As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

As duas primeiras adaptações para cinema de “As Crônicas de Nárnia”, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” e “Príncipe Caspian”, são quase perfeitas, pois continham as principais características para uma grande fantasia: muita aventura, efeitos especiais excelentes e uma história cheia de elementos subliminares. Entretanto, o segundo filme, “As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian”, foi um banho de água fria para os estúdios Disney. Tendo custado mais que duzentos milhões de dólares, a renda nas bilheterias americanas esteve longe de atingir esta faixa, apesar do sucesso mundial. A Fox Film deu um jeitinho e cuidou de “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada”, tendo exigido corte no orçamento (cento e cinquenta milhões de dólares), na duração (aproximadamente uma hora e quarenta para garantir mais exibições por sala) e a conversão para o formato 3D. Não adiantou.

Nos filmes anteriores, todos os irmãos Pevensie estiveram em Nárnia. Desta vez, Susan (Anna Popplewell) e Peter (William Moseley) estão de fora, pois já atingiram a fase adulta e tiveram todos os seus deveres cumpridos em Nárnia. A nova missão, que é encontrar sete  espadas de sete lordes em pontos distintos de Nárnia a bordo do navio Peregrino da Alvorada, contará apenas com Lucy (Georgie Henley) e Edmund (Skandar Keynes), além do primo deles, Eustace (Will Poulter), como penetra. A viagem é comandada pelo príncipe Caspian (Ben Barnes) e há muitas possibilidades de insucesso, pois o mar é turbulento e pode provocar ilusões perigosas para os heróis.

Assim como foi para a franquia “Shrek”, a saída de Andrew Adamson da direção de “As Crônicas de Nárnia” pesou muito. O cineasta tem grande vigor para criar universos fantasiosos e mesmo estando como produtor de “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada” pouco sentimos a sua assinatura no projeto. Há ideias cheias de potencial, como os conflitos internos de Lucy e Edmund, lidando, respectivamente, com a Vaidade e a Ira. Mas na maior parte do tempo contempla-se uma aventura pouco empolgante, o que é estranho vindo de Michael Apted. O cineasta é veterano e parecia a escolha ideal para substituir Andrew Adamson. Mesmo assim, notamos mais um realizador que sofreu pressão do estúdio para finalizar seu trabalho do que alguém preocupado em deixar alguma marca com a qual seja possível identificá-lo.

Título Original: The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader
Ano de Produção: 2010
Direção: Michael Apted
Roteiro: Christopher Markus, Michael Petroni e Stephen McFeely, baseado no romance de C.S. Lewis
Elenco: Georgie Henley, Skandar Keynes, Ben Barnes, Will Poulter, Gary Sweet, Terry Norris, Bruce Spence, Bille Brown, Laura Brent, Colin Moody, Anna Popplewell, William Moseley, Shane Rangi, Arthur Angel, Arabella Morton, Rachel Blakely, Steven Rooke, Tilda Swinton e vozes de Simon Pegg e Liam Neeson
Cotação: ***

 

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

9 Comentários em As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

  1. É notoriamente um filme de estúdio, como você bem cita, sem “marcas” visíveis de um ou outro profissional – fiquei admirado com a técnica, mas nem tanto com o restante. Gistei muito do primeiro episódio de Nárnia, mas algo me dizia que os próximos iam esfriar. E minhas previsões se confirmaram.

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