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Resenha Crítica | Revolução em Dagenham (2010)

Nigel Cole é dono de uma filmografia composta apenas por cinco obras cinematográficas (a sexta, “Rafta Rafta”, ainda está sendo filmada). O diferencial é que em todas elas o realizador britânico mostrou a que veio. Isto porque foi capaz de encher de personalidade histórias que facilmente poderiam ser banalizadas por outros diretores, seja de uma mulher de meia-idade que supera de forma pouco convencional sua viuvez (“O Barato de Grace”), um amor juvenil registrado por encontros e desencontros (“De Repente É Amor”) e a relação desfeita entre pai e filho com vidas errantes (“De Golpe em Golpe”). O seu melhor é mostrado em “Garotas do Calendário” e, de certa forma, reprisado em “Revolução em Dagenham”, produção recentemente lançada em nosso país direto para o mercado de DVD.

O diretor tem tato para histórias reais, onde relata grandes mulheres através de pequenas ações bem-intencionadas. Mas se em “Garotas do Calendário” as protagonistas de idade buscavam levantar verba apenas para substituir o sofá do asilo onde vivia o marido de uma delas, “Revolução em Dagenham” apresenta um acontecimento realmente marcante. Cansada de fazer um trabalho que requer o mesmo esforço que de homens em outros departamentos da Ford, Rita O’Grady (Sally Hawkins) move montanhas junta a suas amigas e ao representante sindical Albert (Bob Hoskins) na luta pela igualdade salarial. Rita trabalha no setor de costura, paralisado com uma greve que se arrastou por dias e que fez a Ford de Dagenham fechar suas portas por tempo indeterminado. Afinal, sem passar pelo processo que Rita e suas companheiras de trabalho eram responsáveis era impossível a produção de novos veículos.

Essa dramatização do episódio real de 1968 rende fortes consequências até hoje e é difícil imaginar como uma história tão forte como esta jamais tenha ganhado as telas antes de chegar nas mãos de Nigel Cole. Em um mundo onde mulheres ainda buscam serem valorizadas no mercado de trabalho, “Revolução em Dagenham” se mostra incisivo. Mais do que isto, a produção sabe dosar a seriedade deste conteúdo e dar relevo as personagens reais, retratadas como mulheres vaidosas, descontraídas e duras de queda. O melhor momento onde isto é testemunhado é na maravilhosa presença de Rosamund Pike, que vive a esposa de um ricaço. Em um daqueles momentos de brilhantismo com potencial de entrar na história do cinema, sua personagem, Lisa, se dirige a Rita relembrando os seus gloriosos tempos na universidade onde lia sobre pessoas extraordinárias que influenciaram a história e o quanto gostaria de vivenciar os sentimentos dessas pessoas no momento que atingem grandes feitos, incentivando-a a não desistir de sua luta. Ao término de “Revolução em Dagenham” a maior certeza que fica é de que Rita O’Grady experimentou esse desejo de Lisa como uma grande heroína.

Título Original: Made in Dagenham
Ano de Produção: 2010
Direção: Nigel Cole
Roteiro: William Ivory
Elenco: Sally Hawkins, Daniel Mays, Bob Hoskins, Miranda Richardson, Rosamund Pike, Jaime Winstone, Geraldine James, Andrea Riseborough, Andrew Lincoln, Rupert Graves, Richard Schiff, Lorraine Stanley, Nicola Duffett, Matthew Aubrey, Roger Lloyd-Pack, Sian Scott, Robbie Kay, Marcus Hutton e Danny Huston
Cotação: 4 Stars

12 Comments

  1. Quero ver este filme somente mesmo para conferir a elogiada atuação de Sally Hawkins!

    • Ela está excelente como sempre, Kamila. Mas, particularmente, a grande interpretação aqui é a de Rosamund Pike.

  2. […] argumento podia render um drama (como aconteceu recentemente em “Revolução em Dagenham”), mas François fez bem em adaptar livremente a peça de Jean-Pierre Grédy e Pierre Barillet […]

  3. Se Nagao Se Nagao

    Todas as mulheres deveriam assistir, principalmente aquelas que acham que não sabem das lutas das mulheres para ter os seus direitos garantidos.

  4. […] Primeiro Amor“, “As Coisas Impossíveis do Amor“, “A Mentira“, “Revolução em Dagenham“, “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão“, “Dominados Pelo […]

  5. Andréia Honorato Gonçalves Andréia Honorato Gonçalves

    Toda mulher deve assistir para se inspirar e viva as mulheres.

  6. […] O filme mostra a vida da operária inglesa Rita O’Grady (Sally Hawkins), mãe de família, que de repente se vê envolvida na luta por direitos trabalhistas e femininos, deixando em segundo plano seu papel de esposa e mãe, relata uma história real, que aconteceu em 1968 e deve um impacto importantíssimo na história das relações trabalhistas e na vida das mulheres da Inglaterra, com influência sobre diversos outros países. E fez a Ford de Dagenham fechar suas portas por tempo indeterminado. (Cine Resenhas) […]

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