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Os Cinco Filmes Prediletos de Luciano Lima

Há um tempo atrás comentei com o Luciano de que me lembrava perfeitamente do exato momento que passamos a iniciar de verdade uma amizade virtual. E foi num momento onde nossas opiniões sobre um filme, “Femme Fatale”, não se cruzavam – Semente da Discórdia é um apelido dado pelo Luciano do qual tenho muito orgulho. Não é segredo para ninguém que este título de Brian De Palma é uma obra-prima para mim, mas o Luciano não concorda com isso (não sei hoje em dia).

Este pequeno relato demonstra o motivo pelo qual tenho tanto carinho pelos blogueiros cinéfilos que desde 2006 tive o prazer de trocar comentários e impressões, assim como são especiais aqueles que pude após um longo tempo conhecer pessoalmente. Um desses blogueiros, claro, é o Luciano Lima, editor do site A Sala, que para a alegria de todos nós retomou as suas atividades após alguns meses sem atualizações.

Disse ao Luciano que a única razão dele não ter sido um dos primeiros convidados foi o medo de eu receber um “não”. Bobagem da minha parte, como pode ser comprovada a seguir com essa relação dos seus cinco filmes favoritos.

 

 

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, de Michel Gondry (2004, Eternal Sunshine of the Spotless Mind)

O primeiro contato que tive com as ideias de Charlie Kaufman foi em “Quero Ser John Malkovich”. Havia ficado fascinado pela loucura que era o roteiro e ainda assim pelo sentido que toda aquela bagunça, digna de um veterano em alucinógenos, fazia. Mas foi em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” que não só Kaufman, mas também Michel Gondry começaram a despertar meu interesse. Lembro bem de ter visto este filme duas vezes seguidas e, meu Deus, como é bom assistir um filme que praticamente se renova em detalhes a cada conferida. E o que falar de Carrey e Winslet? Era uma química que eu realmente não achava que fosse existir. “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” é, ironicamente, um filme inesquecível.

 

Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson (1997, L.A. Confidential)

Nunca fui muito fã dos trabalhos do Russel Crowe, mas há momentos na vida em que é preciso dar o braço a torcer. Com o australiano isso aconteceu duas vezes: Em “O Informante” e como o valentão Bud no ótimo “Los Angeles – Cidade Proibida”. Este filme me grudou na tela. Todo mundo ali estava inspiradíssimo, apesar de eu não engolir o Oscar para a Kim Basinger. Aquele ano era da Julianne Moore por “Boogie Nights”. Foi um revival interessantíssimo sobre a estrutura do cinema noir. Sentir na pele que ninguém é confiável, que há algo de muito errado e que toda vez que você investiga algo ainda mais podre surge em sua frente foi daqueles momentos marcantes em que o cinema te incita a investigar e se enganar algumas vezes. “L.A. Confidential” me ganhou e me fez perceber um Crowe menos “olha como eu sei atuar” – apesar da impressão forte de que ele simplesmente interpretou ele mesmo em vários momentos do filme.

 

Mr. Vingança, de Chan-wook Park (2002, Boksuneun naui geot)

Sou louco pela trilogia da vingança, dirigida por Chan-wook Park, o coreano perturbado que me fez delirar com tantas demonstrações de egoísmo, violência e orgulho vindas direto da fonte: o ser humano. Este que vos escreve é meio fascinado pelo lado negro da humanidade e até aonde vai um homem desesperado, ou acuado. É como ver um animal selvagem na mesma situação. Nessa ocasião lidamos com o dilema de um deficiente auditivo que precisa de dinheiro para pagar o tratamento da irmã. Ele só vê saída no crime e sequestra uma garotinha. A coisa toma uma proporção tão absurdamente plausível que chega a encabular. Park é o mais irônico possível, usa a câmera para escarnecer e impressionar com um ritmo irregular perfeito. “OldBoy” é bom, mas para mim perde para “Mr. Vingança”. Na dúvida veja todos!

 

As Horas, de Stephen Daldry (2002, The Hours)

Lembro perfeitamente da situação em que vi “As Horas”. Sabe aquele filme que fala com você? Que te faz perceber algumas coisas? Essa é uma das características que mais me fascina no cinema: ter vivência através de uma vivência, muitas vezes, irreal, mas completamente plausível. O drama baseado na vida de três mulheres ultrapassa a barreira do sexo e bate de frente com a nossa essência. “As Horas” até hoje me emociona com a sutileza de algumas falas, com o poder que tem de se comunicar através de expressões. Todo o elenco é fenomenal, de Nicole Kidman (Oscar merecidíssimo) ao Ed Harris, tudo se encaixa perfeitamente, em sincronia irretocável. Isso sem falar na trilha fenomenal daquele que é meu compositor favorito. Philip Glass deu um verdadeiro show nesse drama de incontáveis interpretações.

 

Fonte da Vida, de Darren Aronofsky (2006, The Fountain)

Foi aqui que eu disse “Aronofsky veio pra ficar”. Apesar da fraca recepção, justificável por ser o filme mais “difícil” da carreira desse talentoso diretor, em “Fonte da Vida” onde muita gente vê o espalhafatoso, vejo o experimental de sucesso. Essa trama intrigante sobre a dificuldade do ser humano de simplesmente se desapegar, serviu para mostrar a versatilidade de Hugh Jackman. Isso sem falar na capacidade artística que Clint Mansell atinge quando unido ao diretor. É incrível. Todas as trilhas Mansell+Aronofsky são memoráveis, mas em “Fonte da Vida” Mansell atingiu o auge da criatividade.

 

18 Comments

  1. Poxa, só vI Brilho Eterno (o qual preciso rever com urgência) e As Horas desses que ele citou. To malz!

  2. É uma lista interessante e diversificada, de onde AS HORAS é o de que mais gosto e capaz de entrar numa relação dos meus favoritos.

  3. Excelentes filmes, embora não tenha assistido a Mr. Vingança. Considero muito todos, mas tenho carinho especial por Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e As Horas.

  4. Luciano é um cara de muito bom gosto, além de muito claro, sensível – como nota-se em alguns comentários -, e gente boa. hehe Brilho Eterno é um dos meus filmes preferidos de todo o sempre, adorei sua escolha. Considero Fonte da Vida um dos grandes filmes do Darren, mas preciso rever, assim como As Horas, que vi faz um tempão!
    Os outros dois eu não vi. =/

    []s!

    • Nem de muito bom gosto assim. Ele gosta de “Tron – O Legado”.

  5. Cara, não conhecia “Mr. Vingança”. Gostei da lista. Acho Brilho Eterno fantástico. Nem preciso dizer que amei a presença de Fonte da Vida, Aronofsky já é um dos meus cineastas atuais favoritos. Sua filmografia é impecável. LA Confidential é um puta filome, inclusive tenho até o dvd aqui em casa, hehehe. As horas, obra-prima. Sem mais!

    • Em casa eu só tenho “Lady Vingança”. E não gosto muito de “Fonte da Vida”, mas vá lá!

  6. Adorei ver “As Horas” na lista e preciso ver “Fonte da Vida” com certa urgência. ;)

    • Mayara, nem corra atrás de “Fonte da Vida”, embora o honorável Luciano provavelmente lhe recomendaria o contrário.

  7. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Ah Fonte da vida é o ápice da lista!

    antes até sim, mas hoje em dia o Alex jamais faria uma lista dessas comigo. hehehehe

      • Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

        quis dizer que quando te conheci meu gosto pelo cinema ainda era normal, ou parecido com o seu. Mas agora eu dou mais espaço para obras extremistas, de teor bizarro e nonsense. Deixei um pouco de lado Hollywood …entendeu ?

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