Resenha Crítica | O Equilibrista (2008)

O Equilibrista

O francês Philippe Petit ganhou a vida desde sua juventude atuando como motociclista, mágico e mímico nas ruas de Paris. Como equilibrista, ganhou fama mundial. Se já não fossem feitos impressionantes a travessia em cabo de aço na Catedral de Notre Dame e na Ponte da Baía em Sidney, ele realizou um outro que qualquer um daria como impossível: caminhar entre as Torres Gêmeas por quarenta e cinco minutos sem qualquer equipamento de segurança. É exatamente este registro impressionante o destaque do documentário vencedor do Oscar “O Equilibrista”, do diretor James Marsh, cujo trabalho anterior foi “The King”, longa-metragem de 2005 protagonizado por William Hurt e Gael Garcia Bernal.

O interesse em executar este risco veio através de uma visita em um consultório odontológico. Foi na sala de espera que ele se deparou com um artigo que revelava a ambiciosa construção do World Trade Center. Logo, aguardar pela finalização das obras e estudar todo o espaço para a travessia da Torre Sul à Torre Norte virou uma obsessão.

A estrutura do documentário trás depoimentos da equipe de Petit, que era composta por amigos e a sua namorada, além de vídeos, fotos de arquivo da época e encenação com verdadeiros intérpretes. E, claro, a presença ilustre do próprio equilibrista, que hoje tem sessenta anos e que dá depoimentos com a harmonia de um jovem. A vida de Petit é cinematográfica por natureza e o filme exalta a escolha da vida que deve ser vivida com rebeldia, no máximo do limite, desprezando qualquer decisão de destacar o trágico atentado terrorista do 11 de Setembro que transformou em ruínas as Torres Gêmeas. É uma decisão sábia do realizador para que o vigor de sua obra não seja ofuscado pelo drama da data fatídica. Pena que o feito de Petit seja menos mágico do que se imagina na tela em seus minutos finais por causa do escasso material daquele sete de agosto de 1974.

Título Original: Man on Wire
Ano de Produção: 2008
Direção: James Marsh
Elenco: Philippe Petit, Jean François Heckel, Jean-Louis Blondeau, Annie Allix, David Forman, Alan Welner, Mark Lewis, Barry Greenhouse, Jim Moore e Guy F. Tozzoli.
Nota: 8.0

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

18 Comentários em Resenha Crítica | O Equilibrista (2008)

  1. Acho que o grande trunfo de “O Equilibrista” está na originalidade do assunto, e especialmente na capacidade inegável de deixar os espectadores em constante apreensão. Mas não chega a ser uma produção extraordinária, diria que está até longe disto. Abraço, Alex!

  2. Esse é um daqueles filme que todos comentaram e eu ainda não pude assistir, mesmo gostando muito de ‘The King’ acho que ‘O Equilibrista’ vai chamar mais minha atenção.

  3. Ótimo filme. É um documentário bem realizado, com nítida aptidão do diretor para dar vivacidade às imagens e, principalmente, ao personagem principal, que esbanja carisma. Marsh também acerta na concepção dos cortes e até as simulações de alguns eventos neste belo documentário.

  4. Alex, tenho curiosidade de assistir esse filme, mas ando tão sem tempo que acho que vai ser difícil conferi-lo tão cedo, tenho outras prioridades na frente dele. Mas vem cá, não sei se é a resolução do meu computador ou se o novo tamplate que vc está usando fica assim mesmo, mas aqui no meu pc a caixa dos textos está bem à esquerda e o resto centralizado, ficando um espaço enorme do meio pra direita. É assim mesmo? Abraço!

  5. Oi Alex!

    Não conhecia a história deste equilibrista e nem o respectivo documentário. Mas, pelo que li nos comentários e principalmente em seu texto parece bom.
    A coragem do cara me chamou a atenção. Gosto de pessoas assim, com iniciativa.
    Vou pesquisar aqui na minha terra e ver se encontro.

    Um abraço.

  6. Acho o filme sensacional, Alex. A persona do Petit é por demais jovial e toda a reconstituição da façanha do cara é muito bem montada. Ainda bem que aquelas dramatizações da época foram usadas com mita cautela, porque podia arruinar o filme. Mas se mostrou melhor que o esperado.

  7. Lendo seu texto e me lembrando do filme, confesso que me arrepiei. A paixão com a qual Petit conta seus feitos é contagiante. Não pensei que fosse gostar tanto quando fui assistí-lo, só achei um pouco cansativo.

  8. Fala Alex..ja tinha elogiado bastante esse documentario la no meu..
    E parabens pelo novo visual do blog, preferia o outro q tava, mas ficou bom esse..
    Bom, sempre q der passarei por aqui, fim de ano é fogo, ando sem tempo pra nada..
    Abs. Diego.

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