O Discurso do Rei

Falar é uma das maiores dádivas do ser humano, que em todos os momentos sente a necessidade de se comunicar, se expressar. Sem ela ou qualquer tipo de linguagem seria impossível viver em harmonia. David Seidler, um autor veterano até então sem qualquer expressão, não deixou de não possuir esta habilidade, mas a teve com interferências em sua infância, pois era gago. Foi por conseguir superar este momento que o emperrava tanto que surgiu o interesse de escrever um roteiro a respeito do Rei George VI, antes duque de York que sofria do mesmo mal de David. Mas enquanto o roteirista David Seidler superou sua limitação antes mesmo de trabalhar com a escrita para cinema, o Rei George VI enfrentava com sua gageira um público, já concentrado em um enorme estádio, certamente desconcertado com sua situação. É sobre esta fase que se trata “O Discurso do Rei”, drama britânico apontado como o favorito a vencer o Oscar de melhor filme em longa-metragem no próximo evento que acontecerá na noite de domingo, 27 de fevereiro.

Somos apresentados a Albert Frederick Arthur George, ou simplesmente Bertie (Colin Firth), ainda como duque de York, casado com Elizabeth (Helena Bonham Carter) e pai de duas meninas, Elizabeth e Margaret (Freya Wilson e Ramona Marquez). Ele passa por inúmeros fonoaudiólogos e os tratamentos, que envolvem bolas de gude e vício pelo tabaco, jamais atingem algum resultado positivo. Lionel Logue (Geoffrey Rush), australiano gentil e figura de grande suspeita, é o primeiro a submetê-lo em experiências que finalmente são capazes de extrair algum progresso. Mesmo assim, Bertie não está totalmente livre de sua gagueira, na qual Lionel aponta se tratar nada mais do que um problema psicológico, e fica na corda bamba quando o seu irmão, o Rei Edward VIII (Guy Pearce), recorre à renúncia em troca do casamento com a americana Wallis Simpson (Eve Best), então divorciada duas vezes. Como Bertie ocupará este cargo real se ele nem ao menos está preparado para se apresentar ao público?

Esta questão dá um ar de curiosidade enorme e com ela “O Discurso do Rei” parece nos atrair. Mas não se enganem, pois a realização Tom Hooper em raros momentos possibilitam que os sentimentos presentes no espectador ao encarar o seu primeiro ato ganhem outras dimensões. A razão é a mesma de outros filmes ingleses, como o recente “A Jovem Rainha Vitória”: preocupam-se demasiadamente com as firulas de época. Formal demais com os costumes e direção de arte que clamam por atenção, “O Discurso do Rei” só abandona toda essa mediocridade (embora às vezes lindos para os olhos, deva-se admitir) com a interpretação de Colin Firth. Geoffrey Rush e especialmente Helena Bonham Carter não fazem nada de mais, francamente. Já Colin Firth, no ápice da carreira e trabalhando sem parar, faz um minucioso trabalho de caracterização, convincente com sua gaguês e a única presença humana em situações como aquela onde, descontroladamente, grita “Shit!” e “Fuck!” tamanho o seu tormento em ser o responsável pela voz que o seu povo tanto precisa.

Título Original: The King’s Speech
Ano de Produção: 2010
Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Guy Pearce, Claire Bloom, Michael Gambon, Jennifer Ehle, Calum Gittins, Dominic Applewhite, Ben Wimsett, Timothy Spall, Paul Trussell, Charles Armstrong, Freya Wilson, Ramona Marquez, Jake Hathaway, Patrick Ryecart, Tim Downie, Orlando Wells, Eve Best e Anthony Andrews
Cotação: 3 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em O Discurso do Rei

  1. Achei um filme simpático e me identifiquei não só por ser um filme sobre a monarquia britânica, mas pelo fato do dilema que o personagem passa com relação a comunicação. E isso se fortalece com a bela atuação do Colin Firth. ;)

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