Temple Grandin

Há filmes que surgem uma vez ou outra que apresentam como maior ambição a homenagem que presta à figura excêntrica que retrata. Quando vai além das meras boas intenções, o resultado é ainda mais marcante. É exatamente o que acontece neste filme televisivo esplêndido que nos apresenta a americana Temple Grandin, um modelo exemplar de mulher que comprova que neste mundo há sim grandes heroinas.
A produção da HBO recebeu impressionantes quinze indicações ao Emmy Awards e ganhou sete prêmios merecidos. Impressiona a história de vida de Temple, num desempenho quase sobrenatural de Claire Danes, uma jovem atriz excelente que desde “Garota de Vitrine” estava presa em papéis que não lhe davam o merecido brilho, que arrebatou o Emmy de melhor atriz. Diagnosticada com autismo aos quartro anos, Temple chegou a esta idade praticamente muda. Também não suportava o contato humano, tendo progredido apenas com a determinação de sua mãe Eustacia (Julia Ormond, outra grande intérprete que venceu o Emmy de melhor atriz coadjuvante pelo papel). A fase da vida que o filme inicia com maior destaque é com Temple incoporada por Claire Danes visitantando a sua tia Ann (Catherine O’Hara). Como Ann mora em uma fazenda, Temple Grandin desperta grande interesse pelo ramo agropecuário. O professor Carlock David Strathairn (Emmy de melhor ator coadjuvante) será uma presença importante, dando maior relevância ao universo de imagens que Temple visualiza.
O autismo é um tema que quando não é trabalhado da maneira mais apropriada por um cineasta pode render um dramalhão totalmente descartável. Felizmente, Mick Jackson (cineasta que já contava com algum prestígio com o telefilme “Ao Vivo de Bagdá”), não caí nesta armadilha, fazendo de “Temple Grandin” uma mistura harmônica entre situações bem-humoradas e outras dotadas de dramas defendidos pelas atrizes de maneira autêntica. Perspicaz ao materializar os pensamentos da protagonista, “Temple Grandin” também oferece uma grande lição de vida. Tendo revolucionado o ramo de abate animal, até então perverso e nada humanitário, Temple Grandin ministra até hoje palestras que permitem que os pais responsáveis por crianças autistas encarem este problema não como uma limitação, mas como uma oportunidade para uma vida cheia de possibilidades inéditas. O retrato moldado de Temple Grandin é belíssimo e mesmo tendo uma distribuição limitada por se tratar de uma produção televisiva merece ser visto.
Título Original: Temple Grandin
Ano de Produção: 2010
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Christopher Monger e William Merritt Johnson, baseado no livro “Emergence”, de Temple Grandin e Margaret Scarciano e “Thinking in Pictures”, de Temple Grandin
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, Catherine O’Hara, David Strathairn, Stephanie Faracy, Barry Tubb, Melissa Farman, Steve Shearer, Richard Dillard, Jenna Hughes, Michael Crabtree, Charles Baker, David Born e Matthew Posey

Temple GrandinHá filmes que surgem uma vez ou outra que apresentam como maior ambição a homenagem que presta à figura excêntrica que retrata. Quando vai além das meras boas intenções, o resultado é ainda mais marcante. É exatamente o que acontece neste filme televisivo esplêndido que nos apresenta a americana Temple Grandin, um modelo exemplar de mulher que comprova que neste mundo há sim grandes heroinas.

A produção da HBO recebeu impressionantes quinze indicações ao Emmy Awards e ganhou sete prêmios merecidos. Impressiona a história de vida de Temple, num desempenho quase sobrenatural de Claire Danes, uma jovem atriz excelente que desde “Garota de Vitrine” estava presa em papéis que não lhe davam o merecido brilho, que arrebatou o Emmy de melhor atriz. Diagnosticada com autismo aos quatro anos, Temple chegou a esta idade praticamente muda. Também não suportava o contato humano, tendo progredido apenas com a determinação de sua mãe Eustacia (Julia Ormond, outra grande intérprete que venceu o Emmy de melhor atriz coadjuvante pelo papel). A fase da vida que o filme inicia com maior destaque é com Temple incoporada por Claire Danes visitantando a sua tia Ann (Catherine O’Hara). Como Ann mora em uma fazenda, Temple Grandin desperta grande interesse pelo ramo agropecuário. O professor Carlock David Strathairn (Emmy de melhor ator coadjuvante) será uma presença importante, dando maior relevância ao universo de imagens que Temple visualiza.

O autismo é um tema que quando não é trabalhado da maneira mais apropriada por um cineasta pode render um dramalhão totalmente descartável. Felizmente, Mick Jackson (cineasta que já contava com algum prestígio com o telefilme “Ao Vivo de Bagdá”), não caí nesta armadilha, fazendo de “Temple Grandin” uma mistura harmônica entre situações bem-humoradas e outras dotadas de dramas defendidos pelas atrizes de maneira autêntica. Perspicaz ao materializar os pensamentos da protagonista, “Temple Grandin” também oferece uma grande lição de vida. Tendo revolucionado o ramo de abate animal, até então perverso e nada humanitário, Temple Grandin ministra até hoje palestras que permitem que os pais responsáveis por crianças autistas encarem este problema não como uma limitação, mas como uma oportunidade para uma vida cheia de possibilidades inéditas. O retrato moldado de Temple Grandin é belíssimo e mesmo tendo uma distribuição limitada por se tratar de uma produção televisiva merece ser visto.

Título Original: Temple Grandin
Ano de Produção: 2010
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Christopher Monger e William Merritt Johnson, baseado no livro “Emergence”, de Temple Grandin e Margaret Scarciano e “Thinking in Pictures”, de Temple Grandin
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, Catherine O’Hara, David Strathairn, Stephanie Faracy, Barry Tubb, Melissa Farman, Steve Shearer, Richard Dillard, Jenna Hughes, Michael Crabtree, Charles Baker, David Born e Matthew Posey
Cotação: 4 Stars.

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PlusCurvedRaceCattleCorralAlém de mostrar o longo processo de adaptação de Temple Grandin em vários ambientes, como o universitário, o longa-metragem televisivo dirigido por Mick Jackson dedica grande parte de sua narrativa à luta da protagonista no ramo de abate animal. Isto porque na época de Temple esta ação era realizada com maior desleixo, sem qualquer preocupação com o gado. Os animais ficavam agitados no percurso de obstáculos para o abate, dificultando totalmente o trabalho e até permitindo a morte considerável de bois e vacas afogados no tanque de escaldagem.

A imagem à direita representa o sistema inovador de abate projetado por Temple Grandin. Ela aponta que o gado se sente seguro ao atravessarem um longo corredor com curvas e, ao contrário do que  se testemunhava antes de sua  enriquecedora pesquisa, os animais ficam tranquilos no ato do abate. Mesmo assim, infelizmente, ainda há inúmeros registros de animais que sofrem maus-tratos já em confinamento, como publicou a Revista Veja em setembro deste ano.

4 comments on “Temple Grandin
  1. Pingback: Tweets that mention Temple Grandin | Cine Resenhas -- Topsy.com

  2. Claire está ótima, sem nunca cair no exagero que a personagem poderia pedir. E a história em si (mesmo que personagens com autismo já tenham sido bastante explorados pelo cinema) foi muito bem desenvolvida pelo Mick

  3. * Kamila. Concordo plenamente.

    * Luis. Eu tinha pequenos temores enquanto a isto, mas ao ver o filme eu apreciei um filme que deixa a nossa alma mais leve e tranquila sem apelas para sentimentalismos baratos. Excelente!

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