Juízo Final

Juízo Final | DoomsdaySe há diretores que merecem algum reconhecimento logo em seu trabalho de estreia o britânico Neil Marshall talvez não seja um deles. Vai saber como, seu “Dog Soldiers – Cães de Caça”, produção de 2002 sobre tropa de soldados ingleses em floresta escocesa que aos poucos se transformam em lobisomens, virou cult. Em “Abismo do Medo” o prestígio foi ainda maior, com direito a comentários afirmando que se tratava da melhor produção do gênero desde o distante “Alien – O Oitavo Passageiro”. Mas se o claustrofóbico filme situado quase inteiramente dentro de uma caverna com criaturas sinistras de fato é muito bom, em “Juízo Final”, terceiro trabalho de Marshall, não há quase nada para ser aproveitado.

A premissa é de uma falta de originalidade tamanha. Na Inglaterra atual o Vírus Reaper se espalha matando milhares de pessoas. A pequena Eden Sinclair (Christine Tomlinson) é uma das poucas sobreviventes. Trinta anos depois, ela, uma major nas formas de Rhona Mitra, é designada a atravessar um muro enorme que foi construído no passado para separar os sobreviventes das possíveis vítimas da epidemia. A sua missão é procurar por uma cura que possa combater o Vírus Reaper, pois há indícios de que há vida “do outro lado”. O que Eden e sua equipe encontram é uma surpresa: uma sociedade composta por canibais metaleiros.

As conexões aqui são com uma das obras mais populares de John Carpenter, “Fuga de Nova York”. Mas os aficionados pelo gênero notarão várias outras influências, especialmente de obras recentes como “Extermínio”. Mesmo surrado, dá para acompanhar como diversão descompromissada essa aventura de horror até a metade. Deste momento até a sua conclusão, no entanto, a ação acontece em uma sociedade medieval liderada pelo personagem de Malcolm McDowell. Soa tão desconexo e risível que remete a uma produção qualquer de Uwe Boll. Mas há de se destacar uma pequena ousadia por parte de Neil Marshall. Trabalhando com o maior orçamento da sua carreira (trinta milhões de dólares) ele continua preservando o espetáculo de sangue de suas fitas anteriores, aqui elevado a potência máxima – há uma cena de canibalismo e outra de decapitação de tirar o chapéu. Inerte como sempre, Rhona Mitra ao menos conta com a vantagem de ter a cara ideal para protagonizar projetos com essa adrenalina exigida.

Título Original: Doomsday
Ano de Produção: 2008
Direção: Neil Marshall
Roteiro: Neil Marshall
Elenco: Rhona Mitra, Bob Hoskins, Malcolm McDowell, Craig Conway, Lee-Anne Liebenberg, MyAnna Buring, Emma Cleasby, Alexander Siddig, Adrian Lester e MyAnna Buring.
Cotação: 2 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

7 Comentários em Juízo Final

  1. Até gostei de “Abismo do Medo” (mesmo não considerando um dos grandes filmes de horror da década, como muita gente acha), mas não estou muito interessado nesse “Doomsday”.

  2. Olá Alex. Juízo Final me pareceu um filme meio nostálgico. O diretor quis passar aquele climão de filme dos anos 80. Além de Fuga de Nova York, ele remete tb a Mad Max. Até porque aquele líder dos punks é a melhor coisa do filme.

  3. Esse filme é um samba-do-crioulo-doido..rsrs..uma mistura de diversas coisas já vistas em outros, só q aqui é td meio capenga, o filme começa de um jeito, e termina copiando o Mad Max naquela perseguição final, achei divertido e só, até q enterteu enquanto durou, portanto, vlw como passatempo, empatamos na avaliação aqui! nota 5.0!
    Abs! Diego!

  4. Ygor, como disse na resenha do filme, não sou fã da Rhona Mitra, mas ela é a CARA de filmes como este “Juízo Final”. Abraço.

    Diego, é um samba daqueles bem pirados mesmo. Mas acho que o problema da fita nem é o de reciclar características presentes em outros filmes, mas, sim, naquela parte onde o filme se transforma em um épico intragável. Abraços.

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