Sede de Sangue

De uma hora para outra, o vampirismo voltou a se tornar popular. Atualmente, em todos os lugares se encontra uma história protagonizada por vampiros em qualquer mídia. Livros, seriados, games e especialmente filmes. Em matéria de cinema, nenhum título recente da linha supera “Sede de Sangue”, horror comandado por Park Chan-wook. O realizador se mostrou notável com sua inusitada Trilogia da Vingança e com “Sede de Sangue” ele se supera, colaborando para fortalecer ainda mais o cinema sul-coreano como dono de narrativas que sempre discutem a ausência de moral do ser humano e com técnica cinematográfica arrebatadora.

O padre bem-intencionado Sang-hyeon (Song Kang-ho) se submete a um experimento que busca combater um vírus mortal. Assim como várias vezes em outros voluntários, as reações não são positivas no corpo de Sang-hyeon, levando-o a morte. Entretanto, a transfusão de sangue feita enquanto estava internado o faz ressuscitar. O problema é que o sangue aparentemente estava contaminado, fazendo agir repentinamente diferente. A sede por sangue alheio é insuportável e quando não caça humanos seu vigor físico é comprometido.

Como Park Chan-wook adora complicar a situação, há outro personagem importante nesta história inspirada em um livro de Émile Zola. Tae-ju (Kim Ok-bin) é uma jovem atraente que não passa de uma escrava para sua família adotiva. É humilhação atrás da outra e a relação com Sang-hyeon, que neste ponto já passa a acreditar que os seus impulsos são característicos de um vampiro, renderá uma reviravolta impressionante.

Qualquer produção que se aventure no universo vampírico automaticamente adquire alguma relevância. Agora quando este universo está representado por uma narrativa que se esquiva dos chavões típicos e mantém ainda mais evidente a exposição dos conflitos internos de seus personagens o resultado pode ser uma obra-prima. Há algo de fascinante nestas criaturas noturnas e convertê-las em um padre que procura amenizar os seus pecados ao vitimar pessoas já condenadas à morte e uma garota ansiosa para se vingar é uma sacada genial. Com um humor negro imprevisível que atinge seu ápice nos minutos finais e cenas com uma tensão insuportável (a exemplo daquela onde a mãe de Sang-hyeon tenta, inválida, registrar uma mensagem para alguns convidados de última hora e vítimas em potencial), “Sede de Sangue” é uma das produções mais marcantes de 2010.

Título Original: Bakjwi
Ano de Produção: 2009
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook e Jeong Seo-Gyeong, inspirado no livro “Thérèse Raquin”, de Émile Zola
Elenco: Song Kang-ho, Kim Ok-bin, Kim Hae-sook, Shin Ha-kyun, Park In-hwan, Oh Dal-su, Song Young-chang, Mercedes Cabral e Eriq Ebouaney
Cotação: ****

 

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Sede de Sangue

  1. Sou um grande admirador do cinema do Park, mas até hoje não sei como ele foi capaz de fazer um filme tão pífio. A narrativa é toda confusa, rápida, não deixa espaço para que as situações aconteçam de forma orgânica. Para mim, a montagem tenta ser “ágil”, mas só consegue tornar o filme um samba do crioulo doido. Gosto muito da personagem da jovem, mas acho que seu drama se perde em meio a tanta confusão narrativa. Espero que o Park volte à boa forma, já que o filme dele anterior a esse, I’m a Cyborg, But That’s Ok, é uma bosta completa.

4 Trackbacks & Pingbacks

  1. Melhores de 2010 – Indicados « Cine Resenhas
  2. Melhores de 2010: Roteiro Adaptado « Cine Resenhas
  3. Melhores de 2010: Filme « Cine Resenhas
  4. 10 Melhores Filmes de 2010 « Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: