Gran Torino

Gran TorinoEra difícil supor que Clint Eastwood fosse capaz de criar grandes obras após a sua mais recente consagração em “Menina de Ouro”. Após três filmes, porém, o famoso Dirty Harry demonstra energia de um jovem cineasta ao conduzir e protagonizar, com setenta e oito anos, “Gran Torino”.

Inclusive, se há algo que “Gran Torino” mais nos remete é aos filmes do policial Harry Callahan. Contudo, o nome do herói da vez é Walt Kowalski. Mas leva um bom tempo para termos uma boa impressão do personagem, que se mostra preconceituoso com a sua vizinhança repleta de imigrantes hmong, que tiveram acolhimento dentro dos Estados Unidos após lutar ao lado dos americanos na Guerra do Vietnã.

A narrativa abre com o protagonista no velório de sua esposa, mas “Gran Torino” se concentra no convívio que o velho personagem tem com a família hospedada na casa vizinha quando o membro mais jovem, Thao (Bee Vang), é obrigado por uma gangue a roubar o raríssimo Gran Torino que ele tem em sua garagem. Penalizado prestando serviços domésticos a Walt, logo uma amizade surge entre ambos. Entre memoráveis situações de humor, acaba vindo um grande problema a ser combatido quando Thao e sua família passam a ser ameaçados pelo primo criminoso, restando a Walt defendê-los.

Não há dúvidas de que Clint Eastwood é um dos maiores realizadores que o cinema já teve, mas “Gran Torino” tem aquele brilho que não é comprovado em todos os títulos de sua filmografia. Isso pode ser visto no acolhimento do público, que fez de “Gran Torino” o maior sucesso de toda a carreira do diretor. Mesmo assim, há sempre aqueles que encontram defeito onde, francamente, não há. Exemplo disso pode ser estudado na implicância entre o elenco de apoio inexperiente ou mesmo com aqueles que imaginam neste trabalho um realizador egocêntrico. O que é puro equívoco, pois os intérpretes em nada comprometem e Eastwood aqui não esconde jamais que se foram os tempos de sua impecável forma física. Até a música tema “Gran Torino”, que Eastwood gravou com Jamie Cullum exclusivamente para o filme e que antes marcava pela estranheza, se torna comovente neste que é a autêntica obra a representar todos os percursos profissionais deste mestre do cinema.

Título Original: Gran Torino
Ano de Produção: 2009
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes, Dreama Walker, Brian Howe, Scott Eastwood e John Carroll Lynch.
Cotação: 4 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Gran Torino

  1. Mesmo não sendo o melhor do Clint, comparando com trabalhos bem memoráveis, gostei muito de “Gran Torino”. Esses personagens ranzinzas combinam com ele. rsrsrs. Só não fui muito com a cara do ator que interpreta o Thao, achei-o muito fraquinho.

    Beijos! ;)

  2. – Mayara, eu não conseguia conter os risos sempre que o Clint “rosnava” para os personagens. Raramente o vi tão inspirado como intérprete como neste filme. E eu achei o Bee Vang bem convincente, sendo honesto. Beijos.

  3. Um filme que trata do tema preconceito e culpa. Walt Kowalski é um racista veterano da Guerra da Coréia, e flagra um garoto asiático tentando roubar seu carro, um Gran Torino de 1972 para poder fazer parte de uma gangue. Defendendo o rapaz, da ação da gang, Walt torna o herói do bairro, especialmente para a família do garoto. Através da bondade da família “chinoca”, Walt finalmente compreende algumas verdades sobre as pessoas que ele não considerava vizinhos. Pois faleceram ou mudaram-se e foram substituídas pelos imigrantes do sudeste asiático, que ele despreza. Descobre que os visinhos asiáticos, têm mais em comum consigo, do que ele tem com a sua própria família. Gran Torino não é uma obra-prima, mas um interagido filme que caracteriza um drama. É um dos temas que tem fascinado o ator na maioria de seus filmes recentes: Família, guerra, perda, fé e inesperada ligação humana. Todo orgulho e nacionalismo americano
    são expostos no filme que reserva um bom final para o expectador. Nota: 10,0

  4. – Willis, como não considerar uma obra-prima (o que, na minha opinião, o filme é) um filme no qual você concebe um nota dez? Enfim, é um drama excelente e comovente.

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