Entre os Muros da Escola

Entre os Muros da Escola
Foi com “Ao Mestre, Com Carinho”, com Sidney Poitier, que começou a ser comum no cinema a produção de filmes onde o personagem central fosse um professor, embora antes já tenham sido realizadas obras como “O Anjo Azul”, de Josef von Sternberg. “Mr. Holland – Adorável Professor”, “Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Clube do Imperador” e o recente “Escritores da Liberdade” são só alguns dos vários títulos que podem ser encontrados. Nesta linha, também temos o francês “Entre os Muros da Escola”, mas se enganam aqueles que aguardam por um convívio entre mestres e alunos com direito a mensagem edificante.

Este vencedor da Palma de Ouro ano passado em Cannes é a adaptação de um livro de François Bégaudeau, que aqui surge como protagonista interpretando uma versão de si mesmo. Ele leciona a matéria de língua francesa para alunos do Ensino Médio de uma escola pública em Paris. O foco recaiu somente a uma turma de alunos durante um ano. Não há qualquer interferência neste relato, como a vida particular de seus personagens fora da área escolar. Conflitos se iniciam quando os alunos, muitos de origens distintas, protagonizam desentendimentos por diversos motivos, como o total desinteresse com o quanto eles podem se desenvolver através dos estudos ou o estímulo que não recebem de seus pais.

O que garante em “Entre os Muros da Escola” um incômodo realismo é o fato de todos os intérpretes, que não são profissionais, resgatarem as suas próprias experiências profissionais ou da vivência escolar a favor do drama. Ou seja: além de François Bégaudeau, o elenco adolescente é formado de fato por alunos da rede pública. O mais doloroso, entretanto, é testemunhar uma encenação que é puro reflexo de hoje. Não há mais respeito dos alunos para com os seus professores, o que transforma uma sala de aula em um cenário de guerra verbal. Só que uma grande parcela do público, como os brasileiros que também concluíram os seus estudos em rede pública, provavelmente se recordarão que o que é visto em sala de aula é ainda mais sórdido e absurdo em comparação com “Entre os Muros da Escola”.

Título Original: Entre les Murs
Ano de Produção: 2008
Direção: Laurent Cantet
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure, Arthur Fogel. Damien Gomes, Louise Grinberg, Qifei Huang. Wey Huang, Franck Kelta, Henrietta Kasaruhanda, Lucie Landrevie, Agame Malembo-Emene, Rabah Naît Oufella, Carl Nanor, Esmerálda Ouertani, Burak Özyilmar, Eva Paradiso, Rachel Régulier, Angélica Sancio, Boubacar Thouré, Justine Wu, Jean-Michel Simonet, Vincent Caire, Olivier Dupeyron, Patrick Dureuil, Frédéric Faujas, Dorothée Guilbot e Cécile Lagarde
Nota: 7.5

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

11 Comentários em Entre os Muros da Escola

  1. Oi, Alex
    Estou com muita vontade de ver esse filme, deve ser com será que supera o que eu mais gostei de ver esse ano em dvd, no gênero, Escritores da Liberdade, com minha adorada e talentosa Hilary Swank? E sim, mesmo que ela não leve seu terceiro Oscar, uma indicação ficaria super feliz! Mas torço por ela!!!
    Mas concluindo, gosto muito desse filmes porque você sai sempre com uma lição de vida deles!
    ABRAÇO

  2. Alex, acho este filme maravilhoso. Quando o vi, me transportei de novo para a sala de aula, onde o respeito ao próximo praticamente está em falta. Uma verdadeira aula de cinema e de realidade entre o relacionamento entre alunos e mestres.

    Beijos! ;)

  3. Vinícius, embora conte com este realismo, gostei muito mais de filmes como “O Clube do Imperador”.

    Ricardo, eu gostei muito de “Escritores da Liberdade”. É um ótimo drama, não é mesmo? E o senhor pode ter certeza de que Hilary Swank está no próximo Oscar. Abraços.

    Mayara, eu não a acho tão verdadeira assim. Como destaquei no final de resenha, fui uma das pessoas que vivenciou experiências muito mais intensas na vivência escolar do que aquelas que o filme encena. Mas a experiência é válida. Beijos.

    Tiago, como disse a Mayara, não acho tão forte quanto poderia ter sido. Mas é uma obra que chama a atenção pelo realismo empregado em sua narrativa.

  4. Também moderadamente gostei bastante do filme. hehe

    Mas não entendi o que vc achou de negativo. Foi o fato de o que é mostrado não ser tão duro quanto a realidade?

  5. Gostei da naturalidade das atuações dos jovens, além de td q foi abordado nos diálogos!
    No mais, concordo com suas observações, minha nota tbm foi essa!
    Dos 5 indicados ao oscar estrangeiro esse era o mais fraco, apesar de ser bom, ficando em último lugar na minha preferência!
    Abs! Diego!

  6. Diego, até o instante eu só assisti a este “Entre os Muros da Escola” e “Valsa com Bashir” dentro dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e achei esta realização francesa um pouco melhor. Abraços!

  7. Um filme de grandes aplausos mundiais, todavia não me cativou como o fez no Festival de Cannes. Demasiado documental e apela por demais ao panfletismo!

  8. Jackson, não tenho as mesmas queixas que a sua, mas não há dúvidas de que também aguardava por um filme mais cativante.

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