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Resenha Crítica | Mamãezinha Querida (1981)

Mommie Dearest, de Frank Perry

“Mamãezinha Querida” é o título de um dos projetos mais polêmicos a serem realizados nos anos 1980. Este filme, dirigido por Frank Perry e protagonizado por Faye Dunaway, é uma adaptação do livro autobiográfico de Christina Crawford, filha de Joan Crawford – considerada uma das maiores estrelas que Hollywood já produziu. Mas a Crawford de “Mamãezinha Querida”, tanto a do livro de Christina e a do filme de Frank Perry, não é aquela que batalhou desde a adolescência até firmar um contrato de anos com a Metro Goldwyn Mayer. A Joan Crawford daqui é uma mulher amarga e desprezível.

Nos créditos iniciais, vemos Faye Dunaway, que através de um belo trabalho de maquiagem consegue adquirir uma aparência extremamente similar a de Crowford, protagonizando uma longa sequência onde cuida de sua própria aparência e a da sua mansão de forma rígida. Já é um sinal de que será em questão de pouco tempo para vermos um “mostro” surgir. Enquanto não apresenta nenhuma atitude assustadoramente agressiva, Joan Crawford é uma mulher que é grata pelas maravilhas que a cercam, desde a fama e fortuna que lhe são recompensas do seu trabalho como atriz até os amores, sejam dos homens (o ponto de partida do filme já revela que Joan enfrentou dois divórcios, com Douglas Fairbanks Jr. e Franchot Tone) ou dos fãs.

O que falta a ela é uma única coisa que não pode ter: um filho. Embora o processo de adoção seja a princípio um obstáculo para ela, já que enfrentou divórcios e não poderá conciliar as tarefas maternais com as de seu trabalho, não demora para Crawford conseguir uma criança, ao qual batiza de Christina. Na infância, fase na qual é interpretada por Mara Hobel, já é vítima de maus-tratos.

A rigidez de Crawford é aplicada em castigos e até agressões. Alguns, como a punição por causa dos cabides de arame usados por Christina para pendurar no closet os caros vestidos que ganhou, são duros de acompanhar. Nem na fase adulta, quando Christina ganha os contornos da atriz Diana Scarwid, o perverso comportamento de Joan é amenizado, mesmo depois de sua filha adotiva passar por colégios internos e religiosos. Christopher, o segundo filho adotivo da atriz, também passa por poucas e boas.

Embora já se tenha passado 27 anos desde o tempo de produção de “Mamãezinha Querida”, a sua má reputação permanece até hoje. Ainda que não tenha sido um fracasso comercial, já que seu custo de produção foi recuperado no seu primeiro final de semana em exibição nas telas de cinema americano, a crítica não foi nada piedosa com o retrato negativo de Joan Crawford em “Mamãezinha Querida”.

Inclusive, esse foi o filme que iniciou o declínio que assombra até hoje na carreira de Faye Dunaway, antes prestigiada por filmes como “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”, “Chinatown” e “Rede de Intrigas”. A atriz foi dada como culpada pelo resultado final do filme, especialmente por se propor a dar vida a uma Joan Crawford conforme o retrato desenhado por Christine.

Acima de tudo,  Frank Perry fez um ótimo filme e, mesmo que sejam ignoradas outras coisas, como o fato de Crawford ter adotado mais crianças, muitas coisas estão registradas, desde a sua reação ao ouvir o seu nome anunciado como a vencedora do Oscar por “Almas em Suplício” até a sua união com Alfred Steele, que tinha forte cargo dentro da Pepsi Cola. Ainda assim, o mistério sobre Joan ser uma mulher perversa ou bondosa persiste.

Vale lembrar que até a grande Bette Davis, que contracenou com Crawford em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, defendeu a atriz dos relatos de Christina em seu livro, mesmo que Bette já tenha assumido que não gostava de Joan. No fim das contas, independente de qual conceito adotar sobre Crawford, “Mamãezinha Querida” traz algo que todos sabem e concordam: a imagem que a atriz sempre carregou de grande mito da história do cinema.

13 Comments

  1. Esse ainda ñ vi, mas está na lista pra ver algum dia com certeza! Abs! Diego!

  2. Muito bom, Alex. Esse filme, apesar de alguma má fama, parece incontornável e está na mira de uma futura sessão.

    Cumps.

  3. Pra falar a verdade eu tenho muito medo desse filme, especialmente por essa má reputação que ele tem até hoje, mas sem dúvida o argumento é muito interessante – até por parecer ser um tanto diferente de outras produções semelhantes.

  4. Nunca vi esse filme, mas fiquei curioso agora. Parece ter uma cara bem anos 80 mesmo.

    Abraços!

  5. Bem, conversamos uma vez no MSN a respeito deste longa, e me lembro de você dizer que foi um divisor de águas na carreira da Dunaway, de Sra. Chinatown para Sra.Hóspede Quer Bananas.
    Pena que não tenha ele para alugar aqui, e também não achei na net. Gosto da Joan Crawford como atriz, sendo que já conferi “Almas em Suplício” (mas não vi grandes coisas). Meu filme preferido dela ainda é “O que terá acontecido a Baby Jane?”.
    Não sabia que ela era um demônio com os filhos, e pelo visto o roteiro do filme mostra poucas e boas a respeito de sua vida particular. Mas, sinceramente, tenho os dois pés atrás com um filme eleito o pior da década de 80.
    Quero ver por curisidade mesmo.
    Um abraço!

  6. Vi faz uns anos no TC Cult quando este ainda se chamava TC Classic. Já assisti sabendo da má reputação do filme – inclusive a Faye Dunaway o responsabiliza pela carreira dela ter desabado. Ela de fato está bem canastrona. Já o filme em si é válido. Apesar dos fãs fervorosos da Crawford se recusarem a levá-lo em consideração, preferindo acreditar que Cristina é uma aproveitadora ingrata. E quem garante o contrário?
    Abraço!

    http://lettersfromlouis.wordpress.com/

  7. Diego, não deixa ficar muito tempo pendente na sua lista, viu? Abraços!

    Gustavo, embora de má fama, conheço mais pessoas que gostaram do filme do que o contrário. Abraços!

    Vinícius, eu confesso que não conheço muitos filmes de biografias não autorizadas e não vejo razão para você ter medo do filme.

    Ciro, é um filme bem marcante daqueles tempos. Merece ser visto!

    Weiner, o Framboesa de Ouro é só uma palhaçada, não dá para ficar tão desconfiado assim de um filme só por causa da premiação. E este foi, sim, o filme que “detonou” a Faye, embora eu acredite que ela esteja muito bem. Já sobre a Joan e não vi praticamente nada com ela, mas depois de “Mamãezinha Querida” vou procurar que nem louco pelos seus filmes. Abraço!

    Louis, eu gostei muito da Faye, não achei nada canastrona (nem naquela cena do cabide eu achei isso). E para nós, cinéfilos, é um filme bem válido mesmo pelo registro que faz da sua personagem real e da época ao qual a história se moveu. Abraço!

  8. […] de Frank Perry, não é aquela que batalhou desde a adolescência até firmar um contrato de anos click for more var gaJsHost = ((“https:” == document.location.protocol) ? “https://ssl.” : […]

  9. luan correia luan correia

    pior q foi por causa desse filme q decidiram criar o razzie awards.a tal associação lá moribunda se viu compelida e resolveu dar um basta naqueles q produziam algo de subversivo e q quisesse detonar com Hollywood. bem, joan crawford era a queridinha de Hollywood e o filme desconstruiu ela todinha…

    tem na FARRA pra baixar.

  10. Luan, acho que a Joan Crawford deve estar se debatendo em seu túmulo por causa deste filme, rs. Mas eu gostei bastante do que vi, os Framboesas foram para lá de injustos (eles até deram o prêmio de pior filme da década de 1980 para ele!). E foi através do FARRA que eu assisti a este filme. :)

  11. Livia Livia

    Olha, adotei esse filme como minha biografia rsrs
    Muito triste, mas existem mães bem próximas do que é mostrado no filme. Não sei se é o caso da Crawford, mas a minha…. :/

    • Livia, o que posso dizer é que torço por uma reconciliação e que nada resulte em uma (cine)biografia amargurada. ;-)

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