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Resenha Crítica | O Golpista do Ano (2009)

A vida do americano Steven Jay Russell é realmente digna de um filme. Preso, foi sentenciado em 2010 a permanecer neste estado até 12 de julho de 2140 (!). Mas o que este sujeito fez de tão grave? Durante muitos anos, Steven Jay Russell praticou inúmeros golpes e sempre conseguia meios de fugir da cadeia quando detido. Parece até personagem da ficção e a dupla Glenn Ficarra e John Requa reproduz com fidelidade episódios reais de Steven.

Antes dos golpes, Steven Russell (Jim Carrey) era um policial, marido, pai e cristão praticante aparentemente de boa índole. Num acidente que o deixa gravemente ferido, revela-se homossexual para quem quiser ouvir. Abandona aos poucos com isto sua esposa Debbie (Leslie Mann, mal aproveitada) a partir do momento que aplica seus golpes em busca de grana fácil. Até banca seu querido amante Jimmy, personagem feito pelo brasileiro Rodrigo Santoro. Ao ser preso, descobre a imediata sintonia que tem pelo seu companheiro de cela, o sensível Phillip Morris (Ewan McGregor), tendo seus verdadeiros sentimentos pela primeira vez correspondidos. De golpe em golpe, livre ou por trás das grades, Steven procura manter o relacionamento.

A dupla de cineastas estreantes oferece um tom cômico para ilustrar a história de Steven Russell. Mesmo assim, tiveram sérios problemas para lançarem o filme nos cinemas americanos, tão careta e conservador. Sem um público específico, “O Golpista do Ano” foi finalizado em 2008 e entrou em cartaz no circuito limitado apenas no final de 2010. A partir deste momento, os comentários nem se aproximaram da polêmica vista quando fotos promocionais com Jim Carrey e Ewan McGregor se abraçando e quase se beijando.

O centro dessa falta de popularidade do filme, ironicamente, é Jim Carrey. Ewan McGregor apresenta como Phillip Morris um de seus melhores desempenhos, respondendo pelos momentos mais humanos da história. Já Jim Carrey está totalmente fora de tom como Steven Russell, praticamente reprisando Ace Ventura ultrapassando todos os limites da afetação. Uma forma equivocada de incorporar um personagem fascinante que provavelmente não contou com a orientação apropriada de Glenn Ficarra e John Requa como diretores do astro, rendendo um filme que não traz um mínimo de veracidade e com ritmo problemático.

Título Original: I Love You Phillip Morris
Ano de Produção: 2009
Direção: Glenn Ficarra e John Requa
Roteiro: Glenn Ficarra e John Requa, baseado no livro de Steve McVicker
Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann, Rodrigo Santoro, Antoni Corone, Brennan Brown, Michael Mandel, Annie Golden, Marylouise Burke, David Jensen e Dameon Clarke

 

6 Comments

  1. Por mais incrível que possa parecer, estar é uma das poucas críticas que vão contra o filme que vejo por aí. É também, ao meu ver, a que pode estar mais coerente. Não tenho como ter certeza, porque não vi o filme. Logo saberemos se julguei mal ou não.

    Grande abraço!

  2. Também achei fraco. E concordo sem ressalvas sobre o que você diz de Carrey. Os diretores erraram em abordagem, e toda a história se afundou num absurdo maior que os fatos permitiam. 5/10

  3. Não sei dizer direito o por quê, mas esse filme não me atrai…

  4. Engraçado, Alex, o filme de fato tem esses problemas que você mencionou… Mas eu não consigo deixar de achá-lo simpático. E com certeza Ewan McGregor é o ponto alto, com sua interpretação cheia de humanidade.

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