Resenha Crítica | O Livro de Eli (2010)

Se filmes como “A Estrada” se dedicam em serem o mais realista possível num cenário pós-apocalíptico, outros como “O Livro de Eli” querem fazer a farra. Os irmãos Hughes não filmavam desde “Do Inferno”, a adaptação da graphic novel assinada por Allan Moore. Exceções apenas a colaboração para um dos seguimentos de “Nova York, Eu Te Amo” e a produção televisiva “No Limite da Maldade” (drama criminal estrelado por Jeffrey Donovan e Vera Farmiga). A questão é que em ambos os projetos apenas Allen Hughes assinou a direção. O reencontro dos Hughes Brothers se dá em “O Livro de Eli”, fita cheia de adrenalina contando com Denzel Washington como o personagem título.

Eli é um homem solitário que vaga por lugares inóspitos. A razão está ligada a um livro que porta. Num futuro onde os poucos sobreviventes são analfabetos, o livro apresenta um conteúdo que promete mudar toda a humanidade – ou o que restou dela, claro. Depara-se na sua jornada com Carnegie (Gary Oldman), sujeito ameaçador que toma posse de todo um vilarejo que contém água e suprimentos. Carnegie fica tão impressionado com as habilidades físicas que Eli apresenta em uma briga provocada em seu bar que lhe oferece um dia de estada. É claro que é uma armadilha, pois não demora para Carnegie descobrir que Eli carrega consigo um livro que tanto almeja folhear, pois é o único que sabe ler.

A história começa a ficar ainda mais eletrizante quando Eli ganha Solara (Mila Kunis, muito bacana no papel) como uma inesperada aliada. A bela jovem é filha da cega Claudia (Jennifer Beals), quase uma esposa submissa de Carnegie. Apesar da desconfiança inicial, a dupla ruma para um monastério para deixar o livro em segurança, rendendo sequências com efeitos visuais excelentes para representar toda a destruição de um planeta. Os Hughes Brothers são donos de uma filmografia pequena e bem comentada com a abordagem diferenciada dos guetos e da população negra retratadas nos longas “Perigo Para a Sociedade” e “Ambição em Alta Voltagem”. Assim como em “Do Inferno”, “O Livro de Eli” representa uma mudança de ares, especialmente pelo orçamento alto de oitenta milhões de dólares que eles tiveram acesso.

Os Hughes Brothers honram grande parte do investimento, elaborando cenas de ação bem originais. A melhor delas é de longe aquela que faz uma impagável referência ao clássico “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”. Veteranos, o irlandês Michael Gambon e a britânica Frances de la Tour incorporam George e Martha, praticamente uma encarnação dos personagens de Richard Burton e Elizabeth Taylor, com o diferencial de serem canibais em potencial. A cena de tiroteio na velha residência do casal é sensacional.

Título Original: The Book of Eli
Ano de Produção: 2010
Direção: Albert Hughes e Allen Hughes
Roteiro: Gary Whitta
Elenco: Denzel Washington, Mila Kunis, Gary Oldman, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon, Tom Waits, Chris Browning e Malcolm McDowell

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em Resenha Crítica | O Livro de Eli (2010)

  1. O Livro de Eli é um dos filmes -pipoca mais divertidos e inteligentes que Hollywood concedeu-nos ultimamente. Agora o filme não tem tanta importância, mas com o passar do tempo, como bem observou o primeiro internauta, o filme vai entrar numa categoria muito boa. Devia estra na sua lista Alex, de melhor filme e melhor trilha sonora também.
    A trilha de Eli é sensacionalemente instigante!

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