A Garota da Capa Vermelha

Não há dúvidas que a cineasta Catherine Hardwicke tem um carinho especial pelo universo adolescente. Qualquer um que tenha assistido “Aos Treze” e “Os Reis de Dogtown” viram todo o zelo com o qual foram construídos personagens e a autenticidade de seus dramas e tormentos. Porém, o sucesso de “Crepúsculo” subiu a cabeça da diretora. Só assim para justificar a sua opção em dar vida ao material de “A Garota da Capa Vermelha”. O segundo roteiro para cinema de David Johnson (“A Órfã” foi seu debut) é uma versão livre de “Chapeuzinho Vermelho”, mas é impossível não reconhecer uma reprise ainda mais pálida da relação do vampiro Edward (Robert Pattinson), a humana Bella (Kristen Stewart) e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner).

O triângulo da vez é formado pela jovem Valerie (Amanda Seyfried), o lenhador Peter (Shiloh Fernandez) e o ferreiro Henry (Max Irons, filho de Jeremy Irons), filho do mais rico morador do vilarejo de Daggerhorn. Cesaire e Suzette (Billy Burke e Virginia Madsen) são pais de Valerie e indicam Henry como melhor pretendente para se casar. Os olhos da moça estão direcionados para Peter, amigo desde a infância e pelo qual está perdidamente apaixonada. A união nunca seria bem vista e exatamente por isto o casal planeja uma fuga. Correria tudo bem se uma sucessão de eventos ameaçadores surgisse. O primeiro é a morte da irmã de Valerie, Lucy (Alexandria Maillot). Depois é a perícia que aponta um lobisomem como o culpado. Por fim, a inclusão do padre Solomon (Gary Oldman, o melhor do elenco) na história, uma espécie de Van Helsing dos lobisomens que aponta todos como suspeitos.

Comparando “Crepúsculo” com “A Garota da Capa Vermelha”, dá até para apontar uma considerável melhora técnica. “A Garota da Capa Vermelha” apresenta um clima tenso pelo cenário bem explorado e há até efeitos visuais bem resolvidos. Por outro lado, os constantes planos aéreos nos fazem ter saudades da boa utilização de câmera na mão da Catherine Hardwicke de “Aos Treze” e tanto as referências a “Chapeuzinho Vermelho” quanto às sugestões impostas pelos Irmãos Grimm na versão mais famosa do conto são jogadas na tela de maneira desconexa. Ou seja: é melhor a diretora voltar às suas raízes, pois seu olhar sobre a juventude em ambientes fantásticos já se esgotou em apenas duas investidas. E nem adianta criar mistério com o velho “quem é o assassino?”. Para isto, já temos o fantástico “Pânico 4“.

Título Original: Red Riding Hood
Ano de Produção: 2011
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman, Billy Burke, Virginia Madsen, Julie Christie, Lukas Haas, Shauna Kain, Michael Hogan, Adrian Holmes, Cole Heppell, Christine Willes, Michael Shanks, Kacey Rohl, Carmen Lavigne, Don Thompson, Matt Ward, Megan Charpentier, Dj Greenburg, Jen Halley e Alexandria Maillot
Cotação: 2 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

8 Comentários em A Garota da Capa Vermelha

  1. Não gostei desse filme a razão principal foi a falta de identidade dele. A diretora não sabe se quer emular “A Vila” ou “Crepúsculo”. Na realidade, ela tenta mesmo é repetir o que fez de “Crepúsculo” um sucesso (romance juvenil + presença de criaturas fantásticas) sem o mesmo êxito, porque a “magia”, digamos, é difícil de se repetir!

  2. Cara dá a impressão às vezes que estamos vendo um dos filmes da franquia Crepúsculo, kkkk. Fraquíssimo esse filme, Hardwicke só quer atrair o mesmo público seguindo os mesmos caminhos de seu filme anterior. Ela se perdeu em ‘Aos Trezes’…

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