Resenha Crítica | Yentl (1983)

Barbra Streisand é uma celebridade que parece ter desaparecido dos cinemas. Sua última aparição das telas se deu com a comédia “Entrando Numa Fria Maior Ainda”, que já havia marcado o seu retorno depois de longos oito anos de intervalo entre o seu último filme, “O Espelho Tem Duas Faces” (que, entre outras funções, também dirigiu). Mas Streisand já foi muito ativa nesta indústria, ao qual deu o seu primeiro passo com o pé direito, pois ganhara o Oscar de melhor atriz em “A Garota Genial”, a sua estréia.

“Yentl”, drama-romance-musical de 1983, foi baseado em um conto de Isaac Bashevis Singer. Na história, Anshel (Barbra Streisand) acaba de perder o seu velho pai (Nehemiah Persoff), um rabino que fornecia a ela (as escondidas) os livros sagrados do Judaismo, como o Talmude. Só os homens têm o direito de ter acesso aos livros sobre o assunto e praticar os ensinamentos entre si. Determinada em prosseguir com os estudos Ashlel opta em se transvestir de homem e ingressar uma escola de teologia. É assim que se transforma em Yentl.

Nesta decisão, o filme trás consequências sufocantes. Avigdor (Mandy Patinkin), seu melhor amigo, não sabe deste segredo e Yentl/Anshel se apaixona por ele. Só que Avigdor quer se casar com Hadass (a notável Amy Irving, que, vejam só, foi indicada ao Oscar e ao Framboesa de Ouro pelo seu desempenho), mas a família dela acredita que Yentl é o melhor partido para a jovem mulher. E agora?

Desenvolvendo essa situação extremamente conflitante, um típíco triângulo amoroso, “Yentl” também se transforma em musical com a sua protagonista soltando a voz nos momentos de desabafos marcados pela morte do seu pai, a sua paixão por Avigdor e medo que tem tanto de decepcionar Hadass quanto o se ser descoberta. É intrigante e envolvente, embora o filme pareça em determinados instantes jogar tudo dentro de um liquidificador para ver no que vai dar a mistura. Soam deslocadas algumas encenações cantadas, mas algumas como a maravilhosa “Papa, Can You Hear Me?” acabam se sobressaindo. No entanto, valem os esforços e dedicações de Barbra Streisand em “Yentl”, pois neste que é o seu primeiro filme como diretora ela também o protagoniza, desenvolve o roteiro adaptado, é responsável pelo departamento musical e a produção, mesmo que Isaac Bashevis Singer  a tenha julgado como indugente por trazer todas as atenções para si.

Título Original: Yentl
Ano de Produção: 1983
Direção: Barbra Streisand
Elenco: Barbra Streisand, Mandy Patinkin, Amy Irving, Nehemiah Persoff, Steven Hill, Allan Corduner e Ruth Goring

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

10 Comentários em Resenha Crítica | Yentl (1983)

  1. Tenho muita curiosidade de ver esse filme por sua temática e também por esse fato da Amy Irving que você comentou (afinal, a performance dela é boa ou ruim?). Só acho meio complicado a Barbra Streisand convencer num papel desses (pelas características físicas e tal).

  2. Autora indulgente ou não, sempre tive interesse em assistir, ainda mais depois de Spielberg ter chamado a estreia dela como a mais auspiciosa de todas (duvido, mas enfim)…

  3. Vinícius, na minha opinião a Amy Irving está boa, muito boa. Ela surge somente na metade da história e ilumina o filme de uma maneira surpreendente. E a Barbra não convence muito. Aquele nariz dela mata qualquer um! :P

    Gustavo, confesso que não sabia sobre esse comentário vindo do Spielberg. Acho que ele exagerou, mas é uma estréia interessante. Agora só falta eu assistir “O Príncipe das Marés” (tenho o DVD), que deve ser o seu melhor trabalho como diretora.

  4. Dudu, ao menos a Ivete Sangalo não inventou de dirigir filmes. Bem, pelo menos por enquanto! :P Abraços!

    Mayara, tudo! E há muitas pessoas que nunca ouviram falar de “Yentl” também. Mas é um filme que vale ser assistido. Beijos!

  5. Eu assisti o filme e gostei bastante…
    Só uma correção, no filme ela é Yentl e quando ela se disfarça de homem para estudar, ela assume o nome do irmão morto, Anshel, ao contrário do dito na resenha.
    De qualquer jeito, recomendo o filme para os amantes de musicais e de dramas.
    Beijos.

  6. Yentl é um excelente musical, com uma direção impecável ,vencedora do globo de ouro para Barbra Streisand,que foi a primeira mulher na história a produzir,dirigir,interpretar um filme. As músicas refletem o pensamento do personagem e aparecem de forma apropriada para externar seus sentimentos.Belíssima fotografia e caracterização de época.Prá quemcurte o bom cinema,super indicado.

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