Dragonball Evolution

Dragonball
Qualquer fã de mangá (aquelas famosas histórias em quadrinhos onde a leitura se inicia da direita para a esquerda) provavelmente é aficionado pelo universo de “Dragon Ball”. Com o sucesso do material de Akira Toriyama logo foi gerada a adaptação em animação. Com isso, a fama de Toriyama aumentou com a onda de fãs que “Dragon Ball” conseguiu em muitos lugares, inclusive no Brasil. As aventuras de Goku na animação, ao contrário dos mangás, obteve três longos atos. O primeiro, “Dragon Ball”, focava em sua infância. Já em “Dragon Ball Z” a ação ocorria quando ele já era um homem casado e com filhos. E por fim foi criado “Dragon Ball GT”, o terrível ato final de Goku, que aqui retorna ao seu corpo de criança.

No todo, é uma animação cercada de personagens e conflitos bem detalhados e que contava com elementos o suficiente para alegrar tanto a molecada quanto o público adolescente. A possibilidade de uma adaptação para os cinemas não era uma idéia descartável, embora já se imaginava desde o início que as coisas não dariam certo. E assim, depois de vinte e três anos que “Dragon Ball” ganhou vida em versão mangá, é o que se concretizou, mas pelas mãos dos americanos. É verdade que no filme “Dragonball Evolution” também há orientais movimentando as engrenagens (um deles é ninguém menos que Stephen Chow, famoso diretor e protagonista de “Kung-Fu Futebol Clube” e “Kung-Fusão”), mas a mediocridade pesa mais para o lado dos estadunidenses que se sujeitaram ao ridículo de tentar transformar em bem-sucedido a idéia que soava risível desde sua concepção, que foi o de transportar o mundo fantasioso e quase inadaptável de “Dragon Ball” para as telas de cinema.

O resultado é ruim em todos os sentidos, sendo por motivos narrativos, passando pelos fracos efeitos especiais e a falta de fidelidade a caracterização de vários personagens (Joon Park pode ser qualquer personagem, menos com Yamcha). A correria do roteiro de Ben Ramsey (que atualmente está escalado também como roteirista de “Luke Cage”) já lança Goku (Justin Chatwin, no papel que provavelmente vai acabar com a sua carreira) prestes a completar dezoito anos de idade. Ele mora com o seu avô (Randall Duk Kim) e se apaixona no colégio por Chi Chi (Jamie Chung). Dá que Piccolo (James Marsters, com uma maquiagem sem as orelhas enormes do personagem da animação) vai à Terra em busca das Esferas do Dragão. Há um total de sete e quando reunidas o Dragão Shenlong é despertado e concebe qualquer desejo.

É constrangedor, mas não será o pior filme da sua vida nem se você for um fã número um de “Dragon Ball”. A verdade é que o filme consegue um ou outro bom momento quando dois personagens estão presentes em cena. Emmy Rossum, que encarnou Christine na versão cinematográfica de Joel Schumacher para “O Fantasma da Ópera”, interpreta Bulma e a jovem atriz consegue trazer muitas das características de sua personagem. Chow Yun-Fat, por sua vez, diverte como o Mestre Roshi (na verdade, o seu personagem na fonte original se chama Mestre Kame). Mas é só. Dá que no fim das contas o público será capaz de assemelhar essa realização de James Wong como qualquer coisa, menos como uma adaptação fiel ou minimamente parecida com “Dragon Ball”.

Título Original: Dragonball Evolution
Ano de Produção: 2009
Direção: James Wong
Elenco: Justin Chatwin, Emmy Rossum, Jamie Chung, Chow Yun-Fat, James Marsters, Joon Park, Eriko Tamura e Randall Duk Kim.
Nota: 3.0

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

13 Comentários em Dragonball Evolution

  1. Esse filme já saiu em DVD? Não estou com nenhuma expectativa, acho que saiu trash, nota-se pelos trailers e fotos de divulgação. Parabéns pela resenha! Abr

  2. “É constrangedor, mas não será o pior filme da sua vida nem se você for um fã número um de ‘Dragon Ball’.”

    Discordo. hahaha Agora, falando sério, não gostei de absolutamente nada. Pra mim consegue ser pior que Transformers.

  3. Thiago, ainda não saiu. Mas tudo indica que a Fox deve lança-lo no formato no próximo mês. Obrigado, abraços!

    Bruno, eu já vi filmes bem piores somente este ano e tenho que admitir que há um ou outro momento razoável no filme, embora, no fim das contas, ele seja ruim.

    Anderson, mas eu sou fã da animação e gostava bastante das mangás. Ver o resultado da adaptação para os cinemas era um risco que eu tinha que passar. Abraços!

    Vinícius, eu gostei da Emmy Rossum. E eu já vi algumas pessoas elogiando o filme. Há até alguns críticos que foram bem generosos…

  4. minha nossa, pior impossivel, se não tivesse o nome dragon ball, passaria como um passatempo bem meia boca, com o nome de dragon ball, vixe maria, não dá nem pra comentar, é ruim demais, certo alex.

  5. Diego, jura que nunca viu? Pensava que você, que é um aficionado pela cultura oriental, era fanático. Mas nota 1 é algo severo demais! Abraços!

    Carranca, até que enfim, hein? Depois estou passando lá para conferir as novidades.

    Paulinho, você tem razão, embora o filme pouco parece lembrar a animação. Mas ela carrega o nome, então tem que ser apedrejado mesmo!

    Mayara, já eu adorava, não perdia um episódio sequer. Beijos!

  6. Meu caro cinéfilo ^^

    Eu tive mais coragem que você, eu vi no cinema :P
    Ahuahauha
    Na época até escrevi uma resenha, mais pra uma esculaxenha, se é que você me entende. hehe

    Abraço, meu velho!

  7. É, ele é bem ruin mesmo.

    E eu sou fãzaço do anime – na Dragon Ball e a Z, apenas. Mas Dragonball nunca vai ser Dragon Ball – ah entendeu, entendeu?

    Ah, sinceramente, acho que Justin Chatwin nunca teve futuro na profissão mesmo…

  8. Igor, me recordo de ter lido o seu texto e eu dou todo o apoio a você pelo seu desprezo para a obra. :D Abraço!

    Diego, pelo visto você também não deve ter ficado nada satisfeito com os rumos da animação animada na fase “GT”. E eu entendi perfeitamente o trocadilho, rs. E Chatwin já havia trabalhado com Spielberg, o que já era alguma coisa para a sua carreira.

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  1. Ponto Crítico – Abr/09 « Cine Resenhas

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