Skip to content

Resenha Crítica | O Pecado de Todos Nós (1967)

O Pecado de Todos Nós (Reflections in a Golden Eye)
O cinema americano recente tem a tendência de mostrar personagens, sendo familiares, vizinhos e amigos, cuja relação aos poucos é despedaçada, estabelecendo exemplos de que a sociedade é formada por seres decepcionados com a vida que levam e que não são capazes de encarar com muita felicidade as responsabilidades diárias, sendo as profissionais ou mesmo aquelas seguidas dentro de um lar. Este retrato que de fato se vê no mundo de hoje (ou talvez o de sempre) foi imaginado no passado através de um romance de Carson McCullers, que se transformou em “O Pecado de Todos Nós”, filme de John Huston com desempenhos fascinantes.

A narrativa é muito pessimista, retratando temas como a frustração de um casamento, paixões reprimidas, solidão, entre outras coisas. O centro do filme são os personagens de Elizabeth Taylor e Marlon Brando (que completaria neste 3 de abril oitenta e cinco anos). Eles vivem o casal Penderton. Enquanto Leonora cuida de seus afazeres domésticos juntos com a sua criada e tira a maior parte do seu dia para cavalgar com seu vizinho e amante Morris (Brian Keith), Weldon é um Major frustado e de tendências homosexuais.

Ele observa o soldado Williams (Robert Forster), homem de poucas palavras e que tem por hábito cavalgar nu por áreas nada movimentadas das florestas do povoado da Georgia. O argumento estabelece outras ligações. O soldado Williams atua, assim como Weldon, como um voyver. Mas não é uma atração oculta e profunda que está sendo correspondidada em cena, mas é a obsessão que o soldado nutre pela esposa de Weldon. Sem que Leonora note, Willians a observa com grande fascínio na maioria das vezes enquanto ela dorme. O encanto por sua beleza é tamanha que até ocorre invasões em seu quarto de Leonora.

Morris também tem uma vida em seu lar complicada, embora assim como todos os personagens tenta viver de aparências perante as outras pessoas. Ele é marido de Alison (Julie Harris), uma mulher enferma e reclusa em seu próprio quarto que sempre conta com a presença com o seu criado Anacleto (Zorro David) tanto para lhe servir quanto para fofocar. Embora seja encarada em muitos momentos como uma mulher descontrolada, louca e até mesmo suicida, é aquela que melhor compreende as pessoas que a cercam e os segredos que guardam.

Nessa história, onde o premiado “Beleza Americana” guarda lá as suas semelhanças, contou com um recurso muito interessante dos diretores de fotografia Aldo Tonti e Oswald Morris (este não sendo creditado). Todo o filme está em tom sépia, o que fortalece ainda mais o título original da obra, sendo muito destacado os olhares dos personagens, sejam os de admiração ou rejeição. Mas a tradução que o drama aqui recebeu também é oportuna. Todos no filme de John Huston tem os seus pecados e as consequências são arrebatadoras.

Título Original: Reflections in a Golden Eye
Ano de Produção: 1967
Direção: John Huston
Elenco:
Elizabeth Taylor, Marlon Brando, Brian Keith, Julie Harris, Zorro David, Gordon Mitchell, Robert Forster e Harvey Keitel.
Nota: 10

8 Comments

  1. Uhm, já disse que 10 foi exagero. hehe
    Bem, seu texto me deixou na mesma, Alex. Ele não ia mudar minha opinião, claro, mas tivemos impressões parecidas, não vi menos que você e nem mais do filme, porém, minha nota foi menor [7,5]. Um bom filme, principalmente pelo elenco [Brando + Taylor] e pela direção, apesar de ter me sentido cansado em alguns momentos.
    Uma coisa que gostei bastante é a frase do início, que já nos prepara para o desfecho. O interessante é que ele é um tanto vago, e aí o longa nos mostra a história que pode surgir daquela pequena premissa.
    É, é bem bom.

    []s!

  2. Conheci esse filme pelo review da revista SET, e certamente, pelos nomes envolvidos e pelo teor da trama, uma futura sessão está assegurada.

    Cumps.

  3. Uma DR entre Brando e Taylor deve ser, no mínimo, interessante! Nota 10, hein? Fiquei bem curioso.

    Abs!

  4. Nunca tinha ouvido falar neste filme, antes, pode? E seu texto me deixou com muita vontade de ver “O Pecado de Todos Nós”. Acho que esse deve ser o primeiro longa a receber um 10 seu, correto?

  5. Acho que preciso reservar um tempo para ver mais filmes como esse, tenho muita curiosidade nas produções com o Brando – vi pouquíssimas, por sinal…

  6. Olá, Alex! Tudo bem?

    Não sabia deste filme, mas agora com sua resenha falando tão bem, acho que irei correr atráz dele.

    Beijos e tenha um ótimo fim de semana! ;)

  7. Jeff, talvez o fato de termos uma mesma opinião sobre o filme não queria dizer que a história seja absolvida da mesma maneira. Eu gosto muito de filmes assim, que joga os “podres” dos seus personagens para o espectador assistir sem cerimônia. Abraços!

    Gustavo, faz muito bem. O filem trás uma história que certamente deve agradá-lo. Abraços!

    Filipe, participarei, pode deixar.

    Dudu, fica então o filme como sugestão para você assistir.

    Kamila, errado. “Possuídos” e “Terra das Sombras” foram os dois filmes comentados aqui a receber a mesma nota.

    Vinícius, não vi muitas coisas do Brando também. Mas aqui eu o vi naquela que considero até a essa altura do campeonato o seu melhor desempenho.

    Mayara, corra mesmo. O filme foi lançado no Brasil em formato DVD não faz muito tempo. Ah, e comigo está tudo bem, obrigado. Beijos e tenha um ótimo final de semana também!

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: