Padre

O bom relacionamento entre cineasta e qualquer responsável por efeitos visuais é um dos itens mais importantes para um filme ser bem-sucedido, especialmente se o título pertencer ao gênero de ficção, fantasia ou ação. Afinal, serão eles, contando também com a colaboração do diretor de fotografia, que irão ditar a estética da obra. Infelizmente, muitos responsáveis pelo departamento de efeitos visuais confundem essa parceria profissional como aprendizagem para futuramente ocuparem uma cadeira de cineasta. Scott Charles Stewart, um dos responsáveis pelos efeitos visuais de “O Hospedeiro” e “Sin City – A Cidade do Pecado”, é um dos mais recentes nomes a trocarem de cargo. O resultado tem sido indigesto, como testemunhado pela má recepção de “Legião” (lançado diretamente em DVD no Brasil) e agora em “Padre”, exibido em várias cópias em 3D.

O roteiro do estreante Cory Goodman se baseia na graphic novel de Hyung Min-Woo, mas os belos traços do artista sul coreano não ganharam boa tradução para as telas de cinema. Num cenário pós-apocalíptico, padres com habilidades extraordinárias travam uma batalha de gerações contra vampiros. Paul Bettany vive o protagonista conhecido apenas como Padre, talvez o guerreiro religioso mais fervoroso e habilidoso existente. Padre passa a questionar o próprio Monsenhor (interpretado por Christopher Plummer) para o qual serve quando é estritamente proibido de atender o pedido do detetive Hicks (o sempre sofrível Cam Gigandet), que precisa de ajuda para socorrer Lucy (Lily Collins). Há fronteiras que os padres não devem ultrapassar para evitar novos conflitos contra os vampiros e são nelas que provavelmente está a jovem Lucy, então sobrinha de Padre e namorada de Hicks. Black Hat (Karl Urban), um humano-vampiro, é o grande vilão da trama.

Apesar de uma ficção de horror situada em um mundo alternativo sempre despertar alguma curiosidade, nada definitivamente funciona em “Padre”. A começar pelo trabalho técnico capenga, que não apenas concebe os piores vampiros já imaginados no cinema contemporâneo como também são sabotados pelo próprio Scott Charles Stewart, incapaz de dirigir seu elenco em sequências de ventanias no meio do deserto que deveriam dificultar a visão dos personagens quando não usam estilosos óculos de proteção. Já a narrativa em nenhum momento levanta qualquer discussão pertinente sobre o domínio que as igrejas estabelecem sob uma população que parece viver em um campo de concentração futurístico. Nem diante de uma avaliação que encare “Padre” como mero entretenimento suavizaria seus problemas, pois a ação é anêmica (senão ridícula, a exemplo da sequência filmada dentro de uma caverna onde Paul Bettany usa pedras lançadas no ar como degraus para atingir uma criatura) e oferece um 3D totalmente dispensável. Reconhecendo a assinatura de Sam Raimi na produção, esperava-se por algo menos canhestro.

Título Original: Priest
Ano de Produção: 2011
Direção: Scott Charles Stewart
Roteiro: Cory Goodman, baseado na graphic novel “Priest”, de Hyung Min-Woo
Elenco: Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Stephen Moyer, Alan Dale, Mädchen Amick e Christopher Plummer
Cotação: 1 Star

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em Padre

  1. Seu primeiro parágrafo toca numa questão bem interessante, e compreendo suas colocações sobre os inúmeros defeitos da narrativa. Talvez tenha achado PADRE um bom filme mais pelo que ele promete (para uma franquia) do que pelo de fato é exibido nessa introdução. Acredito que os conceitos foram apresentados, junto a uma concepção visual muito bem realizada (efeitos visuais até surpreendentes; fotografia e direção de arte eficientes na organização dos ambientes). Ficou devendo na ação, em algumas atuações e nos diálogos, o que precisa ser consertado nas possíveis futuras continuações. Mas comprei a ideia. Esperarei com boas expectativas. 6/10

  2. Bom, se o propósito desse filme é mesmo se tornar uma franquia hollywoodiana, o roteiro ainda tem que comer muito arroz com feijão pra ficar bom!

  3. Sabe que eu até me diverti um bocado com esse filme. Tecnicamente, é mesmo bem limitado, mas a história nem é tão idiota assim, e a ideia da gênese da figura do vampiro (meio humano e meio besta) me pareceu bem instigante. Entretem bem.

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: