Vidas Que Se Cruzam

Há diretores consagrados de estilos inconfundíveis. Como exemplos aleatórios, temos Quentin Tarantino com seus filmes repletos de extensas sequências onde predominam diálogos inteligentes, a epilética câmera de Paul Greengrass e vários cineastas como Jean-Pierre Jeunet e Tim Burton cujas obras têm um apuro visual de tirar o fôlego. Muito mais modesto é Guillermo Arriaga, que na sua estreia na direção com “Vidas que se Cruzam” (eis um ótimo título nacional) não consegue se desprender de uma narrativa nada linear. Só que ao contrário de seu roteiro de “Babel”, a história de “Vidas que se Cruzam” não apenas alternam de núcleos como também entre o tempo passado e presente.
A explosão de um trailer tem clara relação com Sylvia. Gerente de um restaurante, esta personagem principal é totalmente fria. Mantém relação com um homem (John Corbett) que trabalha como cozinheiro em seu negócio apenas para fazer sexo e Laura (Robin Tunney) parece ser sua única amiga. Paralelamente, somos apresentados a jovem Mariana (a revelação Jennifer Lawrence, que pode ser indicada ao Oscar no próximo ano pelo seu desempenho no independente “Winter’s Bone”), cuja mãe, Gina (Kim Basinger, em uma interpretação comovente), se encontra secretamente com Nick Martinez (Joaquim de Almeida).
O também roteirista de “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Três Enterros” (tendo ganhado o prêmio em Cannes de melhor roteiro por este filme dirigido e protagonizado por Tommy Lee Jones) sabe que está dando seus primeiros passos em uma nova função e faz tudo na maneira mais honesta possível. Revela-se um excelente orientador de elenco e demonstra uma habilidade quase estupenda na direção de algumas cenas, como a inicial com Sylvia se aproximando nua em uma janela. Já sobre a relação do trio principal de mulheres, Sylvia, Gina e Mariana, o espectador a antecipará antes que ela se concretiza. Tal previsibilidade não importa neste filme
Título Original: The Burning Plain
Ano de Produção: 2008
Direção: Guillermo Arriaga
Elenco: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence, Joaquim de Almeida, John Corbett, Danny Pino, José María Yazpik, Robin Tunney e Brett Cullen

Vidas Que Se Cruzam | The Burning PlainHá diretores consagrados de estilos inconfundíveis. Como exemplos aleatórios, temos Quentin Tarantino com seus filmes repletos de extensas sequências onde predominam diálogos inteligentes, a epilética câmera de Paul Greengrass e vários cineastas como Jean-Pierre Jeunet e Tim Burton cujas obras têm um apuro visual de tirar o fôlego. Muito mais modesto é Guillermo Arriaga, que na sua estreia na direção com “Vidas que se Cruzam” (eis um ótimo título nacional) não consegue se desprender de uma narrativa nada linear. Só que ao contrário de seu roteiro de “Babel“, a história de “Vidas que se Cruzam” não apenas alternam de núcleos como também de tempo passado e presente.

A explosão de um trailer tem clara relação com Sylvia. Gerente de um restaurante, esta personagem principal é totalmente fria. Mantém relação com um homem (John Corbett) que trabalha como cozinheiro em seu negócio apenas para transar e Laura (Robin Tunney) parece ser sua única amiga. Paralelamente, somos apresentados a jovem Mariana (a revelação Jennifer Lawrence, que pode ser indicada ao Oscar no próximo ano pelo seu desempenho no independente “Winter’s Bone”), cuja mãe, Gina (Kim Basinger, em uma interpretação comovente), se encontra secretamente com Nick Martinez (Joaquim de Almeida).

O também roteirista de “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Três Enterros” (tendo ganhado o prêmio em Cannes de melhor roteiro por este filme dirigido e protagonizado por Tommy Lee Jones) sabe que está dando seus primeiros passos em uma nova função e faz tudo de maneira mais honesta possível. Revela-se um excelente orientador de elenco e demonstra uma habilidade quase estupenda na direção de algumas cenas, como a inicial com Sylvia se aproximando nua em uma janela. Já sobre a relação do trio principal de mulheres, Sylvia, Gina e Mariana, o espectador a antecipará antes que ela se concretiza. Tal previsibilidade não importa neste filme, que com suas personagens sofridas mostram suas desorientações e segredos que, mais cedo ou mais tarde, virão à tona.

Título Original: The Burning Plain
Ano de Produção: 2008
Direção: Guillermo Arriaga
Roteiro: Guillermo Arriaga
Elenco: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence, Joaquim de Almeida, John Corbett, Danny Pino, José María Yazpik, Robin Tunney e Brett Cullen
Cotação: ****


Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Vidas Que Se Cruzam

  1. Acho esse filme fraquíssimo, reprocessando uma estrutura que já se tornou saturada, e pelo próprio diretor/roteirista. O pior é que ele trabalha com essa estrutura como se fosse algo novo e como se o montar das peças do quebra-cabeças fosse mais importante do que a história e do desenvolvimento dos personagens em si. Theron faz muito por sua antiheroína, mas o filme não sabe lhe conferir dimensão.

  2. * Pedro. Intrigante o filme ou o fato de temos concordado com a avaliação de um filme? =P

    * Mayara. A crítica não gostou, mas conheço gente que gostou do resultado, a exemplo do amigo Pedro, rs.

    * Rafael. A estrutura de “Vidas Que Se Cruzam” está mesmo saturada, mas acho que ganhou um frescor nas mãos de Guillermo Arriaga através de sua direção. Sobre as perfomances, o trio feminino central está soberbo, mas a minha preferida foi Kim Basinger.

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