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Resenha Crítica | Coco Antes de Chanel (2009)

Coco Antes de ChanelA cineasta de cinquenta anos Anne Fontaine é uma das mais produtivas da indústria francesa de cinema. Exemplo disto é a sua filmografia, onde nada menos que seis títulos constam como lançados ao longo da década passada. O sucesso vem de sua habilidade em trabalhar de maneira acessível os dramas complexos de seus personagens. E “Coco Antes de Chanel”, embora lide com a história real da grande estilista Gabrielle Chanel, não escapa de ser outro filme com personalidade reconhecível da diretora.

Somos apresentados para vários episódios particulares de Gabrielle. O filme se abre com uma bela sequência onde ela, ainda pequena e incorporada pela atriz Lisa Cohen, é levada para um colégio interno após a morte de sua mãe e a profissão de seu pai impossibilitado de criar os próprios filhos. Minutos depois, somos transportados ao tempo onde Gabrielle, agora vivida por Audrey Tautou, ganha a vida como dançarina de um bar povoado por homens ricos. É aí onde conhece o comerciante de tecidos Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), com quem passará a viver, deixando prevalecer o seu talento com corte e costura e se apaixonar pelo britânico milionário Arthur (o americano Alessandro Nivola, dominando bem a língua francesa).

Todos os fãs do trabalho de Coco Chanel sabem que Arthur foi o grande amor de sua vida, mas é ao retratá-lo que Anne Fontaine perde todo o controle da encenação. Para dizer a verdade, a única razão de se ver “Coco Antes de Chanel” nada mais é do que uma sensibilidade feminina comprovada em alguns aspectos. O belo trabalho de figurino ganha realce todo especial e a trilha sonora de Alexandre Desplat se encaixa com harmonia na narrativa, especialmente o tema “Abandono”. Por fim, também deve ser destacado a minuciosa performance de Audrey Tautou, excelente ao expressar um pouco de frieza da própria natureza de Gabrielle Chanel e bem-sucedida em alguns maneirismos desta mulher, como a elegância com que fuma um cigarro ou segura um chapéu. O restante nada mais é do que um romance lacrimoso. Verdade que o título já adverte que esta é uma história de uma mulher a frente de seu tempo antes de sua ascensão, mas daria muito bem para estender sequências especiais como aquelas onde Chanel entra em contato com as mãos em tecidos e acessórios confeccionando trajes que foram revolucionários no sentido de valorizar e deixar exposta a beleza de uma mulher.

Título Original: Coco avant Chanel
Ano de Produção: 2009
Direção: Anne Fontaine
Elenco: Audrey Tautou, Alessandro Nivola, Benoît Poelvoorde, Marie Gillain, Emmanuelle Devos, Régis Royer, Etienne Bartholomeus, Yan Duffas e Lisa Cohen.

11 Comments

  1. Muito bom esse texto, ao equilibrar os prós e os contras desse filme que, apesar de tudo, tenho muita curiosidade em ver.

  2. Eu acho que a abordagem dese filme poderia ser bem melhor, acho que Anne (uma diretora que eu gosto) em vez de fazer uma cinebiografia digna de Coco, fez um romance que poderia ser vivido por qualquer outra mulher. Uma pena, já que aquele outro filme para TV com Shirley foi um pouco melhor.

  3. Vejo o filme com expectativas moderadas, mas ainda quero conferir como Audrey se saiu como Coco e como se saiu a bela trilha do Alexandre Desplat dentro do filme. Só isso. ;)

  4. Se Coco tinha uma vida tão chata como esse filme antes de ser “Chanel”, ela deve agradecer à Deus todos os dias….

  5. Não vi nem tenho muito interesse de ver. A parte técnica foi o que me chamou mais atenção, principalmente a trilha de Desplat que já ouvi muito e adorei!

  6. Esperava mais do filme, mas não achei assim tão dispensável. É realmente pedante em momentos, mas dá uma bela guinada após a meia hora inicial, ao se concentrar na paixão de Coco. A atuação de Tatou é muito boa e a trilha sonora, magnífica.

    [***]

  7. Alex Gonçalves Alex Gonçalves

    – Gustavo, também estava com uma imensa curiosidade em assistir a este filme da Anne Fontaine, uma boa cineasta. Pena que o resultado foi tão desapontador.

    – Luis, restou mesmo esta versão com a Shirley MacLaine para ver se o resultado é mais superior, além daquela outra que retrata seu envolvimento com Igor Stravinsky.

    – Mayara, se você quer ver o filme só para testemunhar esses dois desempenhos então você não se decepcionará.

    – Pedro, é verdade. Ehehehehehe…

    – Fael, então continue ouvindo a trilha sonora, mas fora do filme.

    – Wally, já eu acho totalmente o contrário, pois como disse, o filme se perde totalmente ao retratar essa paixão de Coco e Arthur.

  8. Fiel ao seu título, “Coco antes de Chanel” narra o início da vida da mulher em que se tornou talvez a figura mais influente da moda do século 20. Mas o filme, dirigido e co-escrito por Anne Fontaine, com uma mistura de franqueza brutal, indica a ascensão de uma mulher ambiciosa e difícil, tomando nota dos obstáculos e oportunidades oferecidas pelo seu tempo, lugar e circunstâncias. O filme começa em 1893, em um orfanato, onde as irmãs Chanel, Gabrielle (Audrey Tautou) e Adrienne (Marie Gillain), fora, abandonadas por seu pai. No convento de freiras, esteve sempre à espera de um visitante que nunca veio – e observando-se, em algum nível subconsciente, a elegante simplicidade dos uniformes escolares. Coco jovem aprendeu a costurar a partir das freiras, e deixou a escola para trabalhar como costureira de dia e uma artista de cabaré na noite. E nós assistimos “Coco” encontrar-se lentamente, com alguns homens, transformando-se em degraus na escada: os ricos Etienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que tomou como sua amante e não parecem se importar quando ela usava suas roupas e suas costuradas camisetas em vestidos; e Arthur “Boy” Capel (Alessandro Nivola), empresário Inglês do ramo do petróleo que lhe emprestou dinheiro para abrir seu estúdio em Paris, e com quem teve um caso de amor apaixonado. Siga olhos de “Coco”, essas piscinas profundas, escuras e tira proveitos de suas idéias dos tecidos de cortinas ou da arquitetura de um chapéu com uma concentração feroz. Ela não está apenas olhando, ela está observando, pensando intensamente. “Coco” desempenha a estilista ícone que também era uma espécie de filósofa. Ela queria libertar as mulheres de seus espartilhos esmagantes e retirar os véus sufocantes do rosto das mulheres e deixá-las circular livremente. No processo, ela projetou uma vida cheia de aventuras para si mesma. As cenas nos deixam concentrados quando estamos prestes a ver “Coco” reinar sobre os esnobes. Afinal podemos afirmar que de modo geral nos deixa insatisfeito, mas apenas porque Fontaine nos deixou querendo saber mais dessa mulher. Nota: 8,0

  9. – Willis, novamente, ótimo resumo. Se eu não tivesse visto o filme eu admito que teria me interessado em conferi-lo. Pena que a execução seja muitas vezes sofrível.

  10. […] obra original, dirigida por Anne Fontaine (“Coco Antes de Chanel“) em 2003, jogava muito com o que pode ser nomeado como “sexo oral”. Isto porque […]

  11. […] Gabriel Byrne. Embora não tenha a mesma fama de uma Audrey Tautou (com quem contracenou em “Coco Antes de Chanel“, aliás), Emmanuelle Devos prova sua força como atriz ao fazer de Alix uma mulher madura […]

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