Assassino a Preço Fixo (1972) Vs. Assassino a Preço Fixo (2011)

No passado, muitas pessoas pegaram os tempos áureos da programação da tevê aberta. Afinal, ao contrário da acessibilidade que a tecnologia atualmente oferece, a telinha era o meio de transmissão mais popular. Por isso, é normal muitas pessoas apontarem que há clima de sessão da tarde em fantasias, comédias e aventuras nostálgicas. Já a maioria das fitas de ação era exibida no Domingo Maior. E no programa, Charles Bronson se consolidou como “muso”. Basta confirmar isto com o seu pai ou simplesmente ter mais de trinta anos e uma boa bagagem cinematográfica. Não há dúvidas que Charles Bronson sempre foi uma porta interpretando, mas não é absurdo o afeto que muitos fãs têm por este americano que partiu em 2003 deixando como herança um currículo que soma mais de cento e cinquenta trabalhos no cinema e na tevê. Guardadas as devidas proporções, podemos dizer que o britânico Jason Statham é o Charles Bronson da nova geração, um brucutu simpático que dá sangue em produções cheias de adrenalina. Algumas muito legais, como a franquia “Carga Explosiva” e “Efeito Dominó”. Outras bem medíocres, como “Assassino a Preço Fixo”, produção que será comparada a seguir com sua versão original, protagonizada em 1972 por ninguém menos que Charles Bronson.

ASSASSINO A PREÇO FIXO – 1972

Mais ativo como produtor do que como cineasta, Irwin Winkler (“A Rede”, “De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter”) apoiou muitos dramas esportivos (venceu o Oscar por “Rocky – Um Lutador”) e fitas de ação na linha de “Assassino a Preço Fixo”. O padrão de qualidade se vê nas sequências de ação, como o prólogo sem qualquer diálogo e a perseguição do clímax em uma estrada. O filme também marca a segunda de seis parcerias de Charles Bronson com o diretor Michael Winner. Bronson é Arthur Bishop, um “mecânico” (leia-se assassino de elite) contratado para um serviço onde deve executar seu patrão e amigo Big Harry (Keenan Wynn). Já que missão dada é missão cumprida, o sujeito é eliminado. Arrependido, Bishop acredita que pagará parte do seu pecado servindo de mentor para o único filho de Harry, o rebelde Steve McKenna (Jan-Michael Vincent). Infelizmente, o elo entre esses dois personagens representa o maior problema de “Assassino a Preço Fixo”, pois Jan-Michael Vincent é um péssimo ator e há situações envolvendo seu personagem simplesmente patéticas, como aquela onde assiste a tentativa de suicídio de Louise (Linda Ridgeway), sua ex-namorada.

Título Original: The Mechanic
Ano de Produção: 1972
Direção: Michael Winner
Roteiro: Lewis John Carlino
Elenco: Charles Bronson, Jan-Michael Vincent, Keenan Wynn, Jill Ireland, Linda Ridgeway e Frank DeKova
Cotação: 2 Stars

ASSASSINO A PREÇO FIXO – 2011

Esta refilmagem assinada por Simon West repete o erro de escolha do intérprete para viver o aprendiz de Arthur Bishop, também chamado Steve McKenna. Ben Foster nada faz além de reprisar todos os tiques vistos em “Alpha Dog” e jamais fica à altura de Jason Statham – por sua vez, melhor do que Charles Bronson em compreender a natureza moralmente ambígua de Bishop. Se há empate técnico no duelo entre os dois “Assassino a Preço Fixo”, ao menos a versão atualizada do argumento de Lewis John Carlino fez algumas modificações interessantes. Todos os alvos de Bishop são representados por vilões inusitados, seja o pastor cretino que se beneficia da fé alheia, seja o assassino profissional que dá em cima de Steve. Fica a dever diante do original em certa falta de ousadia, havendo uma cena final bem desnecessária que deixa claro o destino de Bishop.

Título Original: The Mechanic
Ano de Produção: 2011
Direção: Simon West
Roteiro: Lewis John Carlino e Richard Wenk
Elenco: Jason Statham, Ben Foster, Donald Sutherland, Tony Goldwyn, Jeff Chase, Mini Anden, Eddie J. Fernandez e Christa Campbell
Cotação: 2 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Assassino a Preço Fixo (1972) Vs. Assassino a Preço Fixo (2011)

  1. Adorei esse confronto de visões sobre o filme original e o remake. Fica a sugestão para você fazer isso mais vezes aqui no blog. Pela cotação e pelo teor do texto, parece que o original e o remake possuem até características parecidas, em termos de qualidade cinematográfica.

    • Kamila, muito obrigado. Realmente gostei de vê-la curtindo esse embate. E pois é, as duas versões não apresentam grandes qualidades. Tenho intenção de falar na próxima atualização desta seção sobre “Gosto de Sangue” e “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão”. Aguarde!

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