Resenha Crítica | Hanna (2011)

“I just missed your heart.”

Nos primeiros minutos de “Hanna” vemos que a personagem-título cresceu em um ambiente diferente de outras garotas de sua idade. Aos dezesseis anos, esta personagem interpretada pela americana Saoirse Ronan vive nas áreas mais gélidas da Finlândia com o seu pai Erik (Eric Bana). Erik cria Hanna sob severos treinamentos físicos e a torna uma expert em idiomas e culturas de lugares que jamais conheceu. O mundo de Hanna é minúsculo, pois ela jamais ultrapassou os limites do refúgio ao qual lhe é um lar. Isto pode mudar quando Erik oferece à Hanna a chance de finalmente explorar novos ambientes, deixando-a ciente de que deverá cumprir com uma missão de risco: eliminar a agente da CIA Marissa (Cate Blanchett), com quem Erik tem um passado.

As razões ficarão claras apenas nos momentos finais desta história, pois o que mais importa ao cineasta inglês Joe Wright (de “Orgulho e Preconceito”, “Desejo e Reparação” e “O Solista“) e aos roteiristas David Farr e Seth Lochhead é fazer com que Hanna desvende sua própria humanidade em meio a um turbilhão de emoções que a acometerá, intensificadas ao conhecer Sophie (Jessica Barden), filha de Sebastian (Jason Flemyng) e Rachel (Olivia Williams). Esta família de turistas mudará Hanna, especialmente Sophie e Rachel, pois nossa protagonista jamais presenciou uma figura feminina em sua infância e adolescência.

Trabalhando pela primeira vez com um roteiro original, Joe Wright finalmente parece livre, leve e solto para conduzir uma história como bem entender. Não poderia apresentar um gosto mais refinado. Wright faz de “Hanna” um filme de ação diferente do habitual, mostrando serviço em sequências de embate espetaculares e no uso de espaços cênicos, como o parque abandonado em Berlim que serve de cenário para o último ato da história. Há também dois elementos que se destacam entre os demais. O primeiro é a contribuição da dupla Ed Simons e Tom Rowlands. Responsáveis pelo grupo “The Chemical Brothers”, ambos realizam um trabalho bizarro (no bom sentido), um misto de música eletrônica e canções dignas de fábulas. O segundo elemento surpreendente é representado por Cate Blanchett. A atriz dá um tom totalmente novo para a sua vilã, distinto da cabeça aos pés do horroroso papel de Irina Spalko em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal“. O único ponto comprometedor de “Hanna” é quando sua narrativa invade terrenos pouco seguros ao revelar a origem da mortífera protagonista, que não devem ser revelados aqui para não estragar as surpresas.

Título Original: Hanna
Ano de Produção: 2011
Direção: Joe Wright
Roteiro: David Farr e Seth Lochhead
Elenco: Saoirse Ronan, Eric Bana, Cate Blanchett, Tom Hollander, Olivia Williams, Jason Flemyng, Michelle Dockery, John MacMillan, Tim Beckmann, Vicky Krieps, Jessica Barden, Aldo Maland, Jamie Beamish e Sebastian Hülk
Cotação: 3 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

6 Comentários em Resenha Crítica | Hanna (2011)

  1. Só tenho lido boas opiniões sobre este filme! Espero que, finalmente, dessa vez, o Joe Wright tenha acertado num filme que NÃO é de época! :)

  2. Bem, depois da merdinha que o Joe Wright fez em O Solista, tenho boas esperanças em relação a esse fime. O fato de ser lançado diretamene em DVD me desanimou um tanto, mas espero que os cometários sejam positivos daqui pra frente.

    • Considerei um total desrespeito de lançar este filme em DVD depois de tantas confirmações e datas de que ele seria exibido nos cinemas. As cenas finais iriam ganhar um impacto extraordinário na tela grande.

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