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Os Cinco Filmes Prediletos de João Paulo Rodrigues

Um dos passatempos da minha adolescência era assistir filmes e compartilhar virtualmente as minhas opiniões sobre eles. Em um período da minha vida onde não havia grandes responsabilidades além dos estudos, adorava alugar dezenas de títulos nas vídeo locadoras próximas ao meu bairro e ir aos cinemas na primeira oportunidade. Em fóruns de redes sociais, criei amizades com pessoas que têm este vício por cinema. Fiquei feliz em testemunhar que essa conectividade permanece firme atualmente. João Paulo foi um dos primeiros cinéfilos que interagi e não podia deixar de escapar o entusiasmo que ele demonstrou ao participar desta seção do Cine Resenhas. Desde maio de 2006, João Paulo mantém o Cine JP. Recentemente, surgiu um espaço que adapta para outro idioma algumas de suas críticas, o Cine JP in Spanish.

Antes de eu oficializar o convite, refleti com carinho sobre a importância que ele exerceu para a criação deste espaço. Graças ao seu incentivo, reservei um território virtual com intenção de registrar as experiências cinematográficas que cada filme, bom ou ruim, me oferece. Tão importante quanto ler as reações de leitores que se aventuram por este espaço, escrever a opinião de um filme é apresentar registros das modificações que estamos sujeitos, proporcionados por uma arte rica em dissecar com detalhe e beleza sobre quem somos e sobre o espaço que habitamos. Deduzo que esta seja uma das formas como o João visualiza o cinema, especialmente após ler sobre os seus cinco filmes favoritos.

Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick (1964, Dr. Strangelove)

Ainda me lembro como se fosse ontem quando estava fazendo cursinho pré-vestibular em 2005 para estudar a temática da Guerra Fria e fiquei tão maravilhado com o filme que fui mostrar ao professor como se fosse um tesouro da humanidade. Se bem que ele não ligou muito, mas para mim ainda é uma sensação maravilhosa. Como se o filme tivesse aberto as portas da sensibilidade cinematográfica. Tudo nesse filme me encanta, desde sua ideia tensa até o tom de escracho com a ironia musical ao final com a perfeita “We’ll Meet Again”, da cantora Vera Lynn representando o final da humanidade. Por causa do filme, o meu nickname é em sua homenagem e poucos ligam a questão dele ao filme, sempre com uma canção ou algo parecida. Mas gosto quando algumas meninas perguntam o porquê do apelido. Rende um bom papo (risos).

Clube da Luta, de David Fincher (1998, Fight Club)

Ansioso ao extremo era eu na época que saiu o filme… Seria perfeito se pudesse ter conferido na data do meu aniversário, não fosse o massacre no cinema em 1999. Minha mãe reclamou para eu não poder ver o filme com medo de algo parecido ou por ser violento. Mas o filme na realidade foi uma pedra fundamental em minha vida e toda vez que vejo o filme sempre aparece algo novo, uma visão diferente. Muitos podem dizer que é um filme chocante. Prefiro dizer que é um projeto que curiosamente não sairá da minha vida tão fácil. Literalmente.

Up – Altas Aventuras, de Bob Peterson e Pete Docter (2009, Up)

O melhor filme da Pixar. Ri aos montes no cinema, porém foi o filme que sai com os olhos mais inchados em toda minha vida. Na época estava vivendo uma das piores fases na minha aventura na Argentina no qual pela primeira vez senti uma solidão plena. Não conseguia expelir essa dor no meu peito até ver essa fábula vivida por Carl em seu maior desafio: aprender a viver e continuar em frente. Percebi nesse momento minha jornada para lutar por que eu acredito e os meus princípios foram renovados. Ao término de Carl olhar o álbum de fotografia, aos meus olhos cheios de lagrimas, vi uma mensagem importante, é hora de seguir em frente e vivenciar a maior aventura de minha vida.

O Show de Truman – O Show da Vida, de Peter Weir (1998, The Truman Show)

Há muito tempo atrás, quase 13 anos, existia um projeto no estado de Pernambuco chamado Cine Escola. Esse projeto consistia em passar determinados filmes no cinema para alguns colégios. Vi “O Céu de Outubro”, de Joe Johnston, e “O Show de Truman”, de Peter Weir. A jornada de Truman Burbank vivida por perfeição por Jim Carrey, no papel definitivo de sua carreira, sobre o controle da vida e dos caminhos que acreditamos seguir me fez na época no auge da inocência cinematográfica sentir mexido por dentro e levantei sozinho, bati palmas como um louco desvairado e muitos ao meu lado olharam surpresos. A seguir, todos levantaram e bateram palmas também. Disse algumas coisas estúpidas, levadas a emoção, mas sem dúvida o filme vive dentro do meu peito e seu final treme na minha mente.

Dublê de Anjo, de Tarsem Singh (2006, The Fall)

Eu não sei se já passou isso com sua pessoa, mas em 2008 cheguei a um ponto de entrar em crise de escrita. Já esperava esse filme alguns meses atrás inteiramente por causa do seu cartaz surrealista, lembrando aquelas pinturas de Dalí em seu auge. Desde o primeiro acorde de Bethoveen até as palavras finais da personagem Alexandria (Cantinca Untaru), o filme entrou de uma maneira fugaz e impertinente a minha mente e por ai ficou. Talvez seja uma dos melhores filmes que já vi que nos lembra o nosso amor ao cinema. A recriação da imaginação, da inocência, do poder que nos faz ficar com olhos brilhando durante todo o filme, sentir um misto de surpresa e beleza inigualáveis. Muitos podem não ser fãs do diretor, mas serei eternamente grato me lembrar novamente por que eu amo cinema.

14 Comments

  1. João tem bom gosto. A lista é a cara dele!!

  2. Bem a cara dele mesmo, só não esperava por Clube da Luta, que adoro. Também achei que escolheria 2001 a Dr. Fantástico, embora seu nick seja o próprio strangelove. Boa lista, só acho que havia coisas bem melhores que Up pra entrar aí, mas sei que é algo mais íntimo e pessoal e sobre isso não tem mais nada. Parabéns

    • É impossível opinar sobre uma lista moldada por escolhas pessoais. Ainda assim, prefiro qualquer outra obra feita por Kubrick do que “2001”. ^^

  3. Acho que, se eu não soubesse de quem era, ia pensar que a lista era do JP mesmo. Talvez pelo primeiro filme ser Dr. Strangelove, mas os outros filmes são a cara de várias conversas que tivemos. Muito bom gosto!

    • Cecilia, qualquer dia desses preciso lhe fazer um convite para essa seção. Espero receber um sim, viu? :-)

  4. Um grande lista! Clube da Luta e Show de Truman fazem parte dos meus favoritos também. E o João Paulo é um dos caras mais parceiros da comunidade mesmo!

    • Victor, concordo com você. JP é mano, meu! =P

      Da seleção dele, o título que mais gosto é “Up – Altas Aventuras”.

  5. É muita emoção ver o preludio de Alex e o comentário de vocês, e uma coisa eu aprendi com o tempo, que não escrevo somente para mim e sim por vocês que comentam, dão força, elogiam e sabes criticar para melhorar.

    Um grande abraço a todos vocês!

    • João, novamente obrigado pela participação nesta seção. Todos nós gostamos muito de sua seleção. :-)

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