparos, para após financiar um novo lar.

É ao procurar pelo seu marido que Ray se confronta com Lila, uma habitante de uma reserva Mohawk com graves problemas financeiros e de visão, tendo que entregar para a avó uma filha que não pode cuidar. Lila pratica um serviço secreto que Ray logo se encarregará de fazer junto à esta desconhecida: o transporte ilegal de imigrantes clandestinos entre a divisa do Canadá com os Estados Unidos, separada por um rio congelado com sérios riscos de se romper com a passagem de veículos ou mesmo de pessoas. O dinheiro obtido com o trabalho é suficiente para as essas duas mulheres driblarem os problemas, mas problemas é o que também se multiplicam quando a polícia local desconfia sobre este transporte.

Como de praxe em produções com orçamento tão limitado, resta a Courtney Hunt o árduo trabalho de tentar desenvolver toda essa ação com a maior criatividade possível, estando livre de qualquer fácil artifício de rodar essa história contando com notáveis departamentos técnicos. Se sua direção não é magistral, o fato de centrar os acontecimentos num cenário frio, por vezes solitário, é uma virtude a se notar, além do roteiro que preserva a idéia de que sempre haverá alguma paz após a tormenta, por mais que ela possa demorar a surgir. Todavia, projetos com tais características dependem demais da entrega do seu elenco. E este é o mérito de “Rio Congelado”, que é centrar as suas câmeras para Melissa Leo e Misty Upham. Leo, sempre despida de qualquer vaidade e recebendo aqui o seu primeiro papel como protagonista, responde por muitos momentos de dolorosos sentimentos sem nunca tornar a sua Ray uma mulher que implora por pena. E Upham a acompanha ao seu lado neste drama, nunca atrás.

Título Original: Frozen River
Ano de Produção: 2008
Direção: Courtney Hunt
Roteiro: Courtney Hunt
Elenco: Melissa Leo, Misty Upham, Michael O’Keefe, Charlie McDermott e James Reilly

Data:
Filme:
Rio Congelado
Avaliação:
41star1star1star1stargray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

11 Comentários em Resenha Crítica | Rio Congelado (2008)

  1. Belos comentários acerca de Misty e Melissa, e apesar de achar que o filme peque um pouco por conta da direção, o trabalho de Hunt em frente às câmeras é sensível e bem intimista. O roteiro é bom, mas possui algumas alternações. Algumas cenas (como a do maçarico) são inúteis, por exemplo.
    Nota: 7,0
    Abração!!!

  2. Nem lembro a nota que dei. Acho que foi 7,0 ou 7,5. Courtney Hunt escreve muito bem, mas como diretora tropeça no próprio pé. Uma pena…

    Melissa é ótima, mas não conseguiu entrar no meu top 5 do ano.

    Abs!!!

  3. Caramba, fico até sem graça de comentar aqui… toda vez que venho, tem resenha de algum filme que ainda não assisti, hehehe. Mas pelo texto me interessei, gosto de filmes que se apoiam sem suas protagonistas. Claro que com alguns isso não funciona, mas por seu veredito, parece que em “Rio Congelado” funciona. Quando tiver um tempinho, darei um jeito de conferi-lo. Abraço!

  4. É o tipo de filme para se assistir em casa de manhã. O tal cenário comgelado é de se dar inveja tamanho o calorão do nosso país…rs. Embora ainda possa assitir nos cinemas da minha cidade pretendo deixá lopara ver em casa mesmo.

  5. Weiner, acho que não foram muitas pessoas que gostaram da tal cena do maçarico, rs. Eu não gosto muito da cena do bebê, mas tudo bem. Abraço!

    Matheus, eu também apreciei bastante “Rio Congelado”, mas não conseguiria conceber uma cotação maior.

    Kau, não acho que a Hunt se dê mal como diretora. Como analisei o meu texto, a também roteirista teve poucas ferramentas para moldar o seu filme. Abraço!

    Cleber, fica então a sugestão para você assistir “Rio Congelado”.

    Bruno, espero que na sua próxima visita você possa comentar em relação de um filme assistido, rs. E “Rio Congelado” dá muito certo ao se apoiar quase que inteiramente em sua protagonista. Não perca!

    Marcelo, acredita que vi o filme na minha casa de manhã? Rs. E acho que vai demorar um pouco para o filme ser lançado em DVD, mas não deixe de assistir quando isto acontecer.

  6. Também compartilho das mesmas idéias, Alex. Talvez eu tenha gostado um pouco mais da direção, do que do próprio roteiro, mas concordo plenamente quanto sua descrição sobre os personagens.

    Abraços!

  7. Olá, Alex! Tudo bem?

    Achei “Rio Congelado” um bom filme, mas senti um pouco decepcionada com algumas cenas. O roteiro é bom, mas tem falhas. Mas gostei do assunto do filme. Minha nota é a mesma que a sua!

    Beijos e tenha uma ótima semana! ;)

  8. Acho que os maiores defeitos do longa estão mesmo na direção da Courtney Hunt, talvez pela falta de experiência ou ainda os recursos limitados que teve para contar essa bela história.

  9. Alyson, que bom compartilharmos coisas em igual em questão de “Rio Congelado”. Abraços!

    Mayara, você resumiu muito bem o filme, pois apesar de bom é perceptível alguns problemas. Beijos!

    Vinícius, exatamente. Só que não acho que falte a Courtney muita experiência.

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  1. Inverno da Alma « Cine Resenhas

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