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Resenha Crítica | O Tempo de Cada Um (2002)

O Tempo de Cada Um | Personal Velocity: Three Portraits
Existe um instante em nossas vidas no qual planejamos uma mudança radical. O cansaço da submissão, da convivência com pessoas distantes de tudo e a escolha de um caminho melhor para prosseguir requer coragem e o tempo certo de se agir. Parece uma abordagem fácil para se fazer um filme, mas, assim como na vida real, não é. Essa ambição em decifrar o que pode se tornar um sentido na vida  ou quais escolhas devem ser tomadas para isto é o tema selecionado pela diretora Rebecca Miller em “O Tempo de Cada Um”, um drama independente inspirado em contos de sua própria autoria. Mais conhecida por ser esposa de Daniel Day-Lewis e filha do famoso dramaturgo Arthur Miller, Rebecca Miller construiu três mulheres cuja única ligação é a notícia recebida de formas distintas onde informa que, pela madrugada, houve uma tragédia.
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Delia (Kyra Sedgwick) é a primeira a ser apresentada. Dura e liberal, mas mãe e esposa dedicada, ela apanha do próprio marido por tolos motivos. Apesar de sempre planejar uma fuga, Delia o ama. O segundo (e melhor) episódio a personagem é Greta (Parker Posey), uma editora de livros um pouco deprimida por não amar o seu marido e sentir grande incômodo por viver à sombra do pai advogado bem-sucedido. Mas será o sucesso da parceria (e relacionamento) com o escritor Thavi Matola que Greta decidirá o que fará daí por diante. Para encerrar estes retratos, Paula (Fairuza Balk), que tem ligação direta com a tal tragédia dita anteriormente, esconde estar grávida do namorado e retorna à cidade onde sua mãe mora depois de tantos anos. Mas a carona que presta ao garoto Kevin a fará pensar profundamente sobre a situação que está.
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Rebecca Miller, que antes  só havia dirigido um longa nada visto (“Angela”, de 1995) e interpretado papéis minúsculos em filmes como “O Círculo do Vício” e “Love Affair – Segredos do Coração”, rodou “O Tempo de Cada Um” logo após a publicação de “Personal Velocity”, que obteve grandes elogios por parte da crítica literária. Na adaptação para o cinema comprova forte domínio diante da realização em recurso digital, onde as interpretações ganham destaque. Kyra Sedgwick, Parker Posey e Fairuza Balk estão sublimes e conseguem se superar diante da pouca densidade conferida por Rebecca Miller diante de alguns acontecimentos. Esta pequena incorreção, no entanto, não impediu que a cineasta fosse reconhecida no Independent Spirit Awards (Prêmio John Cassavetes) e no Sundance Film Festival (Grande Prêmio do Júri). Com os três bons retratos femininos que compôs, Miller é uma profissional a se observar dentro do cinema independente. O seu próximo filme será “The Private Lives of Pippa Lee”, também adaptação de um dos seus livros que trará Robin Wright Penn como protagonista e Keanu Reeves, Alan Arkin, Mike Binder, Julianne Moore, Winona Ryder, Maria Bello, Monica Bellucci e Blake Lively como coadjuvantes.
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Título Original: Personal Velocity: Three Portraits
Ano de Produção: 2002
Direção: Rebecca Miller
Elenco: Kyra Sedgwick, Parker Posey, Fairuza Balk, Lou Taylor Pucci, Joel de la Fuente e narração de John Ventimigli

7 Comments

  1. O elenco feminino (Kyra Sedgwick, Parker Posey e Fairuza Balk) realment chama muito a atenção, até porque as três brilham quando tem uma boa oportunidade no cinema – pena que nunca tenham alcançado o reconhecimento. E já estou curioso a respeito do novo filme da Rebecca Miller.

  2. Vinícius, mas para falar a verdade eu prefiro que esse “reconhecimento” nunca chegue. Sabe por que? Olha só o que o cinemão fez quanto teve a oportunidade de pegar essas atrizes: Balk fez “A Ilha do Dr. Moreau”; Posey “Blade Trinity”; Sedgwick “Fenômeno”. Então prefiro continuar apreciando elas através do cinema independente. E “The Private Lives of Pippa Lee” já é um dos filmes que mais aguardo para os próximos meses.

  3. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Sempre tive carisma pela atriz Kyra Sedgwick desde que a vi anos atrás em “Obsessão de Kevin Bacon” Vi esse filme na locadora e até manuseei algumas vezes porém não tinha referência nenhuma, agora tenho. E boa.

  4. Marcelo, eu também. E você mencionou justamente aquele que foi o filme onde ela me conquistou: “Loverboy”. Tenho até ele na prateleira. E vale a pena alugar “O Tempo de Cada Um”, você deve gostar.

  5. OLá, Alex! Tudo bem?

    Ainda não vi este, mas estou curiosa por “The Private Lives of Pippa Lee”, que foi muito elogiado no último festival de Berlim. ;)

    Beijos!

  6. Mayara, não procurei pesquisar muito sobre a recepção conferida à “The Private Lives of Pippa Lee” no festival de Berlim. Aliás, é uma boa observação, lerei o que foi comentado agora. Beijos!

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