Austrália

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Neste ano o épico romântico “…E o Vento Levou” completa nada menos do que setenta anos desde o seu ano de lançamento. A data, tão importante para qualquer cinéfilo, serve para festejar este clássico obrigatório que se torna mais emocionante e mágico a cada tempo que passa. É também o título que o cinema tenta, mas não consegue criar uma produção a altura. “Austrália”, de Baz Luhrmann é um dos vários exemplos existentes que nascem com essa pretensão, embora o conteúdo também lembre “Assim Caminha a Humanidade”. Milhões e milhões de dólares foram investidos nesta produção de primeira que trás em seus departamentos técnicos um trabalho de encher os olhos. Mas falta algo muito importante à “Austrália”: um roteiro consistente.

A história inicia quando Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) vai para Austrália em busca de seu marido, dono de uma fazenda. Ao chegar no local se depara com o seu cadáver. Com esta perda logo abandonará toda a vida luxuosa de antes para lidar com as responsabilidades nesta terra que terá como o  seu novo lar. A sua primeira missão é transportar centenas de cabeças de gado e, para isto, conta com as habilidades do Capataz (Hugh Jackman), com que obviamente terá um romance. E como é tradição no gênero, não pode faltar aquele personagem que conspira contra os planos dos protagonistas. Ele é incorporado por Bryan Brown e sua intenção é lucrar com as terras e o gado que agora é de Sarah. Depois disso, a história se concentra tanto no garoto aborígene Nullah (Brandon Walters), que acaba sendo “adotado” como uma espécie de filho para Sarah, o misticismo por trás dessa criança e também o aparecimento da Segunda Guerra Mundial.

Está história do próprio Baz Luhrmann necessitou de aproximadamente três horas para ser contada. Elas não chegam a custar a paciência de quem embarcar na aventura, mas as maneiras do diretor Luhrmann em contá-la é algo totalmente desapontador. A sua intenção aqui é homenagear a sua terra natal com um romance cuja moral de dedica a mostrar que as nossas conquistas, sonhos, desejos e felicidade estão nos aguardando em nossos próprios lares. É uma pena que a beleza dessa mensagem seja mostrada somente através de imagens, onde paisagens parecem ser verdadeiras pinturas artísticas. Há encanto em “Austrália” quando abre espaço para referências da fantasia “O Mágico de OZ” para fortalecer ainda mais essa idéia, mas o restante se resume a uma obra ancorada por um casal sem um pingo de química e que se atrapalha ao se articular com tantos temas.

Título Original: Australia
Ano de Produção: 2008
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Nicole Kidman, Hugh Jackman, Bryan Brown e Brandon Walters.
Nota: 5.0

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

17 Comentários em Austrália

  1. Filmes excessivamente longos (leia-se 3 horas) eu prefiro ver no conforto do meu lar, mesmo sabendo que essas três horas vão virar 4 ou 5. O elenco é muito bom, mas eu não fui com a cara desse diretor embora Moulin Rouge seja a melho coisa que ele tenha feito. Austrália ficará sacramentado como um dos filmes que eu não irei ver.

  2. Dividimos a mesma opinião em certos aspectos, mas no todo consegui ser convencido pela luxuosidade da produção e o sentimento “mágico” que carrega consigo. Austrália é pura homenagem, e funciona. O problema é o excesso, e tem muito! E, apesar do visual ser um espetáculo, não tem como lamentar a artificialidade de certas tomadas. O filme, entretanto, me entreteu, e a história é charmosa o bastante para sobreviver.

    Nota 7.0

  3. A questão maior foi que o exagero de Baz Luhrmann, que tanto foi bom para suas outras obras, aqui não se encaixa. Ele quis ser grandioso demais e não deu certo. Falta carisma e roteiro bom nesse filme.

  4. o filme se perde logo no começo, com uma passagem de tempo meio frenética, estranha…

    mas ele melhora e poderia ser um filme bom se terminasse com a cehgada dos bois no porto. mas o filme se alonga de uma maneira desnecessaria e irritante, com muitos cliches no final.

    nota 6.5

  5. Achei um horror!!! Ainda disputa o título de pior estréia do Brasil este ano, ao lado de bombas como 3 Macacos, Evocando Espíritos e The Spirit. A que ponto a Nicole chegou, hein!!!

  6. Acho que o Baz Luhrmann mudou de gênero mas não se esqueceu do exagero típico de sua filmografia. Isso poderia até ser bom, mas realmente não combina para um romance como esse. O visual do longa, entretanto, é estonteante.

  7. Oi Alex! Exceto pelo Moulin Rouge, não me encanta os demais trabalhos do Baz Luhrmann. Posso estar sendo preconceituoso, mas acho que ele é mais apreciado pelo público feminino. O Austrália vem dividindo opiniões, mas todos são unânimes em dizer que ele é longo demais para tão pouca história. abs.

  8. Eu vi o trailer no cinema e cheguei a duas conclusões:

    1 – Não preciso ver o filme porque o trailer conta toda a história;

    2 – Neeeeeeeem fodendo vejo uma história de amor que dura cerca de três horas com Kidman e Jackman!

    Abs!

  9. Olá, Alex! Tudo bem?

    Nossa! Incrível como o filme andou recebendo comentários bem negativos. Foi este o motivo por não o ter visto no cinema. Mas acho que só vale pela parte técnica mesmo. rsrs.

    Beijos e tenha um ótimo domingo. ;)

  10. Cleber, o único acerto do filme é mesmo o visual, que é de encher os olhos.

    Marcelo, eu preciso de muito tempo livre para assistir a filmes com toda essa metragem, embora eu não ache que um filme com três horas aparentam quase sempre ter o dobro disso. Geralmente isto me acontece com filmes que tenham mais de 100 minutos. E eu gosto dos dois filmes anteriores à “Austrália” orquestrados pelo Baz Luhrmann (Só não vi “Vem Dançar Comigo”, acho que este é o nome).

    Brenno, depois tente me dizer o que achou do filme.

    Wally, acho que a única cena onde ela não me agradou visualmente foi ao do bombardeio. Mas o restante eu achei maravilhoso.

    John, você tem razão. “Austrália” tem três atos muito diferentes entre si.

    Kamila, é verdade! Mas o problema é de Hollywood. Ele teve 130 milhões de dólares para fazer o filme, provavelmente essa coisa de “ser grandioso demais” foi por impulso dos diretores.

    Pedro, eu já disse que odeio quando as pessoas usam coisas que escrevo como citação somente para me constranger ¬¬’

    Shaun, eu dei muitas risadas nas primeiras cenas, mas dá a impressão mesmo de que tudo está fora dos eixos. E juro que estava torcendo para o filme terminar depois da cena de transporte de todo o gado, rs.

    Louis, é proibido falar mal da Nicole Kidman neste blog. Se o fizer novamente pagará multa ¬¬’ Brincadeira! E eu gostei de “The Spirit”, mas concordo em relação de “Evocando Espíritos”.

    Vinícius, é bem verdade. Há muitos exageros no filme, embora o seu visual compense parcialmente.

    Charles, você tem razão. Todas as mulheres do cinema, inclusive a minha mãe, suspiraram sem cerimônia diante da cena onde o Hugh Jackman se banha. E Nicole tem tira o seu vestido para fazer o mesmo e se redimir com a platéia masculina… E ele é bem longo, mas este é o menor dos problemas comparado aos percursos do roteiro. Abraços!

    Dudu, eu não concordo com a segunda conclusão. Eu vejo Nicole Kidman até mesmo se o filme tiver cinco horas de duração e com Leonardo DiCaprio como protagonista e Uwe Boll na direção. Abraços!

    Mayara, eu me arrependi de ter pago para ver este filme na tela grande, pois a decepção acabou sendo maior. E a parte técnica é mesmo o melhor aspecto do filme. Beijos!

  11. Gosto da Nicole e do Hugh, mas os 2 nesse filme estão bem a quem a do esperado, sem química alguma, e Nicole muito fraca na atuação, e o filme longo demais, q ate tem alguns bons momentos, a fotografia e o visual de algumas tomadas são ótimas, mas ficou faltando um algo mais! nota 5.0 tbm! Abs! Diego!

  12. Diego, eu também achei que o casal está sem química e Nicole Kidman, fraca (embora eu ache que ela tenha alguns bons momentos no longa). De fato é um épico que tem faltando um (ou mais de um) algo a mais. Abraços!

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