127 Horas

O público já havia passado recentemente por uma experiência claustrofóbica com o thriller “Enterrado Vivo“, onde Ryan Reynolds surgia durante uma hora e meia como o único personagem de uma narrativa inteiramente passada dentro de um caixão. Por não ir além disto, embora exista nesta realização do espanhol Rodrigo Cortés algumas leituras interessantes, outro “teste de resistência” ganhou mais relevância por abraçar sem medo caminhos edificantes. Trata-se de “127 Horas”, novo filme do britânico Danny Boyle baseado em um episódio real da vida do alpinista americano Aron Ralston e que recebe do Oscar 2011 seis indicações.

“127 Horas” não é um filme que inicia sufocando o espectador. Temos uma breve introdução do nosso herói Aron Ralston (incorporado por James Franco), um jovem carismático e cheio de energia que segue suas aventuras radicais sem dar satisfação aos pais e amigos. Sozinho, pretende escalar no canyon em Utah. No meio da trilha, depara-se com duas jovens, Kristi e Megan (pontas de Kate Mara e Amber Tamblyn), tendo rápida companhia. Seguindo em frente, um acidente: Aron tem o seu antebraço direito preso sob uma rocha. Já o título do longa-metragem refere-se ao tempo que Aron ficou nesta situação tendo disponível pouca água e alimento e os equipamentos indispensáveis para qualquer alpinista, como filmadora para gravar os melhores momentos, cordas, ganchos e até canivete suíço.

Por este ser um registro de uma história recente (Aron passou por este sufoco em maio de 2003), muitos ou todos já sabem qual é o fim de “127 Horas”. Mesmo assim, isto não impediu que o sacrifício físico que Aron teve que se submeter repercutisse em polêmica materializada em desmaios, vômitos e casos de epilepsia. No entanto, o exagero maior do que estas reações é a frenesi típica da filmografia de Danny Boyle. Se os delírios, memórias em flashbacks, esperança quase inabalável e a descrença com um final trágico são itens indispensáveis e que estão presentes na narrativa por outro a montagem acelerada não permite que o clima de tempo inacabado de cinco dias para um caso como este seja respeitado. Neste medo de fazer o tédio o protagonista de “127 Horas”, este se torna mais frenético que o próprio “Show do Milhão Bollywoodiano” e diminui a veracidade dos fatos.

Título Original: 127 Hours
Ano de Produção: 2010
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseado no livro “Between a Rock and a Hard Place”, de Aron Ralston
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Sean Bott, Treat Williams, Kate Burton, Koleman Stinger, Parker Hadley e Clémence Poésy
Cotação: ***

 

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em 127 Horas

  1. Concordo que o Boyle quer transformar o filme NELE. Utiliza de toda aquela montagem, ângulação, tremedeira típica e deixa de mostrar o verdadeiro talento do Franco.

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