Encontro Explosivo


Se um dia Tom Cruise foi consagrado como o maior astro de Hollywood atualmente o ator tenta se esforçar ao máximo para não ser esquecido. E isto não é apenas consequências da Cientologia ou de pulos perturbadores no sofá de Oprah Winfrey. Se por um lado trabalhar em filmes como “De Olhos Bem Fechados” e “Magnólia” mostrou o seu potencial como intérprete dramático por outro Tom Cruise acredita que sua carreira continuará sendo fortalecida ao sempre reprisar o típico papel de herói destemido, quase imortal, e galanteador egocêntrico. Isto sinaliza cansaço em um público que busca por atores camaleônicos que sempre garantem bom entretenimento não importa em qual papel. Fazendo mais do mesmo, Tom Cruise é a pior coisa de “Encontro Explosivo”, desde já o primeiro tropeço de James Mangold, um cineasta tão bom pela sua versatilidade.

O material não ajuda. Patrick O’Neill escreve o seu primeiro roteiro para cinema com um mistério para lá de burocrático, embora o início seja promissor ao registrar o encontro do agente secreto Roy Miller (Tom Cruise) e a dona de uma mecânica June Havens (Cameron Diaz) em um avião com quase uma dúzia de passageiros armados que planejam assassinar Roy. Todos estão no encalço deste agente, que porta uma espécie de bateria com energia ilimitada. O “brinquedo” pode ser uma arma perigosa nas mãos erradas, como a do inescrupuloso Fitzgerald (Peter Sarsgaard, provavelmente no papel mais insosso de toda sua carreira). A intenção de Roy é encontrar seu amigo nerd Simon (Paul Dano) para ajudá-lo, mas eis que June não consegue esconder a atração que tem pelo sujeito e o acompanha nesta ação.

Tom Cruise e Cameron Diaz dividiram a cena brevemente em “Vanilla Sky”, a pretensa refilmagem de “Abra os Olhos”, de Alejandro Amenábar. Já em “Encontro Explosivo” não há química. Talvez pelos rumos que as carreiras de Tom Cruise e Cameron Diaz levaram. Enquanto o espião Ethan Hunt da franquia “Missão: Impossível” continua com a carreira estagnada, Cameron Diaz se reinventou com desempenhos irretocáveis em dramas como “Uma Prova de Amor” e “Em Seu Lugar”. Mas madura, Cameron Diaz responde pelos melhores momentos de “Encontro Explosivo”. Já Tom Cruise não abandona os maneirismos, negativos o suficiente para prejudicar a ação. Se o próximo musical de Adam Shankman não ajudá-lo, é bom ele reaver suas escolhas imediatamente.

Título Original: Knight and Day
Ano de Produção: 2010
Direção: James Mangold
Roteiro: Patrick O’Neill
Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano, Falk Hentschel, Marc Blucas, Lennie Loftin, Maggie Grace, Rich Manley, Dale Dye e Celia Weston
Cotação: **

 

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

7 Comentários em Encontro Explosivo

    • Mayara, eu gosto do cinema de James Mangold (“Garota, Interrompida” é o meu filme favorito de sua filmografia), mas aqui ele não passa de uma vítima do ego de Tom Cruise.

  1. Um filme bem medíocre mesmo, mas achei, como mencionei no meu texto, que Cruise está bem no papel (ou “a vontade”, já que interpretou o tipo tantas vezes…), mas ele deve, sim, ser repreendido por estar voltando aos mesmos personagens (esteve tão bem em OPERAÇÃO VALQUÍRIA). O filme tem sequências muito bem elaboradas, mas com execução péssima (que efeitos visuais horrorosos!). O melhor de tudo é, sem dúvida, a ótima trilha de John Powell, que usa muito bem intrumentos de persussão.
    http://observatoriodocinema.blogspot.com/2010/08/cinema-encontro-explosivo.html

    • Mateus, muitos reclamaram dos efeitos visuais da fita, mas acho que eles são propositais, dando a impressão de referenciar aventuras românticas clássicas. Acho que James Mangold tinha boas intenções com este filme, mas a escalação de Tom Cruise prejudicou todo o projeto.

  2. Acho que este filme cumpre muito bem o papel de entreter. Acho que a recepção que o longa obteve foi um tanto injusta. Achei divertido demais!

    • Kamila, assim como você, grande parte do público se entusiasmou com o filme. Mas comigo não desceu. Acho uma pena quando o material se torna inferior a limitação de seu intérprete principal.

  3. Eu ainda me lembro do Marketing que esse filme teve na época , e
    da cômica volta ao mundo de Tom Cruise e Cameron Diaz . No final
    das contas é um filme até divertido mais não para se ver no cinema
    onde a busca por emoção é sempre muito maior que na casa da gente .

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