Sem Limites

Há um famoso mito de que todo ser humano utiliza apenas 10% de toda sua capacidade mental. Embora muitos especialistas discordem, é difícil encontrar outra justificativa que comprove, por exemplo, as informações que parecem ser descartadas involuntariamente de nossa memória. Se há pontos do nosso cérebro que ficam ou não inativos será uma questão que ficará para outra oportunidade, pois o eletrizante thriller “Sem Limites” está interessado em tratar de outras coisas através de Eddie Morra.

Feito por Bradley Cooper, este escritor com bloqueio criativo reencontra seu ex-cunhado Vernon (Johnny Whitworth, de “Autópsia de Um Crime”), que após um rápido bate-papo num café lhe oferece uma droga experimental em comprimido capaz de ativar toda a capacidade mental de quem a consumir. Impressionado com os efeitos imediatos, como a capacidade de redigir em poucas horas dezenas de páginas para seu novo livro, Eddie não hesita em procurar Vernon para obter mais quantidade da droga. O personagem ignora os riscos que se submeterá para o novo vício e, passando a ter um Q.I. de quatro dígitos, enriquece na mesma proporção que o perigo lhe bate à porta, representado por gente barra-pesada que já experimentou os efeitos oferecidos pelo comprimido.

Com poucos filmes no currículo e orçamento modesto no bolso, o cineasta Neil Burger (“O Ilusionista”) faz um trabalho visualmente curioso, dando tonalidades fortes de cores em todas as cenas onde Eddie está sob efeito da droga e caprichando na ação (o momento que a personagem de Abbie Cornish, namorada de Eddie, ingere um comprimido para escapar de uma situação de risco é particularmente ótima). É um filme acima da média que aproveita a originalidade provavelmente extraída do romance de Alan Glynn que lhe serve de base, oferecendo a Bradley Cooper uma chance de trabalhar com um papel bem escrito: mesmo de boa índole, Eddie Morra age através de impulsos por vezes negativos numa situação que provavelmente poucos se comportariam diferente, como no envolvimento com o traficante vivido por um impagável Andrew Howard.

Título Original: Limitless
Ano de Produção: 2011
Direção: Neil Burger
Roteiro: Leslie Dixon, baseado no romance de Alan Glynn
Elenco: Bradley Cooper, Abbie Cornish, Robert De Niro, Andrew Howard, Anna Friel, Johnny Whitworth, Tomas Arana, Robert John Burke, Darren Goldstein, Ned Eisenberg, T.V. Carpio, Richard Bekins, Patricia Kalember, Cindy Katz, Rebecca Dayan e Brian Anthony Wilson
Cotação: 4 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Sem Limites

    • Mateus, eu realmente gostei muito do filme. Gosto dessas histórias originais que atiçam nossa curiosidade. Ao final do filme, fiquei triste ao testemunhar que até hoje não existe essa droga experimental, rs.

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. Retrospectiva 2011 « Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: