Resenha Crítica | Simplesmente Feliz (2008)

Simplesmente FelizO diretor britânico Mike Leigh sempre preservou fortemente em seus roteiros pessoas que não contém as emoções diante das adversidades que surgem em suas vidas. É o que acontece em filmes como “Segredos e Mentiras” e “O Segredo de Vera Drake”, onde os personagens, especialmente as protagonistas, revelam as suas tristezas e os seus medos. Poppy, a personagem a frente de “Simplesmente Feliz”, também é assim. Mas ela não está diante de uma tragédia ou revelação de surpreendente impacto. Tampouco é uma mulher deprimida.

Poppy, que é interpretada pela radiante Sally Hawkins, é uma pessoa, como o título nacional entrega, simplesmente feliz. Não importa que a sua vida amorosa esteja em baixa ou mesmo que o mundo onde vive esteja cercado de tragédias, Poppy sempre vai encarar tudo com sua felicidade inesgotável. E esta é praticamente toda a história presente na nova realização de Leigh, não conferindo exatamente a estrutura narrativa convencional de cinema, onde um argumento ganha forma através de um início, meio e fim. Só que irá surgir alguém essencial na vida de Poppy que vai agitar tanto a si quanto ao filme.

É o personagem do excelente Eddie Marsan, Scott. Ele é um professor de auto-escola que programa todos os sábados com Poppy uma aula prática de direção. As coisas fervem entre ambos, pois enquanto Poppy é aquela garota de exorbitante harmonia, Scott é o extremo oposto: é um sujeito mal-humorado, que parece desprezar a própria vida. Os embates verbais entre os dois levarão a consequências explosivas.

Mas o que é legal em “Simplesmente Feliz” é mesmo a personagem que Leigh desenhou, talvez a mais interessante em toda a sua carreira como autor. Poppy parece acreditar que a sua missão sagrada na Terra é proporcionar ao menos um pouco de felicidade para aqueles ao seu redor. Mas não se trata de uma pessoa que se comporta com infantilidade ou, sendo mais rude, uma retardada, embora a princípio venhamos com esses julgamentos. E o que faz nós mudarmos o nosso conceito sobre Poppy é o desempenho de Sally Hawkins (que venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical e o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, mas que, lamentavelmente, acabou ficando de fora da seleção final de interpretações femininas na última edição do Oscar), em desempenho crível, cativante. É um filme simpático, repleto de situações deliciosas e que motiva o público ao término da sessão encarar o mundo com um pouco mais de alegria.

Título Original: Happy-Go-Lucky
Ano de Produção: 2008
Direção: Mike Leigh
Elenco: Sally Hawkins, Eddie Marsan, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Sinead Matthews, Kate O’Flynn, Sarah Niles, Jack MacGeachin e Charlie Duffield

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

23 Comentários em Resenha Crítica | Simplesmente Feliz (2008)

  1. Alex, como tu sabes, detestei esse filme. Dei a metade da tua nota, inclusive.
    Bom, eu discordo de praticamente tudo da tua resenha, achei o filme chato e a personagem completamente irritante…
    Queria ser o instrutor da auto-escola pra dar uma chacoalhada na Poppy hahaha (6)

  2. Oi Alex. Também gostei bastante desse último filme do Mike Leigh. Com aquelas roupas coloridas e aquele jeitão esparvalhado, a Poppy é quase uma persona cartunesca dentro daquele climão anuviado de Londres. Além de divertir, o filme ainda traz umas reflexões interessantes… abs.

  3. Eu também adorei “Simplesmente Feliz”! É o tipo de filme que vai te conquistando aos poucos, especialmente graças à maravilhosa personagem da Sally Hawkins (em grande desempenho). O Leigh sempre alcança um excelente resultado em seus roteiros e aqui não foi diferente.

  4. Matheus, já disse que o senhor é muito, muito malvado! Provavelmente você viu o filme num dia que estava extremamente estressado!

    Brenno, o filme apresenta uma simplicidade genial, pode apostar!

    Charles, é verdade! Eu já esperava por um filme que trouxesse alguma reflexão acerca da harmonia da Poppy, mas não imagina que fosse capaz de me deixar bem feliz, especialmente diante da rotina chata que ando enfrentando. E isto, de certa forma, é mágico! Abraços!

    Vinícius, eu concordo com você. Inclusive, devo procurar por mais filmes do Leigh para assistir. Embora não há muitos em sua filmografia, “Simplesmente Feliz” foi somente o terceiro que assisti.

    Pedro, a Sally Hawkins está inesquecível!

    Filipe, faz bem!

    Kamila, não há o que temer. Como disse na resenha, a Poppy não irrita. Bem, isso se você não se identificar tanto com o Scott, o que espero que não aconteça, rsrsrs…

  5. Olá, Alex! Tudo bem?

    Òtimo texto! E tenho certeza que irei gostar muito de “Simplesmente Feliz”, tentei ver uns tempos atrás, mas a temporada de provas na escloa não permitiu. ;)

    Beijos e tenha uma ótima semana!

  6. Pretendo ver esse filme também , pois gosto muito da forma como Mike Leigh conduz seus filmes vide ” Agora ou Nunca e O segredo de Vera Drake ” que eu gostei muito, principalmente o primeiro.

  7. Poppy RULES
    Com certeza um dos melhores filmes do ano.
    Amo tanto a personagem e a abordagem do diretor para provar que as pessoas ultimamente estao ficando assustadas em ver uma pessoa extremamente felizes.

    Estamos precisando de mais Poppys na nossa vida
    abraços!

  8. Pedro, verdade!

    Wally, diversão é o que não falta em “Simplesmente Feliz”.

    Ricardo, pode deixar que passo no seu endereço. Na verdade, eu já passei e gostei muito do que li até então. Depois relaciono na lista ao lado direito. Abraço!

    Mayara, obrigado! Era para eu ter visto “Simplesmente Feliz” na temporada do Oscar, mas alguns outros filmes pendentes me fizeram ficar adiando a conferida. Beijos, excelente semana!

    Marcelo, eu ainda não vi “Agora ou Nunca”. Sempre barrei com o DVD quando ia às locadoras. No entanto, depois de “Simplesmente Feliz” verei se dou mais prioridade na hora de ver os filmes do Mike Leigh.

    João, eu também adorei a personagem, uma das mais memoráveis do ano. E quem dera se além da vida real o cinema também nos oferecesse personagens tão simpáticas como a Poppy… Abraço!

  9. Eu achei que o filme parte do nada à lugar algum. É estranho demais. Nem sempre filmes precisam ter um propósito. Mas esse é estranho. E Poppy é irritante! Eu não aguentaria cinco minutos ao lado dela.

    Abs!

  10. Sally Hawkins é a dona desse filme, simpático e agradável de se ver, impressionante o carisma e alegria q ela emana de si, o prazer de viver a vida na maior felicidade, o título exemplifica o que é sua personagem, o encontro com o personagem de Eddie Masan, assim como a relação deles, é o ponto alto do filme, já que o kra é simplesmente o oposto dela, filme cativante e muito legal. nota 7.0!
    Abs! Diego!

  11. Dudu, eu compreendo o seu estranhamento, pois como destaco em meu texto o roteiro do Leigh não segue exatamente uma estrutura convencional de cinema. E que maldade a sua enquanto a Poppy. Eu não sei como seria se eu conhecesse uma mulher como Poppy na vida real, mas foi muito agradável vê-la em um filme. Abraços!

    Diego, concordo com o seu comentário. O filme não seria nada sem Sally Hawkins e os seus momentos com o Eddie Marsan são o ápice do filme. Abraços!

  12. SIMPLESMENTE FELIZ é uma produção alternativa bastante eficiente no que propõe: entreter de forma simples e mostrando o lado bom das coisas, sejam elas menos ou mais complicadas. A felicidade é uma questão de ponto de vista. Um filme engraçado e que lembrou em muitos momentos produções como PATCH ADAMS – O AMOR É CONTAGIOSO (1998), UM BOM ANO (2006) e O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (2001).

    SORO: roteiro; atuações; direção; produção; fotografia.

    VENENO: locações.

    NOTA (0 a 5): 4
    ****

  13. Anderson, ainda não vi “Patch Adams – O Amor é Contagioso” e “Um Bom Ano”, mas é verdade que o filme até que remete um pouco ao encanto de “O Fabuloso Destino e Amélie Poulain”. E não vejo as locações como um “veneno” para o filme.

  14. Acho o filme sensacional tanto porque parece bastante estranho uma comédia dessas na filmografia repleta de dramas pesados dirigidas pelo Leigh como também por essa personagem totalmente peculiar, mas cheia de vida. O confronto entre Poppy e Scott é sensacional! Ambos os atores estão excelentes!

  15. Rafael, também achei “Simplesmente Feliz” sensacional, especialmente a Sally Hawkins e o Eddie Marsan. Por sinal, vou tentar dar um jeito de incluí-los na minha lista de melhores desempenhos no ano que vem.

2 Trackbacks & Pingbacks

  1. Copacabana | Cine Resenhas
  2. Cine Resenhas | Uma Vida Comum (2013)

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: