Resenha Crítica | Dominados Pelo Ódio (2010)

Em 1980, a produtora e distribuidora Troma bancou um longa-metragem que atualmente tem uma pequena legião de devotos chamado “Dia das Mães Macabro”. Quem conhece as produções da Troma sabe muito bem o que esperar: um autêntico trash de roteiro primário, atuações ruins de doer e direção de fundo de quintal. Mesmo relevando a bacana brincadeira de expectativas dos primeiros dez minutos e a aguardada revanche das protagonistas após serem humilhadas e estupradas, não tem jeito: para se ver “Dia das Mães Macabro” é preciso ter disposição para tanta tosqueira e risadas involuntárias. A necessidade dos americanos em se aproveitarem de tudo o que é argumento é tamanha que até “Dia das Mães Macabro” ganha agora uma refilmagem.

Não esperem que o mesmo texto seja repetido em “Dominados Pelo Ódio”, pois o roteirista Scott Milam apenas se inspirou em um ponto interessante do filme original, o poder que uma mãe exerce sob seus filhos criminosos. Esta mãe tão especial quanto perigosa é Natalie (Rebecca De Mornay), cheia de condutas totalmente questionáveis. A residência onde morava com todos os seus quatro filhos (Patrick John Flueger, Warren Kole, Matt O’Leary e Deborah Ann Woll) agora é habitada pelo casal Sohapi (Jaime King e Frank Grillo). O problema é que os filhos de Natalie estão há meses distantes e não imaginavam que ela havia mudado de endereço, chegando a invadir a residência e fazendo os Sohapi e todos os seus amigos de reféns. Jonathan (Matt O’Leary) é o caçula e está gravemente ferido após uma tentativa frustrada de assalto. Isto deixa a situação ainda mais perturbadora, pois os irmãos de Jonathan chamam a mãe para controlar a situação. Ou piorá-la, como obviamente acontecerá.

Uma das mais estonteantes atrizes que o cinema já projetou, Rebecca De Mornay é mais uma das vítimas do tempo, tendo trabalhado nas duas últimas décadas em papéis que jamais a valorizavam. Não houve oportunidades para conhecermos todo o seu potencial, mas não há dúvidas de que Rebecca De Mornay é dona de uma frieza implacável. Incorporou de forma extraordinária a vilã de “A Mão Que Balança o Berço” e obtêm o mesmo resultado neste “Dominados Pelo Ódio”. Quando está em cena, Rebecca De Mornay permite que “Dominados Pelo Ódio” seja um thriller psicológico de gelar a espinha. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito em sua ausente, comprovando que Darren Lynn Bousman ainda não é capaz de ir além da brutalidade física que havia filmado nos três capítulos da franquia “Jogos Mortais” que dirigiu. Mesmo assim, a crueldade de Natalie perturba tanto que é quase impossível deixar de recomendar esta refilmagem.

Título Original: Mother’s Day
Ano de Produção: 2010
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Scott Milam, baseado no roteiro de “Dia das Mães Macabro”, de Charles Kaufman e Warren Leight
Elenco: Rebecca De Mornay, Jaime King, Frank Grillo, Shawn Ashmore, Briana Evigan, Patrick John Flueger, Warren Kole, Deborah Ann Woll, Matt O’Leary, Jessie Rusu, Lyriq Bent, Lisa Marcos, Tony Nappo, Kandyse McClure, Jason Wishnowski, J. LaRose, A.J. Cook e Alexa Vega

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em Resenha Crítica | Dominados Pelo Ódio (2010)

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: