[Revisão] Halloween – O Início (Versão do Diretor)

Halloween - O Início
Chegou com muito atraso no mês de julho “Halloween – O Início”, refilmagem de uma das obras mais cultuadas de John Carpenter, um terror modesto de 1978 estrelada por Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence. Mas a fita aterrissou em circuito nacional acompanhada de uma grande polêmica: foi exibida uma versão somente com oitenta e três minutos de duração para obter a leve censura de catorze anos, com a descrição de conter agressão física e assassinato. A versão original pegaria dezoito anos acompanhada com o aviso de apresentar suicídio, crueldade e assassinato.

Depois desses cortes, que nem Michael Myers seria capaz de executar com apunhaladas contra suas vítimas, temos ao todo quatro versões existentes. A primeira, que foi comentada pelo Cine Resenhas em março deste ano (leia aqui), continha um desfecho distinto da segunda versão lançada nos cinemas americanos em 2007. O motivo: a versão avaliada pelo blog foi aquela que vazou na Internet momentos antes da estreia. Assim, Rob Zombie teve que fazer os ajustes o mais depressa possível. Ajustes estes que foram bem-vindos e que estão presentes na versão do diretor, que agora iremos comentar. Mas também tempos a quarta versão lançada nos cinemas brasileiros, que é lamentável, pois excluiu todas as sequências de puro horror. No entanto, internautas afirmam que a versão já disponível nas locadoras em DVD da Playarte confere a versão completa do filme, que tem a duração aproximada de cento e nove minutos.

O que diferencia a versão de Rob Zombie lançada no mercado americano das demais é que prevalece o conceito do clássico original, mas de uma maneira bem curiosa. O antigo Michael Myers era, nas palavras do detetive Sam Loomis, “simplesmente o mal personificado”. Na refilmagem esta descrição é mantida, mas preferiu-se realizar um perfil psicológico mais complexo para esta figura eterna do cinema de horror. Na trajetória sanguinolenta cujo destino é o reencontro com a sua irmã Laurie Strode (encarnada desta vez por Scout Taylor-Compton) o que também é trabalhado é a relação da família ser a primeira fonte a influenciar a conduta de um dos membros. Myers, no caso, tinha uma família composta por uma stripper, um pai alcoólatra e uma vadia irmã mais velha. Mas havia também mais uma irmã, que ainda era um bebê. Atualmente, já na pós-adolescência, Laurie é a única pessoa a produzir algum elo de bondade com Michael Myers. Esta reflexão eleva a potência do seu terceiro ato, nesta versão ele é de fato aterrador, e nos faz também chegar ao consenso de que por mais divertidas e despretensiosas possam ser os filmes de terror eles não têm nada de ingênuos.

Título Original: Halloween
Ano de Produção: 2007
Direção: Rob Zombie
Elenco: Tyler Mane, Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Danielle Harris, Danny Trejo, Hanna Hall, Bill Moseley, Brad Dourif, Udo Kier, Daryl Sabara, Sybil Danning, Sid Haig, Pat Skipper e Dee Wallace.
Nota: 8.0

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

13 Comentários em [Revisão] Halloween – O Início (Versão do Diretor)

  1. não sou fã do gênero do terror, nem sou masoquista ao ponto de assitir a um filme com os olhos fechados e só ouvindo gritos. Mas sei a importância do gênero para a sétima arte. Quando assitir o primeiro Halloween (o clássico com Jamie Lee Curtis) me lembro de ter morrido de medo, mas ter notado essa falta do ‘perfil psicológico’ do personagem, algo que pelo que disse, mudou nesse remake. acho que vou me aventurar nessa nova aventura, mas agora com um pouco mais de coragem – rsrs

  2. Ciro, atualizarei o seu endereço de e-mail assim que eu chegar em casa. Obrigado e abraços.

    Luis, que bom que reconhece esta importância, já que as pessoas costumam encarar o gênero com um preconceito para lá de infantil (é só assistirem um filme ruim para falar que há tempos o gênero não produz nada de bom). Se você é fã n.º um do filme original eu recomendo que veja esta refilmagem, pois ela é interessante e preenche lacunas do personagem deixadas na franquia original por conta do desleixo de alguns episódios.

  3. Mesmo sabendo das inumeras versões, esperei ver a edição do diretor e não me arrependo. Não acredito que seja um remake qualquer mais sim um ponto de vista intrigante de Zombie para o personagem assim como Tim Burton criou para Planeta dos Macacos e A Fantastica Fabrica de Chocolate. Ainda fico arrepiado quando me lembro do grito final que é uma das melhores ou se não a melhor cena do filme.

    Se for analisar, Halloween é sim, uma releitura pessoal muito boa, mas se for comparar com alguns remakes que saiu de Carpenter, Assalto ao 13 DP continua sendo o melhor por que modificou tudo menos o plot central e o pior continua sendo A Névoa, que é um decaso com o original que também nem é uma obra prima de Carpenter.

    Abraçps

  4. João, exatamente! Rob Zombie conseguiu ir além do que fazer um simples remake da obra de John Carpenter, dando personalidade ao seu filme. E eu também gosto de “Assalto ao 13º DP”, mas entre as refilmagens selecionaria como melhor este “Halloween – O Início”. E por favor, nem me faça lembrar de “A Névoa” (eu acho “A Bruma Assassina” uma grande porcaria). Ah, e a cena final de “Halloween – O Início” é mesmo arrepiante, sensacional. A sequência de créditos finais também é um achado! Abraços.

  5. Para mim, a grande porcaria continua sendo Christine, que todo o problema está no propio conto de King que é chupado de Carrie ao osso. E curiosamente, eu tenho o dvd de A Bruma Asassina que comprei aqui … tem até extra mano … ehehehe

  6. JP, já eu ADORO “Christine – O Carro Assassino”. Considero a pior obra do diretor “A Bruma Assassina” e “Memórias de Um Homem Invisível”. E eu também tenho o DVD de “A Bruma Assassina”, mas o DVD pobrinho do Brasil não trás extras.

  7. Diego, lembro de ter visto que você não gostou do filme através de seu comentário na postagem de fechamento do mês. Sugiro que você corra atrás dessa versão do diretor, que é fantástica.

  8. Oi Alex,
    volto aqui só para comentar que hoje mesmo assisti pela primeira vez a versão original de Halloween de 1978, Jamie Lee Curtis foi ótima nesse filme, e direção de John Carpenter. Como foi a primeira vez,estranhei um pouco pelo ritmo do filme, baseado na trilha e com poucas falas…
    Agora vou ver as continuações dele. E logo, logo assistir esse remake!
    ABRAÇO

  9. Ricardo, faz tanto tempo que vi o primeiro “Halloween”. Se bem que antes dele eu assisti ao “H20”, do qual gosto muito. Mas que bom você ter gostado. É um dos meus filmes preferidos e gosto demais quando a história começa a perseguir da Laurie Strode. Já as sequências não são tão boas, mas as partes “II”, “IV” e “H20” são legais. Abraço.

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