Dia das Mães – 10 Mães do Cinema

Nada melhor do que aproveitar a data de hoje para apontar dez dos vários títulos que o cinema já produziu que destacam a figura materna. Muitos retratos de mães que já conferimos as apresentam em diversas situações complicadas em família, seja a responsabilidade que desempenhar o papel de mãe traz, seja a rebeldia dos filhos ou a traição do marido. Mas há também aquelas errantes, vilãs. Mas antes de eu relacionar aquelas que mais me marcaram diante da personalidade ou da história que protagonizam, não posso me esquecer de desejar um feliz Dia das Mães para a minha, Aparecida, que não desempenha somente este papel, mas também o de pai e amiga. E também desejo a mãe de todos vocês, cinéfilos e cinéfilas, um ótimo dia. Dica: que tal vocês se reunirem com ela esta noite e ver um filme descompromissado ou um desses listados abaixo? Garanto que não há presente melhor! :-)

Maldito Coração, de Asia Argento (2004, The Heart Is Deceitful Above All Things)
Quem pensava que este filme mais popular de Asia Argento na direção seria algo parecido com que sempre foi realizado pelo seu pai, Dario Argento, provavelmente quebrou a cara. Aqui não há qualquer cena de horror regado a sangue, embora muitos dos acontecimentos sejam muito, muito incômodos. Em “Maldito Coração” o perfil que podemos retirar de mãe é o de louca, irresponsável, abominável, mas ainda assim uma mãe. O filme acompanha as várias fases de crescimento de Jeremiah e a tumultuada vida com a sua mãe Sarah, que troca de homens assim como troca de roupas. Mas quem pagará o preço é o próprio Jeremiah, que, numa sequência que nunca sairá de sua memória, é molestado por um dos amores de Sarah.

Do Jeito Que Ela É, de Peter Hedges (2003, Pieces of April)
Na minha opinião, “Do Jeito Que Ela É” é o melhor filme a tratar de uma relação entre mãe e filha, bem como um dos meus favoritos. Filmado em recurso digital somente com 300 mil dólares, Hedges estreia na direção com este filme que é uma homenagem para a sua mãe, cuja história é simples, mas capaz de comover qualquer um. Katie Holmes e Patricia Clarkson, perfeitas, nunca tiveram um momento juntas válido para ser lembrado. Digamos que a filha dá uma chance para a mãe e vice-versa para registrar um bom momento. E a previsão para que isto aconteça será no Dia de Ação de Graças. Mas as coisas não darão certo com muita facilidade, pois Holmes não consegue dar conta dos preparativos para a data em seu modesto apartamento e Clarkson, diagnosticada com câncer, está com os dias contados. Preparem os lenços!

Entre Quatro Paredes, de Todd Field (2001, In the Bedroom)
No filme de Todd Field, Tom Wilkinson e Sissy Spacek vivem um casal que durante toda a união tiveram um único filho, que é interpretado por Nick Stahl. Ele namora com Marisa Tomei, que é bem mais velha do que ele. Mas o problema não é somente a idade: William Mapother, ex-marido da Marisa, é um sujeito explosivo e que interferirá no relacionamento dos dois, o que culminará um acontecimento trágico. A mãe feita Sissy Spacek, que já imaginava que algo de bom não aconteceria durante neste namoro, protagoniza duas cenas devastadoras, uma com Wilkinson e outra com Marisa Tomei. Esplêndido drama que traz um outro lado da moeda: a dor da perda filmada através dos pais, e não dos filhos.

O Dom da Premonição, de Sam Raimi (2000, The Gift)
No melhor filme de toda a filmografia de Sam Raimi, Cate Blanchett é Annie. Ela herdou um dom que a faz ter pistas do que acontecerá no futuro daqueles que passam por consultas com ela. A sua amiga Valerie (Hilary Swank) é a que mais pede para que coisas da sua relação com o seu rude marido (Keanu Reeves) sejam esclarecidas. Dá que ele se torna suspeito do desaparecimento da jovem Jessica (Katie Holmes), que estava prestes a se casar com Wayne (Greg Kinnear). Embora o destaque aqui seja o mistério desse desaparecimento e o culpado por ele, o que mais fortalece a narrativa é a situação da personagem de Blanchett, uma mulher pobre e com filhos para criar que passa a ser chamada de bruxa por muitas pessoas que vivem em seu município. E essa história é inspirada na vida da mãe do ator Billy Bob Thornton, que aqui assina o roteiro.

De Bem com a Vida, de Nick Cassavetes (1996, Unhook the Stars)
Millie (Gena Rowlands) revela um retrato diferente do que já foi visto sobre as mães. Ela é viúva e mãe de dois filhos bem crescidos. Um deles é casado, vai ter um filho e está com a vida profissional em ascensão. A outra também já amadureceu, mas acaba de abandoná-la. Sozinha, se dispõe a cuidar do filho da sua vizinha Monica (Marisa Tomei), que está com um casamento em ruínas. Esse menino, que é interpretado por Jake Lloyd, fará com que Millie repense muito sobre a sua existência. Bela homenagem para Gena Rowlands, mãe de Nick Cassavetes, que aqui incorpora uma mulher que precisa que as responsabilidades e que aqueles que a cercam, especialmente os seus dois filhos, lhe deem espaço para ficar, como o ótimo título nacional entrega, de bem com a própria vida. Leia mais sobre o filme clicando aqui.

Mamãe é de Morte, de John Waters (1994, Serial Mom)
Para o gênio bizarro John Waters, ter uma serial killer como mãe é motivo para se orgulhar. E, para ser franco, deve ser mesmo. Aqui a extraordinária Kathleen Turner faz tudo o que uma boa mãe deveria: mata a velha cliente da locadora do seu filho (papel de Matthew Lillard) que nunca rebobina as fitas de vídeo e o professor que lhe dá notas baixas, acerta um arpão no namorado cafajeste da sua filha (Ricki Lake) e elimina a vizinha que não recicla o próprio lixo. Quer mais? Ela ainda mantinha contato com amigos como Ted Bundy e Richard Speck. Que amor de mãe!

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Laços de Ternura, de James L. Brooks (1983, Terms of Endearment)
Se o assunto é mães cinematográficas não há exemplo ideal a ser lembrado do que “Laços de Ternura”. Neste drama oscarizado de James L. Brooks, Shirley MacLaine é a mãe de Debra Winger. As duas são aquele tipo de mãe e filha que nunca se separam, mesmo com os atritos que a relação apresenta. Dá que Debra Winger cresce e amadurece e se casa com Jeff Daniels, com quem terá três filhos, dois garotos e uma menina. O filme recebeu uma sequência, “O Entardecer de Uma Estrela”, que é tão bom quanto, mas o melodrama de L. Brooks permanece como aquele que melhor explora a a relação mãe e filha.

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Mamãezinha Querida, de Frank Perry (1981, Mommie Dearest)
Nem pensem em passar a data com a mãe vendo esse filme, caros! O filme é baseado em um best-seller de Christina Crawford, que por sua vez descreve as poucas e boas que viveu desde que foi adotada por Joan Crawford. Esta, que fora uma grande estrela de Hollywood, parecia não ser a mesma pessoas que os seus fãs e a mídia conheciam. Recomendado para aqueles que querem saber mais sobre Joan e também para as vítimas de castigos e agressões da própria mãe e que planejam se vingar. Brincadeiras à parte, leia mais sobre o filme aqui.
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Kramer vs. Kramer, de Robert Benton (1979, Kramer vs. Kramer)
Não é só de uma figura feminina que se forma uma mãe. No caso do famoso filme de Robert Benton, um pai, diante do abandono repentino da esposa e com o filho pequeno para criar, acaba se tornando obrigado a assumir também as responsabilidades de mãe. Embora o roteiro recorra a uma injustiça, o de não desenhar muito bem as motivações e dramas da personagem de Meryl Streep, dando a impressão de que estamos diante de uma autêntica bitch, o filme sobrevive e se torna relevante diante da data devido ao notável desempenho de Dustin Hoffman, que agarra esse papel que lhe rendeu seu primeiro Oscar com uma veracidade impressionante.

O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (1968, Rosemary’s Baby)
O amor de mãe também pode servir como abordagem para um filme de terror. Foi assim que Roman Polanski deve ter pensado ao conceber “O Bebê de Rosemary”, adaptação da novela de Ira Levin. Em seu papel mais famoso, Mia Farrow é Rosemary. Ela é esposa de John Cassavetes, que vive um ator decadente. Hospedados no edifício Dakota (futuro palco para o assassinato de John Lennon), Rosemary engravida e no período de gestação vê à sua frente estranhos fenômenos que envolve o seu marido e também os próprios vizinhos. Ainda assim, é o desejo em ter um filho que a fará ter forças para tentar se afastar desse estranho ritual.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

17 Comentários em Dia das Mães – 10 Mães do Cinema

  1. Sua seleção é muito eclética e acho que ninguém sugeriria “Mamãezinha Querida” para esta data!! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrsrsrs

  2. Também gosto muito de “Do Jeito Que Ela É” e concordo com o que você escreveu aqui, desse gênero é um dos melhores. E esse “Mamãezinha Querida” me deixou muito curioso quando comentou o filme, bem como “Mamãe é de Morte”, hahaha.

  3. Pensando assim de supetão, me vem à cabeça a mãe de Tudo Sobre Minha Mãe, do Almodóvar, a Noiva de Kill Bill e a mãe de Leonera. E o sentimento materno da mãe-Mia Farrow em O Bebê de Rosemary é algo assustador!!!

  4. Quando penso em “filmes de mãe “o primeiro que me vem a cabeça é Obsessão de Kevin Bacon. Dessa lista “Do jeito que ela é, De bem com a vida eu veria com a minha. Laços de Ternura não.

  5. Kamila, eu tentei relacionar o maior número de filmes diferentes entre si. E eu acho que a minha mãe gostaria se visse “Mamãezinha Querida” ontem, rs.

    Vinícius, “Mamãe é de Morte” é uma das minhas comédias prediletas em todos os tempos, se não a melhor. É fácil de encontrar esse filme, fica aí como sugestão.

    Rafael, “Tudo Sobre Minha Mãe” eu considero mais uma homenagem as mulheres em geral do que somente para aquelas que são mães. Eu considerei “Kill Bill” e “Leonera”, mas o primeiro ficou de fora por falta de espaço e o segundo por eu não ter gostado muito.

    Pedro, ah tá!

    Pedro, obrigado.

    Cleber, não perca tempo, procure pelos outros nove filmes.

    Marcelo, e não é que “Obsessão” é uma ausência de fato sentida por mim? Embora não seja um filme excepcional, deveria ter tentado colocá-lo entre os dez. E por que você não veria “Laços de Ternura”?

  6. Laços de Ternura é muito triste, minha mãe não gosta muito desses filmes assim, Eu não veria o filme “com ela” mas eu já vi e gostei

  7. Pô, que legal essa homenagem, Alex, parabéns! Se sua mãe viu esse post, tenho certeza que ficou orgulhosa. Gosto da maioria desses filmes listados por vc, mas meu preferido é “O Bebê de Rosemary”, uma das obras ímpares do Terror. Abraço!

  8. Marcelo, entendi. “Laços de Ternura” é um filme bem tocante, especialmente na cena SPOILER!!! do leito de morte da Debra Winger.

    Bruno, minha mãe não acessa a Internet, mas acho que ela gostou quando falei que usaria uma de nossas fotos, rs. E concordo com você em relação de “O Bebê de Rosemary”, o meu filme predileto do Polanski. Abraço!

  9. Olá, Alex! tudo bem?

    Fiz um especial semelhante lá no blog, rsrsrs. E um erro que fiz foi ter esquecido “Kramer vs. Kramer”, apesar de ter um carinho especial por ele. Mas adorei a seleção e ver “De Bem Com a Vida” e “Do Jeito que Ela È” lembrados! ;)

    Beijos! ;)

  10. Mayara, eu li o seu especial! Eu gostei de ver “A Troca” entre todos os filmes. Não que eu goste muito dele, mas ele oferece um retrato bem comovente de uma mãe em busca de seu filho desaparecido. Logo passarei lá para comentar. Beijos!

  11. Olá Alex, blz?
    Legal essa lista de filmes em homenagem ao dia das mães!
    Só ñ vi 3 filmes: “Maldito Coração”, ‘De Bem com a Vida” e “Laços de Ternura”.
    Vou procurar pra baixar o q tem a Asia Argento, adoro essa atriz!
    No mais: “O Bebê de Rosemary”, “Kramer vs. Kramer” e “Mamãe é de Morte”, são os maiores destaques!
    Abs! Diego!

  12. Diego, tudo bem, mesmo com a garganta ainda ruim. Fico feliz por ter gostado da lista, foi um trabalho árduo fazê-la. Sugiro que veja os três filmes, “Maldito Coração”, ‘De Bem com a Vida” e “Laços de Ternura”, pois são no mínimo bons. Abraços!

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